Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

Para você entrar em nossos artigos click nas imagens nas laterais e encontrarás os lincks dos artigos postados.

Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Procurando sempre passar do Calvário para o Tabor!





Vamos caminhando no nosso grande retiro espiritual na Santa Quaresma, tempo de penitência e tempo de conversão.
Tempo da escuta da Palavra de Deus e dos seus desígnios para a nossa caminhada diária para que possamos voltar para a amizade com Deus. 

Deus não quer a morte do pecador, mas sim que esse pecador se converta e viva uma vida em abundância, dando testemunho do anúncio cristão.
A liturgia deste domingo é repleta do mistério de Deus: a sua transfiguração. Esta passagem bíblica tem um significado muito profundo, tendo em vista que São João Paulo II, na sua Carta Apostólica do Rosário da Santa Virgem Maria, incluiu como quarto mistério luminoso exatamente da perícope que hoje refletimos a Transfiguração do Senhor Jesus(cf. Mc. 9,2-10)

Mas, irmãos, o que vem a ser a Transfiguração? A Transfiguração é o momento em que Jesus revela sua glória diante de seus discípulos. Esse é o resumo do Evangelho deste segundo domingo da Santa Quaresma.

Na segunda metade de seu Evangelho de Marcos, ele fala que Jesus revela às suas testemunhas - e depois discípulos – o seu Mistério interior: sua missão do Servo Padecente e sua união com o Pai. O que foi confiado a Jesus pessoalmente, pelo Pai, na hora do Batismo, quando a voz da nuvem lhe revelou: “Tu és o meu filho muito amado, em quem eu pus minha afeição” (Mc 1,11). Agora é revelado aos discípulos: “Este é o meu filho amado, escutai-o”. Isso para demonstrar que os mistérios de Deus não podem ser reservados para poucos, mas devem ser comunicados e partilhados com muitos para a edificação do Reino de Deus que se inicia na nossa peregrinação por este mundo.

O Evangelho de hoje nos mostra quem é Aquele que nos veio salvar e em que nos haveremos de transformar, se superarmos as tentações da vida presente pela contínua conversão aos seus ensinamentos e sua pessoa: seremos transfigurados.
Jesus veio inaugurar um novo tempo. 

Deus nos apresenta o seu Filho Jesus, a nova Arca da Aliança, o novo templo de Deus, e recomenda com insistência: “Escutai-o!” Este era o dever dos apóstolos e o nosso hoje: escutar Jesus com mais atenção do que o povo de Israel escutou Moisés, que lhes transmitira a vontade de Deus. Apesar da morte, ele tem palavras de vida eterna.

Os caminhos de Deus ultrapassam as razões da inteligência humana; quanto mais, quando se trata da morte de quem, por definição, é imortal. Jesus não se transfigura para deslumbrar seus discípulos e seguidores e demonstrar-se superior a eles. 

Jesus tratou de um gesto para inspirar, criar e fundamentar a confiança de quem tinha razão para ter medo. Morte e vida não se contradizem, mas fazem parte de um processo natural e de um mistério de fé e esperança cristã. Jesus, Filho de Deus Altíssimo e destinado para ser rei eterno e universal, devia passar pelos escarros, pelas dores e pela morte. Por isso, o Monte Tabor e o Monte Calvário, postos hoje um perto do outro, nos ajudem a compreender que no mistério da dor há ricas e encantadoras sementes divinas.

O monte da Transfiguração é colocado hoje à luz do Monte Calvário. Não pelo formato geográfico, porque o Calvário não passa de uma pequena elevação, mas pelo seu significado simbólico dentro da história da salvação. 

O Calvário é marcado pelo sangue e pela dor, mas de seu chão brotam as raízes da vida eterna. O Tabor vem hoje envolto de luz e divindade, entretanto, profetizando um caminho de aniquilamento: cumprir a vontade do Pai até o extremo da renúncia e da morte. No Tabor ecoa a voz amorosa do Pai: “Este é meu filho muito amado, escutai-o”. 

No Calvário ouvimos a célebre frase da condição humana do Senhor: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
Aos olhos da fé, os dois montes se fundem, porque a crueza do Calvário revela a extrema misericórdia e o infinito amor de Deus.

A morte que Jesus anuncia como a sua, morte violenta, convida-nos a morrer diariamente para o pecado, a cada minuto, a cada instante, procurando sempre passar do Calvário para o Tabor, da desgraça para a luz, do pecado para a graça salvadora. Morrendo para o pecado estamos transfigurando para a vida eterna.

