Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

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Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Confiando em Deus.

Confiar em Deus é muito difícil , principalmente para quem está começando sua caminhada como cristão,pois logo no começo da caminhada aparecem muitas dúvidas e contradições.
   Nesse nosso texteo  de espiritualidade darei um exemplo de um homem de Deus ,cuja fé ia além dos “limites”, pois ele tinha a certeza de que Deus estaria com ele em todos os momentos de sua vida. Na caminhada cristã,existem elementos essenciais para se manter firme na presença de Deus, um dos principais é a confiança no Deus Todo Poderoso.
  No antigo e no novo testamento da bíblia existem muitos exemplos de acontecimentos que só foram possíveis por meio da confiança em Deus.
 Um exemplo bem comum foram as curas que Jesus realizou, que só foram possíveis através da fé de quem estava sendo curado no momento.
 Dividi em várias partes um exemplo de um homem de Deus que tinha uma missão muito difícil a ser realizada, porém sua confiança em Deus era maior. Acompanhe:
Até onde vai a sua fé?

  O profeta Isaías nos mostra o tamanho de sua fé em Deus no capitulo 50 do livro de sua autoria ao declarar o seguinte:
“Alguém tem alguma coisa contra mim? Então vamos juntos ao tribunal.

Alguém quer me processar? Que venha e apresente sua acusação.

O Senhor Deus é quem me defende,e por isso ninguém poderá me condenar”(Is 50,8-9)
  É impressionante o tamanho da fé de Isaías, ele confia inteiramente em Deus, independentemente da situação em que se encontra. A nossa confiança em Deus não pode ser limitada, pois servimos ao Deus do impossível.
Qual o tamanho do seu desafio?
 


Isaías tinha um enorme desafio , pois o seu chamado era profetizar, porém, profetizar no período mais crítico da história de Judá e Israel, quando estavam divididos em reinos do norte e do sul. Ambos haviam experimentado meio século de prosperidade , mas sucubiram à idolatria e a um sério declínio moral.
   Mesmo tendo esse desafio, que fazia parte do seu chamado, Isaías confiava em Deus de todo o seu coração.Quanto mais nós, que a maioria de nossos desafios são pequenos comparados ao de Isaías , devemos confiar em Deus todos os dias de nossa vida. Só para você ter idéia do tamanho do chamado de Isaías, escrevi abaixo o versículo que relata esse chamado:
~~>O Senhor me disse: “Você não será apenas o meu servo que trará de volta os israelitas que ficaram vivos e criará de novo a nação de Israel.”Eu o farei também que você seja uma luz para os outros povos a fim de levar a minha salvação ao mundo inteiro.(Is 49,6)
Onde está a fé?

  A fé está diminuindo muito nos últimos anos, pois as pessoas estão confiando em si mesmas deixando Deus de lado e confiando em sua “própria inteligência”.
  O maior erro do homem é pensar que sabe de tudo, mas se “olharmos por outro ângulo’’ veremos que o Senhor nos ensina através de Salomão que não devemos confiar em nós mesmos. Veja: “Confie no Senhor e não se apóie na sua própria inteligência”( Pv 3,5)E inda mais, Deus declara em Isaías 55,9 que os pensamentos e as ações dEle estão muito acima das nossas.
Concluindo 
 
Mesmo com esse grande exemplo de , muitos de nós ainda não vamos confiar em Deus , pois somos falhos, porém temos que alcançar o mais próximo da perfeição e nos esforçar para sermos reconhecidos por Deus, como homens e mulheres segundo o Seu coração.



“Vós sois meu Deus, no qual confio inteiramente”

Salmo 90


O salmista também se refere às preciosas promessas do Senhor para quem se abriga no esconderijo do Altíssimo e vive à sombra do poder do Espírito Santo. 
Ele ressalta o que acontecerá àqueles (as) que ao Senhor se confiam: proteção e livramento! Sempre que invocarmos o nome do Senhor seremos atendidos e na hora da dor seremos confortados. 
Vida longa e dias plenos significam dias cheios da graça e da paz de Jesus mesmo em meio às tribulações. Salvação e glória eterna são as preciosas promessas de Deus para nós, portanto, mantenhamos a nossa confiança no Senhor!




