Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

Para você entrar em nossos artigos click nas imagens nas laterais e encontrarás os lincks dos artigos postados.

Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Estou sentindo o cheiro do Céu


Estou sentindo o cheiro do Céu. Mistério de Cruz que nos aproxima do Eterno. Dor que muda o curso da vida de quem toca. 
Morte que faz morrer um pouco de quem ama. Ressurreição que arrasta quem está a caminho. O grão que se transforma, a oferta que é aceita, a vida que é vertida, o princípio de um novo começo. 
A alegria que vem da paz dos corações eleitos, que experimentam em meio as tribulações o consolo como um Dom, tão sobrenatural quanto a Graça que se derrama. 
A porta do céu se alargou ainda mais, como um sorriso que surge fácil, com a espontaneidade de quem é feliz por dentro. 
O querer já é um só e nada mais faz sentido ao redor, apenas o Amor vivido, a saudade sentida, a Eternidade e a certeza de que o tempo passa rápido demais... Tantas coisas guardadas no coração, lembranças que até o fim lá estarão. Gratidão. 
Hoje o Céu ficou mais perto... deixou os olhos molhados, a alma dolorida, mas trouxe a esperança de que é logo. 
Em breve, um novo encontro, um novo abraço e um riso fácil. 
Estou sentindo o cheiro do Céu.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Atualmente, Aparecida, tornou-se o maior santuário mariano do mundo, nos jardins do Vaticano 

Uma estátua de Nossa Senhora de Aparecida (Brasil) foi inaugurada no sábado, 3 de setembro de 2016, nos jardins do Vaticano, em Roma, na presença do Papa Francisco. Esta é uma iniciativa promovida pelo arcebispo de Aparecida (Brasil) em consonância com a Embaixada do Brasil junto à Santa Sé. O monumento, feito de aço, com mais de quatro metros de altura, retrata o encontro da imagem por três pescadores nas águas do rio Paraíba do Sul, em 1717. Uma grande barca traz as silhuetas dos pescadores enaltecendo o primeiro milagre ─ após a aparição da imagem, a pescaria se tornou abundante. No centro do monumento, uma imagem de Nossa Senhora, de oito quilos, foi reproduzida em bronze dourado. Nossa Senhora Aparecida é a padroeira do país, e vai celebrar o seu tricentenário em 2017.

Quando da inauguração nos jardins do Vaticano, o Papa Francisco, demonstrando grande devoção à “Rainha do Brasil”, lembrou seu desejo de retornar a Aparecida: "Eu não sei se isso será possível, mas pelo menos, estou mais próximo dela aqui! Estou feliz porque a imagem de Nossa Senhora Aparecida está aqui nos Jardins.”

Agence I.Media
zenit.org



 O cristão já tem e é e vive no aqui e agora , no tempo para um dia entrar no tempo que não tem tempo – Eternidade.

 
É no momento da dor e da morte que somos provados de modo mais intenso em nossa fé e esperança. Assim, nesta Celebração da Esperança, bendizemos ao Pai porque experimentamos em nossa realidade este mistério da vida que passa pela morte e entramos em comunhão com tantas pessoas queridas que vivem agora a plenitude da vida que partilharam conosco, precedendo-nos no caminho da fé.

Nessa Eucaristia o Espírito Santo realize também em nós essa esperança de ressurreição e imortalidade, pela vivência diária de nossa fé, concretizada na caridade fraterna.
O Dia de Finados é comemorado desde o séculos XIII, como uma data reservada para as pessoas rezarem pelos seus parentes e amigos já falecidos no campo santo.
O Cristão não deve ter medo da morte, O importante é estar sempre preparado para o encontro definitivo com o Senhor. E preparar sempre a nossa vida não para bem morrer, mas para bem viver. A morte chega como um ladrão. Por isso é necessário estarmos sempre vigilante.

A melhor preparação para a morte é a nossa vida de união com Deus e com os irmãos. Rezar, participar da Santa Missa, frequentar os sacramentos, fazer o bem, ajudar os mais necessitados, perdoar sempre os que nos ofendem e procurar agradar a Deus em tudo. O futuro não é mais do que um desenvolvimento coerente com o que o cristão já tem e é e vive no aqui e agora , no tempo para um dia entrar no tempo que não tem tempo – Eternidade.

Queremos ver a Deus face a face na alegria do céu. Estejamos sempre bem vigilantes para ouvirmos o convite de Cristo naquele dia “Vinde, benditos de meu Pai, entrai na posse do Reino que vos está preparado desde o começo do mundo”. ( Mt. 25,31).
Por isso nos CREMOS NA COMUNHÃO DOS SANTOS! Por meio de nosso batismo, estamos em união com Cristo e com todos os que foram batizados. Por isso, a nossa oração pelos nossos irmãos falecidos significa também a nossa união com eles na fé e no amor. Comunhão dos santos – Igreja militante, padecente e Triunfante.

O sopro de Deus faz viver para além da morte. O fundamento da fé da Igreja é a ressurreição de Jesus Cristo. A celebração da memória de todos os fiéis defuntos é ocasião de suplicar a Deus a graça da fé na ressurreição de Cristo, condição para crermos na Páscoa eterna daqueles que já partiram deste mundo.
É por essa razão que, neste dia de finados, a Igreja nos oferece esse evangelho de João, que é uma catequese sobre a ressurreição. Nosso relato (Jo 11,1-45) é o sétimo e último sinal que Jesus realiza. Isso significa que ele é a plenitude dos sinais.

A morte questiona o sentido de nossa vida. Quando chegar a nossa hora, será que nossa fé fará com que não sintamos um pavor por termos de passar por uma experiência completamente nova e diferente de tudo o que conhecemos? É esse mistério humano que iluminamos com a fé, a partir da morte de Cristo, bem como de sua ressurreição.