Padre Emílio Carlos Mancini

Depressão à luz da Bíblia

Como sair da depressão? 

O que a Bíblia diz sobre a depressão?

como sair da depressão

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Você sabe como sair da depressão sem remédios?

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Seria possível observar a depressão à luz da Bíblia Sagrada?

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Tire suas próprias conclusões:

A seguir você verá trechos selecionados do Eclesiástico, no Antigo Testamento das Sagradas Escrituras.

Eles podem realmente ajudar quem quer sair da depressão e sofre com este terrível mal.

Para facilitar a compreensão da depressão à luz da Bíblia, depois de cada trecho você encontrará uma breve explicação.

Vamos lá?

-> Eclesiástico 30, 22 – 23

“Não abandones a tua alma à tristeza…
… e não te aflijas a ti mesmo nos teus pensamentos.
O júbilo do coração é a vida do homem e um tesouro inexaurível de santidade…
A alegria do homem prolonga a sua vida”.

Neste trecho, é importante ressaltar a parte que diz “não abandones a tua alma à tristeza”.

Ou seja, é preciso lutar contra a tristeza para sair da depressão.

E também entrar em um verdadeiro combate interior contra os pensamentos negativos.

Pois o “júbilo do coração é a vida do homem”!

-> Eclesiástico 30, 24 – 25

“…recolhe o teu coração na santidade do mesmo Deus…
… E afugenta para longe de ti a tristeza.
Com efeito, a tristeza tem matado a muitos, e não há utilidade nela”.

Como sair da depressão?

É de suma importância voltar-se para Deus, não contemplar as coisas desta terra que são pura vaidade.

Mas fazer a vontade de Deus, que é o que traz verdadeira alegria à alma.

-> Eclesiástico 38, 19

“Porque a tristeza faz apressar a morte, tira o vigor…
… E a melancolia do coração faz descair a cabeça”.

A morte, referida aqui, é a morte da alma, a perda da graça de Deus…

A melancolia esfria a chama da fé, torna a pessoa tíbia para a oração, para os atos de piedade e caridade.

E por isso é tão perigosa para a alma.

São exatamente a Oração e a Doutrina de Cristo os maiores antídotos contra a tristeza.

Como sair da depressão?

É importante ler a Bíblia Sagrada.

-> Eclesiástico 38, 21 – 23

“Não entregues o teu coração à tristeza…
Mas lança-a fora de ti; lembra-te do teu fim.
Não te esqueças dele, porque não há retorno.
Em nada aproveitarás ao morto, e a ti mesmo farás um grave dano.
Lembra-te da minha sorte (te dirá o morto):
A tua será semelhante; ontem para mim, hoje para ti”.

É muito importante também lembrar-se sempre do fim a que todos estão destinados – a morte e a eternidade.

No fim, não haverá retorno e nem maneira de corrigir o ato de se ter vivido uma vida infeliz e afastada de Deus.

À todo momento precisa-se ter em mente o tipo de pessoa que se quer ser:

“Quero ser uma pessoa ressentida e triste, ou uma pessoa que vive para Deus e para a eternidade no Paraíso?”

Esta é uma forma de como sair da depressão.

 *  *  *

Existem muitíssimas outras passagens para saber como sair da depressão recorrendo à Bíblia.

Por isso, é muito recomendável que você crie o hábito de ler, todos os dias, ao menos um trechinho das Sagradas Escrituras.
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Isso só pode lhe fazer bem, e MUITO bem!

Olhos e coração de águia



"Não sou uma águia, dela tenho simplesmente os olhos e o coração, pois apesar de minha pequenez extrema, ouso fitar o Sol Divino [...] e meu coração sente em si todas as aspirações da águia".


Quando o Sol, ainda tímido, deita seus primeiros raios sobre as altas cordilheiras, o panorama vai adquirindo aos poucos uma luminosidade toda especial que faz coruscar como minúsculos diamantes o alvo manto de neve no cimo das montanhas mais elevadas. E à medida que a presença do Astro Rei ganha força, a neve se derrete levemente em alguns recantos da encosta, fazendo escorrer torrentes de água cristalina que rompem o silêncio da aurora com seu inconfundível e agradável murmúrio.