“Preciosas Promessas”

2 Pedro 1, 2-7 


São Pedro nos fala da grande graça que possuímos em virtude do nosso conhecimento de Deus que por meio de Jesus Cristo nos chamou para compartilharmos da Sua glória. 
Com efeito, pelo conhecimento da Palavra de Deus somos informados das Suas preciosas promessas de nos tornarmos participantes da natureza divina, libertos da corrupção e da concupiscência do mundo, que significa a inclinação a gozar os bens terrestres, particularmente os prazeres sensuais. 
Diante de tamanha graça precisamos, porém, fazer a nossa parte dedicando todo o esforço para subirmos os degraus que nos levarão até a caridade perfeita. 
De degrau em degrau, a partir da nossa fé caminhamos buscando a virtude, o conhecimento, o autodomínio, a perseverança, a piedade, o amor fraterno e, finalmente a caridade que é o Amor de Deus agindo em nós e se espalhando no mundo a partir dos nossos pensamentos, sentimentos e ações. 
Com efeito, precisamos ter a convicção de que o conhecimento da Palavra de Deus far-nos-á viver em santidade, desde já, tendo como bandeira a paz que nos foi concedida pelo príncipe da Paz, nosso Senhor Jesus Cristo. 
Não podemos desperdiçar tão preciosa promessa! Abramos os olhos e os ouvidos, pois o tempo é breve!

  • – Você já tem consciência da grande graça que possui em virtude da Palavra que lhe dá conhecimento de todas as preciosas promessas de Deus? 
  • – Como você tem aproveitado o tempo presente? 
  • – Você tem procurado subir a escada que o (a) ajudará a alcançar a caridade perfeita?
  • – Medite um pouco sobre tudo isso!



 
 
 
«Ainda lhe restava um: o seu filho bem amado»
 
 S. Marcos 12,1-12.
Naquele tempo, Jesus começou a falar-lhes em parábolas: «Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e construiu uma torre. Depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
A seu tempo enviou aos vinhateiros um servo, para receber deles parte do fruto da vinha.
Eles, porém, prenderam-no, bateram-lhe e mandaram-no embora de mãos vazias.
Enviou-lhes, novamente, outro servo. Também a este partiram a cabeça e cobriram de vexames.
Enviou outro, e a este mataram-no; mandou ainda muitos outros, e bateram nuns e mataram outros.
Já só lhe restava um filho muito amado. Enviou-o por último, pensando: 'Hão-de respeitar o meu filho’.
Mas aqueles vinhateiros disseram uns aos outros: 'Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa’.
Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha.
Que fará o dono da vinha? Regressará e exterminará os vinhateiros e entregará a vinha a outros.
Não lestes esta passagem da Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular.
Tudo isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos?»
Eles procuravam prendê-lo, mas temiam a multidão; tinham percebido bem que a parábola era para eles. E deixando-o, retiraram-se.

Comentário


                               «Ainda lhe restava um: o seu filho bem amado»
 
«Cristo confiou-nos o mistério da reconciliação» (2Co 5,18). São Paulo realça a grandeza dos apóstolos ao mostrar-nos que mistério lhes foi confiado, ao mesmo tempo que manifesta com que amor Deus nos amou. Depois de os homens se terem recusado a ouvir Aquele que Ele lhes tinha enviado, Deus não fez soar a Sua cólera, nem os rejeitou, mas persiste em chamá-los, por Si próprio e através dos Apóstolos. [...]

«Deus pôs na nossa boca a palavra da reconciliação» (v. 19). Viemos portanto, não para uma obra penosa, mas para fazer de todos os homens amigos de Deus. Como não nos escutaram, diz-nos o Senhor, continuai a exortá-los até que encontrem a fé. Eis por que razão São Paulo acrescenta: «Nós somos embaixadores de Cristo; é o Próprio Deus que vos chama através de nós. Suplicamos-vos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus». [...]

