Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

Para você entrar em nossos artigos click nas imagens nas laterais e encontrarás os lincks dos artigos postados.

Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

quarta-feira, 2 de maio de 2012


 “Conforme o Pai falou”

João 12, 44-50

“Quem crê em Mim… crê naquele que me enviouQuem me vê …vê aquele que me enviou; Eu vim ao mundo como luz…para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas; Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-Lo; Quem me rejeita e não aceita minha Palavra…já tem o seu juiz: A PALAVRA; o que eu digo…Eu o digo conforme o Pai me falou”. 
Estas são palavras de Jesus contidas neste Evangelho que precisam ser escutadas e acolhidas no nosso coração e na nossa mente. 
O conhecimento da Palavra de Deus nos abre o entendimento para que possamos trilhar o caminho da salvação.   Jesus nos fala em alta voz, isto é, claramente de coisas inerentes à fé na Sua pessoa e na Palavra de Deus.  
Assim Jesus revela claramente os direcionamentos do plano do Pai para cada um de nós e nos ensina os passos para que este projeto seja realizado na nossa vida. 
O primeiro passo é crer em Jesus, o Enviado do Pai, o segundo é acolher a Sua palavra como Luz para o nosso caminho. Tudo quanto Jesus nos afirma lhe foi revelado pelo Pai, por isso, só Ele tem palavra de vida eterna. 
Se o conhecimento da Palavra de Deus nos abre o caminho da salvação e não a ouvimos, se não a praticamos e a ela não damos fé, estamos ignorando a Jesus, Aquele que veio nos salvar do pecado e da morte. 
Por isso, a Palavra nos julgará no último dia. Jesus veio ao mundo como Luz para nos revelar o conhecimento do Pai e nos tirar das trevas da ignorância. Podemos acolher a Sua Palavra ou simplesmente rejeitá-la. 
A opção é nossa, no entanto, nós teremos também que arcar com as consequências da nossa ignorância. A felicidade do homem total é o objetivo da salvação de Jesus. Às vezes  persistimos no erro e não nos atentamos de que o tempo está passando e  estamos dando marcha ré para voltar aos mesmos questionamentos. 
Não progredimos, não prosperamos e corremos o risco de minguar e fenecer nas nossas concepções.  Se, pelo contrário, acolhêssemos a Palavra de Jesus como bússola, estaríamos a mil anos luz do que somos agora.

  •  Você crê que Jesus Cristo é a Palavra do Pai para nós?
  •  Você tem levado a sério o Evangelho?
  •  Ele tem sido bússola para o seu caminhar? 
  • As suas ações, os seus gestos, os seus pensamentos têm demonstrado isso?
  • Você ainda tem muitos questionamentos?


Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem.”

Salmo 66  

O Senhor Deus quer derramar a sua graça e a sua bênção sobre todos os povos, sem exceção nenhuma. “Exulte de alegria a terra inteira”; “Que na terra se conheça o seu caminho e a sua salvação por entre os povos.”
Portanto, o desejo do Pai se realiza na vida de cada pessoa que assume a missão de filho de Deus e na terra conhece o Seu caminho e a Sua salvação.


 “Ouvir o Espírito Santo e obedecê-lo é o primeiro passo”