Entre os picos que se levantam sobranceiros, algo convida nosso espírito à contemplação e ao heroísmo. Trata-se de uma majestosa ave que, depois de se ter despertado junto com o nascer do Sol, cruza os ares com grandeza: a águia real. Sentindo-se inteiramente à vontade em tão espetacular cenário, ela voa com elegância, desafiando as alturas e parecendo estar no ar por puro prazer. Mas se a observarmos com mais cuidado, veremos que ela presta muita atenção no que acontece nos vales profundos e nas íngremes vertentes.

De repente, sua vista extremamente aguçada divisa uma presa que lhe reporá as energias. Investe, então, com uma velocidade vertiginosa – que pode passar até de 150 km/h – e a apanha certeira, com suas garras afiadas. Uma vez alimentada, fixa o Sol como se quisesse atingi-lo e outra vez fende os ares com audácia, em sua direção.

Contemplando-a levantar voo, ela nos dá ideia do que é a ousadia que não duvida nem toma precauções pequenas e mesquinhas. Sua forma de sulcar os céus evoca a beleza das almas que, no supremo heroísmo do desapegar-se das coisas da Terra, se abandonam nas mãos de Deus, dispostas a enfrentar todos os riscos desta vida, para contemplar eternamente a luz do Criador.

Tal é a Virgem Santíssima que, em sua humildade, voa como uma águia mística pelos céus inexcogitáveis do amor a Deus. E assim também são as almas que, reconhecendo sua debilidade para alcançar o Céu, podem dizer com Santa Teresinha: “Não sou uma águia, dela tenho simplesmente os olhos e o coração, pois apesar de minha pequenez extrema, ouso fitar o Sol Divino, o Sol do Amor, e meu coração sente em si todas as aspirações da águia…”.1 



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1 SANTA TERESA DE LISIEUX. Manuscrito B. O passarinho e a águia divina. In: Obras completas. São Paulo: Paulus, 2002, p.175. (Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2014, n. 152, p. 50-51)

Os frutos do recolhimento

Jesus não necessitava desta vida contemplativa como preparação para seu ministério. Contudo, ao assumir uma natureza como a nossa, tornou-Se nosso modelo e quis demonstrar, através de seus próprios atos, o imenso valor do recolhimento.

Para que um mestre desempenhe com propriedade o ofício de ensinar, um conferencista realize com sucesso sua exposição, ou ainda um sacerdote obtenha  excelentes frutos espirituais com suas homilias e retiros, é indispensável que haja antes um período de preparação e estudo que os proporcione  um conhecimento mais amplo a respeito daquilo que transmitirão,  podendo, assim, satisfazer a sede de conhecimento dos seus discípulos. Já afirmava São Pio X a respeito das aulas de catecismo as quais, mesmo em meio às inúmeras ocupações pontificais, fazia questão de ministrar: para uma hora de catecismo são necessárias duas horas de estudo.[1] 
E isto sendo a maior parte dos ouvintes crianças…



No campo humano isto se entende sem muita dificuldade visto que conhecemos as limitações de nossa natureza. Mas,  o Homem-Deus também teria necessidade desta preparação para poder exercer bem sua missão salvadora?
De dentro dos próprios relatos bíblicos, brota-nos a resposta: segundo a narração de São Lucas, Jesus começou a exercer o seu ministério somente por volta dos trinta anos de idade (Cf. Lc 3, 23). Antes disso, porém, viveu na humilde casa de Nazaré, crescendo em graça e santidade, apenas diante de Deus, Nossa Senhora, São José, e algumas almas privilegiadíssimas que, de vez em quando, se encontravam com a Sagrada Família nas estradas da Judéia.
Devido à sua natureza divina, Jesus não necessitava desta vida contemplativa como preparação para seu ministério. Contudo, ao assumir uma natureza como a nossa, tornou-Se nosso modelo e quis demonstrar, através de seus próprios atos, o imenso valor do recolhimento. É como uma arca em que se guarda aquilo que se pensou e que se sentiu, para, no momento oportuno, saber manifestar aos demais por meio de palavras e bons exemplos.
E isto se manifestou de maneira ainda mais enfática quando o Espírito O conduziu ao deserto, onde permaneceu quarenta dias e quarenta noites em oração e penitência, contemplando o grandioso e terrível panorama de sua missão salvadora e obtendo forças para beber o cálice de terríveis sofrimentos que o Pai lhe havia destinado.
 Se estes foram os sublimes exemplos deixados pelo próprio Deus, quanta lição devem deles tirar todos os que desejam que seu apostolado produza plenamente seus frutos!
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[1] SÃO PIO X apud CLÁ DIAS, João Scognamiglio. Subiremos ao Céu em virtude da Ascenção. 
O inédito sobre os Evangelhos. Comentários aos Evangelhos Dominicais. Advento, Natal, Quaresma e Páscoa – Ano B. Città del Vaticano – São Paulo: LEV; Lumen Sapientiae, 2014, Op.cit., v. III, p. 359.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

É Tempo Favoravél!