A que poderemos comparar tão grande amor? Depois de termos pagado estes benefícios com insultos, longe de nos punir, Ele deu-nos o Seu Filho bem amado, para nos reconciliar conSigo. No entanto, longe de quererem reconciliar-se, os homens deram-Lhe a morte. Deus enviou outros embaixadores para os exortar e, depois disso, torna-se Ele próprio suplicante por eles. Continua a ser Ele que pede: «Reconciliai-vos com Deus». Ele não diz: «Reconciliai Deus convosco», pois não é Ele que nos rejeita; sois vós que recusais ser amigos d'Ele. Poderá Deus ter sentimentos de ódio?
 
São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, depois bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja
11ª homilia sobre a 2ª carta aos Coríntios

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Magnificat: o hino triunfal da grandeza de Deus


A festa da Visitação de Nossa Senhora está muito ligada ao Magnificat, que Nossa Senhora cantou nessa ocasião.
O Magnificat é uma obra-prima de raciocínio. Ele mostra bem qual é a estruturação lógica do espírito de Nossa Senhora. E mostra-nos também como no maior transporte de alegria e entusiasmo, Ela se mantém naquilo uma estrutura racional que verdadeiramente impressiona.
É interessante notar como, em Deus, Ela decidiu cantar sobretudo o poder e a grandeza. E os outros atributos de Deus em função de Seu poder e de sua grandeza.
Isto é muito pouco próprio daquilo que convencionalmente se costuma chamar de “piedade doce e aguada”, que, em vez de dar o devido realce ao que diz respeito à grandeza de Deus, apenas dá realce ao que diz respeito à misericórdia de Deus.
É claro que se deve cantar a misericórdia de Deus e se deve cantá-la eternamente; é claro que sem essa misericórdia, nós não seríamos nada. Mas também não se deve ser unilateral e encarar apenas a misericórdia, como também não se deve ter em vista somente sua grandeza. É preciso ter em vista uns e outros atributos de Deus.
É isso que se nota no Magnificat. Ela fala da grandeza, mas às horas tantas descreve a misericórdia como uma das manifestações da grandeza de Deus.
Então, convém-nos focalizar, no Magnificat, dois desses pontos:
– canto eminentemente racional e estruturado. É um cântico que é uma verdadeira tese. Contrário, portanto, da “piedade açucarada”, que é apenas emotiva.
– é, também, um canto onde a visão da grandeza de Deus domina, embora com uma referência, das mais ardentes, à misericórdia de Deus.
Vejam o caráter de tese que tem o Magnificat. Os dois primeiros versos são a tese:
“A minha alma engrandece o Senhor; e o meu espírito se alegrou em extremo em Deus, Meu Salvador.”
O resto são os motivos.
Primeiro motivo:
“Por Ele ter posto os olhos na baixeza de sua escrava, porque eis que de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.”
Ou seja, engrandece a Deus porque Ele fez tão grande obra, de uma escrava; de uma simples serva humilde, fez uma rainha que todas as gerações chamarão bem-aventurada. Aqui está uma manifestação do poder de Deus.
Outra razão: “Porque me fez grandes coisas O que é poderoso, e Santo é Seu Nome”.
Ele fez, nEla, grandes coisas, e essas grandes coisas manifestam a grandeza dEle. Ela então engrandece o Senhor.
Outra razão: “Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre os que O temem”.
Então, porque Ele fez isto, e porque Sua misericórdia se estende de geração em geração. É outra manifestação de Sua grandeza, de Sua enorme misericórdia, que se estende de geração em geração sobre os que O temem.