  Atos 12, 24-13,5

Será que hoje, também, nós podemos confiar na condução do Espírito Santo? 
Os apóstolos e os discípulos de Jesus caminhavam sob a orientação do Espírito Santo no desempenho dos seus ministérios.  
Eles estavam sempre atentos à condução que o Espírito lhes dava e percebiam a hora e o momento de parar, de caminhar, de dividirem-se, de se ajuntarem. 
Enquanto se reuniam no mesmo lugar para orar e jejuar, eles recebiam a instrução que os motivava a fazer o trabalho que lhes era destinado. 
Assim, eles prosseguiam com segurança e enfrentavam os desafios de cada tarefa.   O Senhor já tem pronto o projeto missionário para nós. 
Ouvir o Espírito Santo e obedecê-lo é o primeiro passo. 
Com certeza, hoje, como naquele tempo, nós precisamos também ser dóceis ao que o Espírito nos revela confiando plenamente na Sua unção, para progredir nos nossos trabalhos profissionais, nas ações dentro das nossas famílias e na nossa missão missionária de cristãos batizados.  
O Espírito Santo está ao nosso dispor e tem as melhores soluções para os nossos problemas e questionamentos. 
Em qualquer situação do nosso dia a dia, nas coisas simples ou nas grandes empreitadas da nossa vida, temos a graça do Espírito que age em nós e nos garante uma caminhada segura. 
No entanto, para que tudo aconteça segundo as ordens do Espírito precisamos também, como os apóstolos, jejuar e rezar impondo as mãos antes de tomarmos as atitudes que o nosso coração nos motivar, certos (as) de que estamos sendo enviados (as) pelo Espírito de Deus.
  • Por que não fazermos isso? 
  • Por que nos angustiamos, nos ralamos, no perdemos no emaranhado das nossas dificuldades?
  •  Por que não exercitamos em casa a prática dos apóstolos? 
  •  Você já a tem exercitado?

terça-feira, 1 de maio de 2012

A Proteção e o exemplo de São José

Existem muitos motivos para que as pessoas de todas as condições e de todos os países recorram ao bem-aventurado São José e se entreguem, confiantes, à sua fé e à sua proteção. José é o nosso legítimo e natural guardião, pois é chefe e defensor da divina Família. Nele, os pais de família descobrem a mais bela personificação da vigilância e da providência paternas; os cônjuges, o exemplo mais perfeito de amor, concórdia e fidelidade conjugal; os consagrados a Deus, o modelo e protetor da castidade virginal. Volvendo o olhar à imagem de José, aprendam os nobres a conservar a sua dignidade, também na desventura; os ricos compreendam, por meio de suas lições, quais os bens que devem desejar e adquirir, zelosamente. E enfim, os pobres, os operários e todos os que pouco tiveram da sorte, têm um motivo a mais - e todo especial - de recorrer a José e de tomá-lo como exemplo:

Ele, embora sendo de descendência régia, desposado com a mais excelsa, entre as mulheres, e apesar de ter sido considerado como o pai do Filho de Deus, passou sua vida no trabalho, provendo o necessário para si e para os seus, com a fadiga e a habilidade de suas mãos. Entretanto, é bom refletir que não é verdade que a condição dos pobres seja degradante. O trabalho do operário, longe de ser desonroso, torna-se fonte de nobreza quando associado à virtude. José, contente com seu trabalho e satisfeito com o pouco que possuía, viveu com coragem e nobreza as angústias da vida, seguindo nisto o exemplo de Jesus, que, embora sendo Senhor de tudo, fez-se servo de todos e não desdenhou abraçar voluntariamente a total pobreza.




Leão XIII, Quamquam pluries, 1889

Maio Mês dedicado a Nossa Senhora



AVE, CHEIA DE GRAÇA! O SENHOR ESTÁ CONTIGO!

A Anunciação do anjo à Maria marca o início da Redenção humana.  Com seu “sim”, Maria divide a história da humanidade em antes e depois, em velho e novo.  Ao aceitar o projeto de Deus, Maria se insere definitivamente na aliança de Deus com seu povo: através dela o Filho de Deus se fará homem e se fará presente e atuante em seu tempo e por toda a eternidade.
Com sua atitude, Maria torna-se co-redentora, participando do resgate da humanidade em direção ao coração de Deus.
 

Através de Maria Deus se fará homem e na vida terrena experimentará o limite da condição humana para revelar-Se Pai amoroso, Filho amado, Espírito amante.
Com o mês dedicado a Virgem, a Nossa Senhora, a Igreja quer celebrar esse momento único em que Cristo começa a ser gerado no ventre de Maria.
 