                                   “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho!” (Mc.1,5) 

1. Este é um apelo, cheio de atualidade e de significado, sobretudo para nossas comunidadesestas comunidades que iniciam, significativamente, a sua Quaresma, todo este «tempo privilegiado de peregrinação interior»  será, para nós, como que um caminho de regresso, às fontes da Palavra de Deus! 

Primeiro apelo: Arrependei-vos!

Em todo este tempo favorável, seremos convocados e provocados, em ordem a uma conversão da mente, do coração e da vida. E com quem nos havemos de confrontar nós, para fazermos um sério discernimento da própria vida? 

Obviamente, com a Palavra de Deus. Por isso, esta Palavra, será entronizada, no próximo Domingo, 1 º da Quaresma em que Jesus é tentado a desviar-se e  desviar-se de sua própria missão logo a Palavra que é o pão a nos alimentar deve sempre estar perto de nós e diante de nós, como um espelho (Tg.1,24), a apontar a figura do que somos e do que somos chamados a ser.

Segundo apelo: Acreditai no Evangelho! 

Donde vem a fé? 
A vem de ouvir a Palavra de Deus! (cf. Rom.10,17) 
E como hão de ouvi-la se não tiverem quem a anuncie? (Rom.10,15). 
De fato, a primeira e mais preciosa contribuição que a Igreja pode oferecer ao desenvolvimento do homem e dos povos é o anúncio da verdade de Cristo, da sua Palavra. 
A sua Palavra é a Verdade! 
Esta Palavra será semeada com abundância, ao longo deste tempo, nas vossas casas, na nossa casa. Centraremos então a nossa Quaresma, na Palavra de Deus, a qual, uma vez escutada com o coração gera a fé, constrói a comunhão e nos revela os caminhos da caridade e da missão! 

2. Que meios nos podem ajudar a valorizar, na prática, a Palavra de Deus? 

Na Tradição da Igreja apontam-se três atitudes fundamentais, que podem favorecer o primado da Palavra de Deus na nossa Vida. 

2.1. A Palavra escutada: Oração 

Antes de mais, a Palavra anunciada, precisa de ser escutada. Jesus falava-nos da Oração. 
Da Oração, feita não de muitas palavras, como a dos pagãos (cf. Mt.6,7), mas daquela Oração, que é, no fundo, escuta e resposta à Palavra de Deus. 
Se alguns encontros bíblicos se fazem na casa de cada um, isso significa que somos chamados, aí precisamente, no segredo do nosso quarto, a encontrar espaço para rezar ao Pai em segredo. 
E como nos fala o Pai em segredo? 
Responde-nos o Concílio: «Nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro dos seus filhos para conversar com eles» (Dei Verbum, 21). 
Em casa, na reunião da assembleia, nos encontros bíblicos, nos encontros do «Rezar com a Bíblia»,  podemos sempre escutar a Palavra de Deus. Fechai a porta do vosso quarto, não fecheis os vossos corações! 

2.2. A Palavra saboreada: o jejum

Em segundo lugar, o jejum. A relação entre o jejum e a Palavra é clara na advertência de Moisés ao Povo de Deus: «O Senhor te humilhou e fez passar fome; depois, alimentou-te com esse maná, que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te ensinar que nem só de pão vive o homem; mas de toda a Palavra que sai da boca do Senhor é que o homem viverá» (Deut.8,3). 
A prioridade, que queremos dar à Palavra, obrigar-nos-á, porventura, a silenciar muitas outras palavras, para as quais os nossos ouvidos estão bem mais dispostos e predispostos! 
É dessas «palavras», do ruído de outras vozes, com que as revistas, a rádio e sobretudo a televisão nos distraem, que precisamos agora de jejuar, para nos oferecermos ao Senhor, como um Povo bem disposto (Lc.1,17) faminto da Sua Palavra!