Notem que é só sobre aqueles que têm temor de Deus, que têm, portanto, o senso da grandeza de Deus e que diante dessa grandeza, sentem temor. Esse temor é o temor reverencial, o temor do reconhecimento da grandeza, da santidade e bondade de Deus.
O verso seguinte ainda é um argumento para cantar a grandeza de Deus: “Manifestou o poder de seu braço; dissipou os que no seu coração, formavam altivos pensamentos”.
Deus é grande, não em relação aos que O temem, mas em relação aos que não O temem. Em relação a esses, manifestou o poder de seu braço e dispersou os homens maus, no fundo do coração dos quais se formavam pensamentos de orgulho.
Deus é grande na sua capacidade de ferir aqueles que não O temem. Manifesta-se aqui a grandeza da cólera de Deus, depois de ser ter cantado a grandeza da misericórdia de Deus.
Vê-se facilmente como isso é equilibrado, como mostra Deus em todos os seus aspectos e sempre grande em tudo. Como isso é diverso das unilateralidades meladas de uma falsa piedade, que só vê a Deus num aspecto de misericórdia, condescendência, sem a manifestação de Sua grandeza.
Como tudo isto é raciocinado! É uma tese. E segue depois, ponto por ponto, os argumentos da tese.
Outra razão: “Ele depôs do trono os poderosos e elevou os humildes”.
Depor do trono os poderosos não é, evidentemente, tomar um homem que está no trono e tem poder, para tirá-lo do trono e depois colocar os humildes no trono. Seria uma ingenuidade, porque esses humildes se teriam tornado poderosos e seria preciso derrubá-los também. Se o sentido fosse esse, “Ele depôs do trono os poderosos e fez com que todos fossem iguais”, teria um mau sentido, mas teria um sentido. Mas essa forma de “roda gigante”, exaltando os humildes e depondo os poderosos, para depois ter que depor os humildes que ficaram poderosos, é absurda. É evidente que não é assim que isso deve ser entendido.
O que é o poderoso e o que é o humilde?
O humilde é o que fez o que Ela faz nessa canção. Isto é, aquele que atribui tudo a Deus, reconhece que Deus é a origem de todo o bem, a fonte de todo poder. Que, sem o concurso de Deus, nada podemos na ordem sobrenatural e também nada podemos de realmente bom na ordem natural. Ele é o centro de todas as coisas e o Senhor que manda em tudo.
Humildes, por exemplo, eram os poderosos de quem Ela descendia e de quem também descendia Nosso Senhor. Por exemplo, o rei Davi, foi um poderoso, morreu no seu poder, e era humilde porque reconhecia a preeminência e os direitos de Deus.
O poderoso, de que fala a Santíssima Virgem, é quem não reconhece a prevalência dos direitos de Deus (os Mandamentos) e pensa que tem poder independente do concurso divino.
Então, no “Deus depôs os poderosos e elevou os humildes” está a manifestação do poder de Deus “rindo” de todo poder humano. Dá poder a um humilde e este fica poderoso; tira todo o poder a um homem orgulhoso, que só confia em si e este fica sem nada. É a grandeza de Deus, perto da qual todas as grandezas humanas não são absolutamente nada.
E continua: “Encheu de bens os que tinham fome e despediu vazios os que eram ricos.”
Aos que são pobres de espírito, aqueles que têm fome e sede de justiça, encheu de bens. Os que não têm fome e sede de justiça, que são apegados aos bens da terra, esses, despediu empobrecidos. Quer dizer, os ricos, nesse sentido, nada são para Ele. Deus faz dos ricos-pobres, e dos pobres-ricos, conforme entende.
Mais uma manifestação da grandeza de Deus, a proteção que dá ao povo eleito: “Tomou debaixo de sua proteção Israel, assim como havia prometido a nosso pai Abraão, e à sua posteridade para sempre.”