A jovem, que questiona o anjo por não entender como tal coisa poderia acontecer já que não conhecia homem, consegue perceber nas palavras do mensageiro a certeza de Deus e Sua verdade.  Assim, abre seu coração e seu corpo ao extraordinário, àquilo que assombrará a humanidade por gerações: ser corpo virgem gerará uma vida – mistério insondável de Deus, revelação suprema de Seu poder em tornar possível o impossível aos olhos humanos.
Possamos com essa festa nos abrir ao extraordinário, aceitar com gratidão o projeto de Deus sabendo-nos partícipes da construção de um novo estado de coisas e, sobretudo, testemunhar que desde aquele dia comum, na pequena cidade de Nazaré da Galiléia, o próprio Deus está presente no meio da humanidade.
 
Todas as gerações vos proclamam bem-aventurada, ó Maria!Crestes na mensagem divina e em vós se cumpriram grandes coisas, como vos fora anunciado.Maria, eu vos louvo!Crestes na Encarnação do Filho de Deus no vosso seio virginal e vos tornastes Mãe de Deus.Raiou, então, o dia mais feliz da história da humanidade e Jesus veio habitar entre nós.A fé é dom de Deus e fonte de todo bem, por isso, ó Mãe, alcançai-nos a graça de uma fé viva, forte e atuante, que nos santifica cada dia mais.

As referências dos Evangelhos e do Atos dos Apóstolos a Maria, Mãe de Jesus, apesar de poucas, deixam ver muito desta privilegiada criatura, escolhida para tão alta missão. São Paulo, na Carta aos Gálatas (4,4), dá a entender claramente que, no pensamento divino de nos enviar o seu Filho, quando os tempos estivessem maduros, uma Mulher era predestinada a no-Lo dar. Para que se compreenda a presença de Maria nesta predestinação divina, a Igreja, na festa de 8 de dezembro, aplica à Mãe de Deus, aquilo que o livro dos Provérbios (8, 22) diz da sabedoria eterna: “os abismos não existiam e eu já tinha sido concebida. Nem fontes das águas haviam brotado nem as montanhas se tinham solidificado e eu já fora gerada. Quando se firmavam os céus e se traçava a abóboda por sobre os abismos, lá eu estava junto dele e era seu encanto todos os dias”. Era pois a predestinada nos planos divinos.
Para se perceber melhor o perfil materno de Nossa Senhora, três passagens bíblicas podem esclarecer. 
A primeira é a das Bodas de Caná, que realça a intercessora. Quando percebeu – o olhar feminino que tudo vê e tudo observa – estar faltando vinho, sussurra no ouvido do Filho sua preocupação e obtém, quase sem pedir, apenas sugerindo, o milagre da transformação da água em generoso vinho. Ela é de fato a mãe que se interessa pelos filhos de Deus que são seus filhos.
Outra passagem do Evangelho esclarecedora da personalidade de Maria é a que nos mostra seu silêncio e sua humildade. O anjo a encontra na quietude de sua casa, rezando, para dizer-lhe que fora escolhida por Deus para dar ao mundo o Emanuel, o Salvador. Ela se assusta com a mensagem celeste, porque, na sua humildade, nunca poderia ter pensado em ser escolhida do Altíssimo. Acolhe assim, por vontade divina, a palavra do mensageiro, silenciosamente, sem dizer, nem sequer ao noivo José, o que nela se realizava. Deus tem o direito de escolher e por isto Ela diz apenas o generoso “sim” que a tornou Mãe de Deus.