2.3. A Palavra vivida: a Caridade

Por último, a esmola ou a caridade. De fato, a Palavra de Deus, que escutamos, revela-nos o Amor de Deus e impele-nos sempre à Caridade para com o próximo. 
Pois «quem ama, cumpre toda a Lei» (Rom.3,8). Mas se a Palavra de Deus, nos conduz à Caridade, e nos fortalece no amor, também a Caridade, por sua vez, nos impele ao anúncio da Palavra de Deus. Devemos, anunciar esta Palavra aos outros, na consciência de que «a maior pobreza do homem e dos povos, é desconhecer Cristo» (Beata Teresa de Calcutá, cit. por Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2006). 

Ora “Quem desconhece as Escrituras ignora Cristo” (S. Jerônimo) e essa ignorância é verdadeiramente uma pobreza, que reclama a caridade do anúncio da Palavra. 

Como os Apóstolos Pedro e João (cf. Act.3,1-11), nós não temos a esmola, o ouro ou a prata, que sobra do bolso, para dar a quem pede, à porta do Templo. Mas `”em nome de Cristo”, damos a sua Palavra a comer! 
Pois “quem não dá Deus, dá demasiado pouco” (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2006). 

A nossa Caridade, nesta Quaresma, será sobretudo a mesa posta e proposta da Palavra de Deus!

Deserto” (midbar) “lugar solitário”





1. Batizado nas águas do Jordão, Jesus parte sozinho para o deserto, a fim de se preparar, para a bem dura prova da sua missão pública. Curiosamente, a palavra “deserto” (midbar), na língua hebraica, tanto pode significar “lugar solitário”, como traduzir esta afirmação: “Eu falo”. Nesse sentido, o deserto é, ao mesmo tempo, o lugar do silêncio e é o lugar da Palavra, que esse silêncio nos guarda! 

2. À semelhança de Jesus, também São Paulo, depois da conversão e do batismo, partiu para o deserto. Diz o Apóstolo: “quando aprouve a Deus revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma, nem subi a Jerusalém para ir ter com os que se tornaram Apóstolos antes de mim. Parti, sim, para (o deserto da Arábia e voltei outra vez a Damasco” (Gal.1,15-17). 


Assim, ao seu primeiro arrebatador e entusiástico início, seguir-se-ão, para São Paulo, os tempos de silêncio e provação. Não estranhamos: a resposta à vocação implica um distanciamento de muitas vozes e ruídos, uma verdadeira experiência de escuridão, dúvida e prova (cf. Act. 9,8-9; 22,11.13). Paulo não tem pressa em anunciar. Sente a necessidade de continuar a lavar-se por dentro, no deserto da Palavra. 

Nesta perspectiva, Paulo acompanha-nos no nosso caminho com Cristo, através do deserto. Ele serve-nos de guia espiritual, neste tempo forte, em que somos chamados a consultar Deus, a escutar a voz íntima, para nos convertemos a Ele, para participarmos da vida nova da ressurreição.

3. Frequentemos então este deserto, jejuando, como Jesus, para dar prioridade “a toda a Palavra que nos vem da boca de Deus” (Mt.4,4)! Devíamos criar este deserto, a partir do ambiente austero e silencioso das nossas famílias. Porque não, pais e filhos, combinarem um tempo de silêncio e Oração em comum, à custa de um jejum de TV ou de uns tempos de café? Isso obrigar-nos-á, porventura, a silenciar muitas outras palavras, para as quais os nossos ouvidos estão bem mais dispostos e predispostos! É dessas «palavras», do ruído de outras vozes, com que a rádio, a televisão, a Internet, a playstation, o mp 3/4, o telemóvel, nos distraem, que precisamos agora de jejuar, para nos oferecermos ao Senhor, como um Povo bem disposto faminto da Sua Palavra! 

 De certo modo, - e este desafio é sobretudo para os mais novos - é preciso desconectar-se um pouco das novas tecnologias da informação, diversão e comunicação, para se “conectar mais intimamente com Deus”. Como diz um antigo hino quaresmal, «usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e assim permaneçamos mais atentamente vigilantes». Tenhamos, por isso, um maior compromisso na Oração, na “Lectio Divina”, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação ativa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa Dominical. E por que não na missa diária?! As propostas de cada semana, destinam-se a consultar, a gravar, a viver e a rezar a Palavra, que ressoa no deserto das nossas vidas. 
 
4. Mas – insisto - não há deserto, sem experiência de jejum. E nós jejuamos, não apenas, para nos dominarmos, mas também para nos darmos aos outros. Usamos e gastamos menos, para podermos ser e dar mais. “Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente”. Tem particular atualidade, no atual contexto de crise social e econômica, este jejum, que eu definiria sobretudo por um estilo de vida mais sóbrio. 