Quer dizer, naquilo que promete, é grande, cumpre sua aliança até o fim. É uma tese, seguida de todos os argumentos até o final, e canta muito equilibradamente a grandeza e a misericórdia de Deus: a grandeza de Deus em sua misericórdia; a grandeza de Deus em sua justiça; o vácuo de todos os homens diante de Deus, e o domínio de Deus sobre todo o universo. É o hino triunfal da grandeza de Deus!
No momento em que Santa Izabel falou a Nossa Senhora, glorificando-A, Ela mostrou que se considerava nada diante dessa grandeza infinita de Deus, que Ela cantou de modo excelente com um ardor e um sentimento extraordinários. Mas, sobretudo, com equilíbrio, numa construção absolutamente racional, que poderia ser comparada a uma construção da Suma Teológica de Santo Tomás. O Magnificat é de tal maneira pensado a fundo e articulado. E Ela o compôs sob inspiração do Espírito Santo, na hora, quando foi saudada por Santa Izabel.
Nas poucas coisas que Nossa Senhora disse, que se registram no Evangelho, transparece esta nota racional. Por exemplo, quando Ela recebeu o anuncio de que deveria ser a Mãe do Salvador. Ela respondeu com uma objeção de caráter eminentemente racional: “Como pode ser isto, pois tenho um voto de virgindade?”
O anjo deu-lhe uma explicação, quase como um silogismo. Ela, tendo a resposta: “Eis aqui a escrava do Senhor, portanto, faça-se em mim segundo a sua palavra”. É uma atitude consequente. Ela dá um princípio e tira uma conclusão.
Outra manifestação é quando encontrou o menino Jesus no Templo. A pergunta é uma pergunta cheia de aflição, cheia de angústia, mas que pede uma explicação: “Meu Filho, por que fizeste isto conosco? Teu Pai e eu te procurávamos aflitos”. É, mais uma vez, um pedido de explicação.
Compreendemos assim como a verdadeira alma católica, sem ser absolutamente uma alma racionalista, é uma alma cheia de razão, cheia de pensamento, cheia de densidade em tudo que diz e faz.
Nossa Senhora, Sede da Sabedoria, representa então a nós, como o exemplo da razoabilidade, o exemplo da ponderação, e exemplo da medida em tudo que se pensa e se diz.
No Magnificat não há uma palavra que sobre, não há um pensamento que não esteja colocado no lugar. É uma joia perfeita, em que cada pedra está colocada em seu lugar próprio para dar uma ideia do conjunto.
Aí temos o espírito de Nossa Senhora, tão diferente da bobeira dos sentimentalismos fátuos, dos entusiasmos vazios próprios da piedade superficial e boba. É um produto da razão. Não nasce de uma exacerbação do sentimento, nem de uma irrefletida postura de alma.
Ser devoto de Nossa Senhora
Dessa forma podemos compreender, de um modo descritivo, como Nossa Senhora é a Sede da Sabedoria. E também como ser autêntico devoto de Maria Santíssima: procurando ter essa sabedoria, essa ponderação, essa grande estruturação de pensamentos, conforme o nível intelectual de cada um. Mas esforçando-se fazer tudo razoavelmente, com a razão dominada pela Fé e com o sentimento em consonância com a razão. De maneira que o sentimento se exerce quando a razão manda, e cessa sua ação quando a razão se opõe.
Então, temos no Magnificat uma escola de vida espiritual na imitação de Nossa Senhora.
A propósito da Visitação é bom lembrar um outro ponto: quando Nossa Senhora falou, São João Batista, no seio de Santa Isabel, ouviu a Sua voz e estremeceu de gáudio. Igualmente, quanta alegria santa sentimos quando estremecemos diante das inspirações de Nossa Senhora em nossos corações!
Vamos pedir a Nossa Senhora que, ao par das provações que Ela nos dá, dê-nos também por ocasião de suas festas, uma dessas “palavras interiores” em que a gente exulta de gáudio e tem ânimo para carregar, por Ela, todas as cruzes até chegar o fim da vida.
 