O terceiro traço de Maria-Mãe é sua corajosa atitude diante do sofrimento. Ao apresentar o seu Jesus no templo, ouve a assustadora profecia do velho Simeão: “uma espada de dor transpassará a tua alma”. Pouco mais tarde, estreitando ao peito o Menino Jesus, deve fugir para o Egito com o esposo, para que a crueldade de Herodes não atingisse a Criança que – pensava ele, Herodes – lhe poderia roubar o trono. Quando seu filho tem doze anos, desencontra-se dele e, ao achá-lo após três dias, queixa-se amorosamente: “por que fizeste isto? Eu e teu pai te procurávamos, aflitos”. Sua coragem se confirma na paixão e crucifixão de Jesus. De pé, ali no Calvário, sofre e associa-se ao sacrifício do redentor. É a mulher forte, a mãe corajosa e firme, a quem a dor não derruba. De fato, a espada de Simeão lhe atravessara a alma e o coração. É a Senhora das Dores.
Maio, mês a Ela dedicado pela piedade cristã, é um convite para voltarmos nosso olhar a esta Mãe querida para pedir-Lhe, abra as mãos maternas em Bênção de carinho sobre nossos passos nesta difícil escalada da Jerusalém celeste.
Que possamos comunicar com a vossa vida a mensagem de Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida da humanidade. Amém!
Acesso ao Portal Paulinas

  Assunto do Mês:

Espiritualidade, religião e fé


No âmago das incertezas, das inquietações, dos sonhos e das experiências, que constituem a trama da vida, figuram essas três palavras, tornadas muito importantes no momento histórico-cultural em que vivemos. Designam uma vivência além das questões teóricas ou pragmáticas, teológicas ou políticas, que se revelam, nos dias de hoje, incapazes de satisfazer os mais profundos anseios do coração. Parecem conter o segredo da felicidade e da paz, apesar das resistências que encontram nas mentes enredadas nas certezas sempre provisórias das ciências ou cegadas pela paixão do domínio, político ou econômico.

Espiritualidade, religião e fé têm em comum a percepção, mais ou menos confusa, na maioria dos casos, de que a vida, tal como se nos apresenta, tanto para as pessoas como para as sociedades, além de breve, é incerta e está longe de ser plenamente satisfatória. Para realizar-se, o ser humano não pode viver totalmente em função do que é e do que faz agora, precisa descobrir algo ou alguém que lhe ilumine existência, dê consistência à vida e sentido à sua ação, tem sede de transcendência.

Denominamos religião, de maneira genérica, as muitas e variadíssimas formas com que o ser humano, desde as mais antigas eras, expressou essa sua percepção. No seio de todas as culturas, a busca do sentido deixou marcas, mais ou menos profundas, cuja importância temos, hoje, uma certa dificuldade em compreender, por vivermos num tempo quase inteiramente voltado para as questões imediatas da sobrevivência e do lazer.

Custamos a imaginar que a verdade do ser humano e, portanto, da sociedade depende do sentido que tem a vida compartilhada, expresso nas mil maneiras de significá-la e de entendê-la, que vão desde as formas mais elementares da linguagem com que as pessoas e os grupos se comunicam até o ritual e o discurso das grandes manifestações sociais, passando pela forma que tomam as instituições econômicas, culturais e políticas.

Antes de se traduzirem em organizações específicas, religiões ou igrejas apresentam-se como expressão de uma resposta às aspirações humanas para a busca de sentido. Nem sempre, porém, o reconhecimento do sentido chega a formular-se como uma religião, na concepção ocidental do termo, aliás de origem latina. As muitas filosofias de vida, sabedorias ou práticas de iniciação mística que prevalecem no Oriente constituem, sem dúvida, respostas para a busca de sentido, por isso a elas também se pode aplicar, de maneira diversa, analógica, a denominação religião.

De fato, religião, quer no sentido ciceroniano — de releitura das tradições pátrias, re-legere —, quer no sentido cristão — de restabelecimento do laço com o absoluto, re-ligare —, o termo tende a institucionalizar-se, assumindo um perfil de relação com o Absoluto. Envolve, assim, a vida da sociedade, de cada uma das pessoas e até mesmo do cosmo. Nessa perspectiva, compreende-se que vise a responder às perguntas que, de certo modo, habitam a profundidade de todos os seres humanos: de onde viemos, que somos, para que existimos? As religiões são construtos de rito, mito, prática de vida e instituições em que se expressam respostas mais ou menos convincentes a tais questões. Umas apelam para a experiência interior de união com o Transcendente; outras para a sabedoria haurida na experiência do dia-a-dia, por meio de gerações e gerações; outras, enfim, se caracterizam por apresentarem-se como fruto da revelação ou manifestação do Absoluto sempre por meio de um iluminado, uma personalidade marcante, que traçou o caminho a ser seguido na busca de realização do anseio profundo, presente em todo coração humano.