Com tantas famílias em dificuldades, com o desemprego a deixar na miséria mesmo os mais remediados, impõe-se um jejum. É uma espécie de «greve de fome», um protesto solidário com os pobres, um grito silencioso contra a crise. De facto, o jejum – nas várias formas expressivas da sobriedade de vida e de consumo – aviva e reaviva em nós o amor, abre no nosso coração a fonte da partilha. Não faz barulho, mas dá frutos de justiça e de caridade. 

Então, que “a Quaresma seja valorizada, em cada família, para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma, abrindo-a ao amor de Deus e do próximo”. 

5. O que mais importa mesmo é chegar à Páscoa, de alma e coração lavados; já fomos lavados na água do Batismo; agora, com a crosta do tempo, teremos de ser lavados a seco! Para isso, vamos, com Cristo, como Paulo, ao deserto. Vamos a banhos de areia! E silêncio … que Deus está aqui tão perto!

1º Domingo da Quaresma - Ele foi tentado


«Logo depois, o Espírito o fez sair para o deserto. Lá, durante quarenta dias, foi posto à prova por Satanás»


Hoje, a Igreja celebra a liturgia do Primeiro Domingo de Quaresma - O Evangelho apresenta Jesus preparando-se para a vida pública.
Vai ao deserto onde passa quarenta dias fazendo oração e penitência.

O “deserto” para onde Jesus “vai” é, portanto, o “lugar” do encontro com Deus e do discernimento dos seus projetos; e é o “lugar” da prova, onde se é confrontado com a tentação de abandonar Deus e de seguir outros caminhos. Lá é tentado por Satanás.

A tentação pretende, portanto, induzir Jesus a enveredar por um caminho de poder, de autoridade, de violência, de messianismo político, frustrando os projetos de Deus que passavam por um messianismo marcado pelo amor incondicional, pelo serviço simples e humilde, pelo dom da vida.
Nós temos que prepararmos para a Páscoa. Satanás é nosso grande inimigo.
Há pessoas que não acreditam nele, dizem que é um produto de nossa imaginação, ou que é o mal em abstrato, diluído nas pessoas e no mundo. Não!

A Sagrada Escritura fala dele muitas vezes como de um ser espiritual e concreto.  É um anjo decaído. Jesus o define dizendo: «É mentiroso e pai da mentira» (J0 8, 44). 

São Pedro compara-o como um leão rugente : «Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé» (1 Pe 5,8). 

E Paulo VI ensina: «O demônio é o inimigo número um, é o tentador por excelência. Sabemos que este ser obscuro e perturbador existe realmente e que continua atuando».

Como? Mentindo, enganando. Onde há mentira ou engano, ali há ação diabólica.
Intrigas, discórdias, adversidades, fofoca corrupção, maldades, violência e rebeldia é ação do maligno atuando.

«A maior vitória do Demônio é fazer crer que não existe» 

E, como mente? Apresenta-nos ações perversas como se fossem boas, estimula-nos a fazer más obras; e, em terceiro lugar, sugere-nos razões para justificar os pecados. 

Depois de nos enganar, enche-nos de inquietude e de tristeza. Não tem experiência disso?

Nossa atitude ante a tentação? 

                          Antes: vigiar, rezar e evitar as ocasiões.
                          Durante: resistência direta ou indireta.
                          Depois: se tem vencido, dar graças a Deus. 

Se não tem vencido, pedir perdão e adquirir experiência.
Qual tem sido a sua atitude até agora? De conversão e de reafirmar sua opção e escolha por Deus?

“Converter-se” significa transformar a mentalidade e os comportamentos, assumir uma nova atitude de base, reformular os valores que orientam a própria vida. É reequacionar a vida, de modo a que Deus passe a estar no centro da existência do homem e ocupe sempre o primeiro lugar. Na perspectiva de Jesus, não é possível que esse mundo novo de amor e de paz se torne uma realidade, sem que o homem renuncie ao egoísmo, ao orgulho, à autosuficiência e passe a escutar, de novo, Deus e as suas propostas.

A Virgem Maria esmagou a cabeça da serpente infernal. Que Ela nos dê fortaleza para superar as tentações de cada dia.
  
Ser tentado não é pecar é oportunização para a construção de um homem novo, com uma nova mentalidade, com novos valores, com uma postura vital inteiramente nova. Então, sim teremos um mundo novo.