À PROCURA DA PALAVRA

SANTÍSSIMA TRINDADE Ano B

"… ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei." Mt 28, 20

À maneira da Trindade

Haver um domingo chamado “da Santíssima Trindade” quase parece uma contradição, como se os outros não o fossem também. Mas é fundamental não esquecermos que acreditamos em Deus que é Um e Trino, que é comunhão de Pessoas, e é na sua intimidade que queremos viver. Assinalar neste domingo a Igreja Diocesana, como fazemos em Lisboa e em outras dioceses, é fazer da comunhão a opção fundamental de viver a fé e de estar no mundo como fermento e luz. E também como sal, pois a grande sensação é que vivemos sem sabor e sem descobrir o sabor daquilo que é importante.
Maravilho-me com a simplicidade das últimas palavras de Jesus quando enviou os discípulos pelo mundo. Mais do que um plano, um mandato: “Ide”; mais do que uma organização, um tesouro a comunicar: “a Boa Nova”; mais do que regras e leis, uma vida em transformação:; mais do a garantia de sucesso, a promessa da sua presença. Na espantosa criatividade de levar Jesus e ser levado por Ele, de “a propósito e a despropósito” deixar a boca falar da abundância do coração, a Igreja aprende na escola do Espírito Santo como chegar aos corações e à vida das pessoas. É a pastoral da proximidade, do gosto dos outros e de tudo o que lhes diz respeito, do encanto em descobrir como Deus habita o íntimo de cada um. Ultrapassando a atitude de quem se julga acima, mais puro ou mais santo, mais íntimo do sagrado ou mais dono da verdade, e descobrindo que Deus se fez próximo também para nos humanizar, para não aprisionarmos o pensamento nem o coração, para que as nossas palavras sejam vivas e não repetições vazias de fórmulas. Não precisam de andar juntas a fé e o amor?
Também de fé e amor fala o delicioso e discreto filme “A pesca do salmão no Iémen”. Não tem a fé também a ver com o que nos parece impossível? Como são importantes, no caminho da fé, a paciência, a humildade e a esperança com que o pescador se reveste! A coragem em nadar contra a corrente (que caracteriza a vida dos salmões) por causa de um amor verdadeiro, e até a descoberta da fronteira ténue entre o que engrandece Deus ou é arrogância humana, entrelaçam-se nesta história. A conclusão de que o maior dos sonhos precisa também de começar pelo pouco, pelo possível e pelo empenho de todos fez-me pensar no que é viver “à maneira da Trindade”: unindo a fé e o amor, a partir da realidade de cada um e do mundo concreto, com verdade e transparência.
Como podemos dizer no mundo que Deus enche de Graça a vida, se não vivemos “à sua maneira”? E como viver assim se não nos deixamos surpreender por Ele? E como pode ser Deus surpresa para nós se não gostamos nada de surpresas?

P. Vítor Gonçalves



À ESCUTA DA PALAVRA.

Trindade, Movimento de Amor! 

Um mais um igual a um! As matemáticas divinas não obedecem à nossa lógica! Para além da expressão um pouco técnico da palavra, a fé na Trindade é o coração absoluto do cristianismo. 
Está na concepção mais fundamental que temos de Deus. Quando São Mateus escreve: "Batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", utiliza uma antiga fórmula baptismal muito precisa. 
Trata-se de ser mergulhado, imerso num movimento, aquele que diz o próprio Nome de um Deus que é Pai, Filho e Espírito. São João diz também, no final do seu prólogo, que "o Filho único está no seio do Pai". Longe de ficar estático, "instalado", o Filho só encontra a verdade última do seu ser na medida em que está ligado ao Pai por um movimento de amor. Com efeito, a grande revelação que Cristo veio trazer, é que "Deus é Amor". O Ser de Deus é o Amor em estado puro, mais precisamente ainda, é amar. Deus nada pode fazer senão amar. Ora, o amor não existe se não for movimento, reciprocidade, dom e acolhimento. Deus, Aquele que Jesus chama "Abba", "papá", só pode existir como fonte de amor. Ele não se pode definir unicamente como o "Ser Supremo". 
O Pai é a fonte que Se dá, eternamente, gratuitamente. 
O Filho surge deste dom como a perfeita Imagem do Pai. Quanto ao Espírito, Ele é este mesmo Movimento de Amor que liga eternamente o Pai e o Filho. O Espírito é o "peso" que, brotando do Coração do Pai, O faz "abanar" no dom total de Si mesmo ao Filho. 
Isto só se pode aceitar na fé, proclamando um Deus que só é Amor e nada mais. 
É neste Movimento que são mergulhados os batizados. 
A vida dos cristãos não é uma realidade estática, nem simples conformidade aos mandamentos. É movimento de amor, aberto aos outros, no próprio movimento de amor que é Deus. "Assim como Eu vos amei, amai-vos uns aos outros".