No terceiro caso, a religião gera e está sustentada por uma fé: a confiança na sabedoria e na experiência espiritual daquele que se apresenta como devendo ser seguido. Uma das grandes lições da história das religiões é que seus fundadores nunca se apresentaram como fonte de sentido, capazes, pessoalmente, de responder aos anseios do coração de seus fiéis. Todos eles apontam para um caminho que os ultrapassa ou para Alguém de quem se apresentam como testemunhas, delegados ou, numa terminologia mais técnica, mensageiros, profetas.

Fala-se, por isso, nesse caso, de religiões proféticas, cuja principal característica acaba sendo a prioridade absoluta da fé, não apenas num caminho ou numa verdade, mas numa Pessoa, de que depende todo o caminho e toda a verdade, de quem dependem todas as coisas e o universo inteiro. Tal realidade, transcendente e pessoal, é denominada Deus.

A fé, assim entendida, na sua gênese religiosa, é a atitude, por excelência, de que depende a realização do ser humano. A tradição religiosa bíblica coloca a fé como princípio do que chama de salvação, por entender que a realização do ser humano passa por um caminho mais ou menos longo de purificação e de triunfo sobre o mal, sobre a morte inclusive.

Vale a pena refletir sobre as conseqüências, para a religião e para a vida, da centralidade da fé. Na sua busca de sentido, o ser humano, pessoas e comunidades vêem-se confrontados com Alguém que detém, em suas mãos, o universo inteiro, e de cuja presença não nos é possível escapar. Alguém que exige fidelidade, mas, ao mesmo tempo, garante-nos contra todos os perigos e ameaças da vida. Alguém, enfim, que é capaz de conferir um sentido definitivo à existência. E somente esse Alguém.

A dinâmica das relações interpessoais, que fazem a trama da vida cotidiana, pois ser humano algum é uma ilha, transfere-se, sutilmente, para a dinâmica do comportamento religioso, na busca de sentido. Assim como não há relação humana sadia sem confiança recíproca, no nível do encontro com outrem e da troca que constitui o conteúdo desse encontro, também não há relação com o Transcendente, não há religião, nem fé, sem confiança, que acreditamos ser igualmente recíproca.

Ora, assim como a qualidade da relação entre duas pessoas denomina-se espírito que reina entre elas — espírito de cooperação, de respeito, de atenção e de amor, mas também espírito de competitividade, de aproveitamento do outro ou de vingança —, assim também denominamos espírito o clima que reina na relação com Alguém de quem dependemos e que confere sentido à nossa vida. Espírito é o Espírito de Deus, de que participamos quando cremos.

Espiritualidade, por conseguinte, designação abstrata da realidade da participação no Espírito, nada mais é do que a atenção e o cultivo do clima que prevalece na nossa vida, em busca de sentido e, em particular, o clima que reina na nossa relação uns com os outros e com Deus, presidindo a toda a nossa existência.

Como entender, porém, a espiritualidade, nos dias de hoje, marcados pela relativização da religião e pela ausência de fé pessoal? 
Um dos autores cristãos mais cotados na tradição católica para falar de espiritualidade é, sem dúvida, João da Cruz (1542-1591). É interessante observar que esse autor, há mais de quatro séculos, operou uma análise fria e objetiva do clima em que deve viver o cristão para ser fiel ao ensinamento de Jesus. Quando nos dedicamos a lê-lo à luz da problemática espiritual do nosso tempo, observamos uma originalidade que muitas vezes escapa aos seus intérpretes: a necessidade de construir-se uma espiritualidade baseada na fé, por certo, mas superando a generalidade da religião. Essa uma das observações mais importantes de um recente comentador.[1]

A religião tem de ser purificada pela fé, de modo que chegue a não mais contar em si mesma, mas dê lugar ao que chama de uma fé desnuda. Somente essa fé percebe Deus em sua liberdade pessoal, em seu ser como outro, não como objeto, em sua promessa inexprimível, em seu amor maior. Sem a superação da religião, a espiritualidade torna-se um ídolo, uma simples projeção dos desejos e das aspirações humanas.
Javier Garrido observa que é aí, precisamente, que se verifica um encontro profundamente significativo da tradição bíblica com as exigências da vida moderna. No mundo secularizado, a religião torna-se um engodo. O ópio do povo. Perde sentido se não cede a primazia à fé. Esta somente, despida de toda idolatria do religioso, até mesmo, num certo sentido, das estruturas temporais das religiões, é capaz de animar a vida humana, até nas suas expressões mais profundas de busca de sentido que se qualificavam como religiosas.

Escreve Garrido:
Pode parecer uma extrapolação relacionar esta sabedoria da fé com a cultura secular, mas não será tal se formos capazes de uma releitura. É o que tenta precisamente fazer em sua obra. Com efeito, para alguns a secularidade define-se pela negação da transcendência. Para nós, no entanto, é um fenômeno cultural, cujo sentido último é a emancipação do ser humano da imagem sagrada do mundo.
Reformulamos, em seguida, algumas das observações conclusivas de Garrido.

A partir dessa perspectiva, a secularidade tem conexões profundas com a maturidade da fé. Reivindica a autonomia das causas segundas e suspeita de toda interpretação religiosa de fatos e fenômenos puramente históricos. Requer a superação dos componentes psicológicos inconscientes das experiências extraordinárias.

Reivindica, assim, a emancipação do ser humano de toda ordem preestabelecida (sistemas mediadores do divino como sistemas de segurança). A nudez da fé liberta o ser humano da lei e dos apoios que condicionam sua liberdade interior.

A secularidade critica toda a pretensão de objetivar Deus como parte do mundo. A fé, como conhecimento próprio de Deus, implica a dessacralização do mundo, até da experiência religiosa vivida a partir do mundo, pois é luz de Deus em Deus, na nudez de imagens e conceitos.

A secularidade, além disso, obriga a espiritualidade cristã a uma consciência nova de sua identidade, expressão verdadeira e profunda do que há de válido no cerne do desejo religioso do ser humano. De fato, envolvidos na secularidade da civilização contemporânea, vivem muitos crentes que tiveram de pôr em crise suas fantasias religiosas infantis mediante a crítica radical do pensamento religioso, para realizar-se, espiritualmente, como seres humanos.

Na tradição bíblico-cristã, a fé não se justifica pela sua relevância, nem pela sua eficácia no mundo, mas pelo dom gratuito que Deus fez de si mesmo aos seres humanos. Esta é sua ligação primária com a secularidade. Deus não é necessário ao ser humano porque é mais do que necessário, como princípio da autodoação de amor. Por isso somente pode ser conhecido em si mesmo na fé, isto é, na luz em que não aparece como causa, mas como dom de sentido e de Amor Absoluto. Antropologicamente, isso significa que o ser humano vive Deus na experiência transcendental, menos como Ente Supremo entre os demais, mas como fonte pessoal de uma experiência transexperimental, como Alguém além de tudo o que se pode alcançar e imaginar.

A fé, entretanto, extravasa, infinitamente, os pressupostos críticos da secularidade. Esta tem muito de reacional, facilmente confunde a dessacralização com a pretensão de dominar arbitrariamente a natureza, ou auto-afirma-se com um hipercriticismo adolescente que esconde a saudade de suas raízes religiosas perdidas, ou priva o mundo da densidade do real, nunca redutível a objeto científico. A enfermidade mortal da secularidade erigida em cosmovisão integral é a angústia de uma liberdade voltada sobre si mesma, que, percebendo Deus como rival, nega sua própria fonte.

A espiritualidade baseada na fé constitui, assim, o caminho que responde, de maneira única e inédita, a todas as aspirações religiosas da humanidade: é o segredo e o critério da verdadeira religião.

 

Maio

Retiro Pessoal 

Religião versus fé  
A palavra do Senhor foi dirigida a Jeremias, nestes termos: Coloca-te à porta do templo do Senhor e proclama aí este discurso: «Escutai a palavra do Senhor, habitantes de Judá, que entrais por estas portas para adorar o Senhor. Assim fala o Senhor do universo, o Deus de Israel: Endireitai os vossos caminhos e emendai as vossas obras e Eu habitarei convosco neste lugar. Não vos fieis em palavras de mentira, dizendo: ’Templo do Senhor, templo do Senhor! Este é o templo do Senhor’. Mas, se endireitardes os vossos caminhos e emendardes as vossas obras, se verdadeiramente praticardes a justiça uns com os outros, se não oprimirdes o estrangeiro, o órfão e a viúva, nem derramardes neste lugar o sangue inocente, se não seguirdes, para vossa desgraça, deuses estrangeiros, então, Eu permanecerei convosco neste lugar, nesta terra que dei desde sempre e para sempre a vossos pais. Contudo, eis que vos enganais a vós mesmos, confiando em palavras vãs, que de nada vos servirão. Roubais, matais, cometeis adultérios, jurais falso, ofereceis incenso a Baal e procurais deuses que vos são desconhecidos; e depois, vindes apresentar-vos diante de mim, neste templo, onde o meu nome é invocado, e exclamais: ’Estamos salvos!’ Mas seguidamente voltais a cometer todas essas abominações. Porventura, este templo, onde o meu nome é invocado, é a vossos olhos, um covil de ladrões? Ficai sabendo que Eu vi todas estas coisas - oráculo do Senhor.» (Jeremias 7, 1-11)
Na época em que viveu o profeta Jeremias, seis séculos antes da nossa era, a pequena nação de Judá, assaltada por todos os lados, procurou segurança em duas promessas do Senhor. A primeira diz respeito à Cidade Santa, Jerusalém. Fundada pela grande fé do Rei David, cujos descendentes estavam ainda no trono graças a uma «aliança perpétua» (2 Samuel 23,5; ver cap. 7), com a reputação de ser inabalável: «Deus está no meio dela, não pode vacilar; Deus irá em seu auxílio, ao romper do dia» (Salmo 46, 6).
Esta confiança na Cidade era reforçada pelo facto de aí se encontrar o Templo de Salomão, «a casa do Senhor». Como ninguém poderia imaginar que Deus abandonaria a Sua casa no meio do Seu povo, todos se sentiam seguros e protegidos de tudo o que acontecesse.
Contudo… estas promessas eram parte de um todo, de uma relação com o Senhor a que se chama aliança. Com esta aliança, Deus comprometeu-se a cuidar dos filhos de Israel e estes, por sua vez, prometeram escutar e colocar em prática as Suas palavras (ver Êxodo 19, 1-9), os mandamentos, recapitulados em «Dez Palavras» (Êxodo 20).
Afastados do quadro da aliança, as promessas de Deus deixaram de ter consistência; tornaram-se palavras vazias ou, até, mentiras.
Foi por essa razão que, um dia, Jeremias foi enviado a permanecer junto à porta do Templo. Observando todos os que aí entravam, procurou desmascarar a ilusão de que a existência de um edifício, ainda que sendo a casa de Deus, poderia trazer a salvação por si próprio. A sua mensagem: se não se comportar como verdadeiro membro do povo de Deus, permanecendo fiel ao Deus único e praticando a solidariedade e a justiça para com o próximo, as profissões de religião de nada servem. Pior, constituem blasfémias, porque afastam os outros do Deus vivo (ver Ezequiel 36).
Não é surpreendente que, após esta intervenção, Jeremias tenha sido preso e ameaçado com pena de morte em nome da religião (ver Jeremias 26). Não se defende, mas afirma apenas que agiu, de fato, em nome de Deus.
Séculos mais tarde, um outro homem de Israel foi condenado à morte por palavras que supostamente proferira contra a religião do Templo, transformado num «covil de ladrões» (Jeremias 7, 11; Mateus 21,13). A Bíblia mostra-nos, assim, que a separação mortal entre as expressões de piedade e a verdadeira procura do Deus vivo pode conduzir à pior das confusões: uma certa religiosidade torna-se inimiga da fé autêntica.

Fé morta e Fé autêntica

 

De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Tiago 2,14

A fé precisa ser mostrada ou demonstrada de três maneiras: 1o.) Sendo confessada (Rm 10,9); 2o.) Demonstrando esperança (I Ts 1,3) e 3o.) Motivando ação (Tg 2,14-18).

Dizer que acredita em Deus é muito pouco. Por vezes, pregadores são precipitados ao declarar que alguém foi ou está salvo simplesmente porque levantou a mão durante um apelo ao final de um sermão. Claro que todos nós, pregadores, torcemos muito para que a declaração ou o gesto que sinaliza fé seja confirmado com frutos. Porém, precisamos reconhecer o que Tiago ensina, que sem obras a fé é morta, não salva.

Demônios acreditam em Deus! Eles sabem que existe um só Deus (Tg 2,19). E nem por isso recebem o direito de retornar ao céu de onde foram expulsos. Podemos dizer que há pessoas que têm "fé inútil", fé como dos demônios. Gente que acredita em Deus, mas que não tem aliança com Ele.

Abraão é o personagem escolhido por Tiago para mostrar o que é fé autêntica. 
De acordo com o apóstolo Paulo, Deus reconhece Abraão como o pai de todos os que são herdeiros da Promessa (Rm 4,17). De acordo com Tiago, a fé autêntica de Abraão produziu três resultados:

I. A fé autêntica fez de Abraão um ADORADOR (Tg 2,21).

Há vários relatos em Gênesis de Abraão adorando em altares que ele mesmo estabeleceu para honrar a Deus. O pai da fé chegou ao ponto de entregar a Deus o filho da promessa, Isaque. A oferta de adoração no Monte Moriá é apontada por Tiago como fruto da fé que justificou a Abraão.

II. A fé autêntica fez de Abraão um CREDOR DE DEUS (Tg 2,23).

Abraão creu em Deus e isso redundou em "créditos de justiça" para ele. Isso quer dizer que o Pai da Fé tornou-se credor de Deus. Sim, nossa obediência e serviço a Deus nos outorga créditos junto ao Pai.

III. A fé autêntica fez de Abraão um AMIGO DE DEUS (Tg 2,23).

O próprio Deus foi quem chamou Abraão de seu amigo. Deus tem uma estirpe especial de pessoas. Por favor, entenda, que Deus não faz acepção de pessoas, porém, há um rol de pessoas diferenciadas.
São pessoas que têm uma fé diferenciada. São heróis da fé. Não é que Deus as prefira. É que elas preferem a Deus.

Qualquer um de nós pode adentar a este nível de relacionamento com Deus. Basta seguir este roteiro de fé. Tanto é verdade que Tiago utiliza outro personagem do Antigo Testamento em sua argumentação, Raabe. A ex-prostituta que creu no Deus de Israel, auxiliou os espias israelitas, obedeceu e alcançou justificação (Tg 2,24). Você sabe que Raabe foi inserida não somente em Israel, mas na própria família do Messias!

O Deus do Impossível, conhecido como Deus de Abraão, está pronto a manifestar seu poder junto aos seus filhos, aos herdeiros da Promessa, ao povo que é diferenciado pela fé autêntica.
 Para orar:

  •  Em que se baseia a minha confiança em Deus? 
  • Que compromisso da minha parte está implicado na certeza de que Deus permanente próximo de mim?
  •  Como podemos nós mesmos compreender melhor, e ajudar os outros a compreender, a relação entre a fé que professamos e as consequências dessa fé na vida quotidiana?
Paz e Bem !
Santo retiro