Na morte, nos encontramos com Deus, e passamos pelo juízo particular. Cada um de nós, diante de Deus, percebe-se como realmente é e como viveu sua existência terrena. Nos julgamos ou somos julgados com os critérios de Deus: o amor e a justiça.

Alguém poderia perguntar: mas então para que serve rezar pelos mortos, se somos julgados por nossa vida, de acordo com o amor e a justiça de Deus? O que a Igreja deixa claro a respeito da oração pelos mortos é, sobretudo, isto: no mundo da fé, os limites ou fronteiras entre a morte e a vida são transitáveis ou permeáveis num dar e receber que abarca o céu e a terra.

Esta ligação ou comunhão se dá em Cristo: os que morreram (e estão no céu – santos – ou purificam-se no purgatório) estão em Cristo; nós pelo sacramento da Eucaristia, especialmente, também estamos em Cristo. Assim, a missa, esta grande comunhão entre o céu e a terra, media nossa oração pelos que já partiram.
Celebramos, assim, este dia, desde a morte e ressurreição do Senhor. Esta fé, guardada e transmitida pela Igreja, ilumina nossa vida, nossa experiência de morte e ressurreição, de pecado e de graça, de morte e de vida.
Cremos no Deus da vida, o único que pode purificar nossas vidas e levar-nos à assembleia dos santos. Por isso, repetimos, tem sentido a oração pelos defuntos: pomos a nossa confiança em Deus, para que ele dê aos falecidos o que lhes falta para alcançar a bem-aventurança. 
Confiança que, como povo, nos conduz para a eternidade.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Por que existe o Purgatório?
 
Será Deus tão rigoroso a ponto de não tolerar nem mesmo a menor imperfeição, limpando-a com penas severas? Esta pergunta facilmente pode nos vir à mente.
Em primeiro lugar, devemos nos lembrar desta verdade: depois de nossa morte, não seremos julgados segundo nossos próprios critérios, pois "o que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração" (1Sm 16, 7). Estaremos diante de um Juiz sumamente santo e perfeito, e em seu Reino "não entrará nada de profano" (Ap 21, 27). Com efeito, na presença de Deus, de sua Luz puríssima, a alma percebe em si mesma qualquer pequeno defeito, julgando- se, ela mesma, indigna de tal majestade e grandeza. Santa Catarina de Gênova, grande mística do século XV, deixou uma obra muito profunda sobre a realidade do Purgatório e do Inferno.
Explica ela o seguinte: "Digo mais: no concernente a Deus, vejo que o Paraíso não tem portas e ali pode entrar quem quiser, pois Deus é todo misericórdia e seus braços estão sempre abertos para nos receber na glória; mas a divina Essência é tão pura - infinitamente mais pura do que podemos imaginar - que a alma, vendo nela mesma a menor das imperfeições, prefere atirar-se em mil infernos a aparecer suja na presença da divina Majestade. Sabendo então que o Purgatório está criado para a purificar, ele mesma se joga nele e encontra ali grande misericórdia: a destruição de suas faltas".
Essas manchas, a serem purificadas na outra vida, o que são? São os restos de apego exagerado às criaturas, ou seja, as imperfeições, e os pecados veniais, bem como a dívida temporal dos pecados mortais já perdoados no Sacramento da Reconciliação. Tudo isso diminui na alma o amor de Deus.
Por causa dessas afeições desregradas se estabelece um estado de desordem em nosso interior, afastando- nos do Mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas. Essa é a causa pela qual, antes de permitir a uma alma subir até a glória celestial, "a justiça de Deus exige uma pena proporcional que restabeleça a ordem perturbada" (Suma Teológica, Supl. q. 71, a. 1) E a alma se sujeita ao castigo do Purgatório com alegria, em plena conformidade com a vontade do Senhor.
Nossa Senhora_almas-do-purgatorio_.jpg
 "Quem morrer com o Escapulário não padecerá o fogo do
inferno". Não obstante, para beneficiar-se deste
privilégio, é preciso usar o Escapulário com
reta intenção.
Seu único desejo é ver-se limpa, para poder configurar-se com Cristo. As almas nesse estado "purificam-se", diz São Francisco de Sales, "voluntariamente, amorosamente, porque assim Deus o quer" e "porque estão certas de sua salvação, com uma esperança inigualável".


A pena do Purgatório
As dores infligidas nesse local de purificação são "tão intensas que a menor pena do Purgatório ultrapassa a maior desta vida" (Suma Teológica, Supl., q. 71, a. 2). Mesmo assim, pondera São Francisco de Sales, "o Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, pois as chamas nele existentes são chamas de amor".
Mas como entender que esse terrível sofrimento seja transpassado de amor? Na verdade, o maior tormento das almas do Purgatório - a "pena de dano" - é causado precisamente pelo amor. Essa pena consiste no adiamento da visão de Deus. Criado para amar e ser amado, o homem, ao abandonar esta terra, descobre a inefável beleza da Luz Divina e deseja correr para Ela com todas as suas forças, como o cervo sedento corre em direção à fonte das águas. Contudo, vendo em si o defeito do pecado, fica privado temporariamente daquela presença tão pura. Afastada, assim, d'Aquele que é a suprema e única felicidade, a alma sente um padecimento incalculável.
Para nós, que ainda somos peregrinos neste vale de lágrimas, é difícil entender a imensidade dessa dor. Vivemos sem ver a Deus, embora n'Ele creiamos. Somos como cegos de nascimento, pois nunca vimos o Sol de Justiça, que é Deus; embora sintamos seu calor, não podemos fazer ideia de seu resplendor e grandeza.
Entretanto, as almas benditas do Purgatório, logo após terem abandonado o corpo inerte, discerniram a inefável e puríssima beleza de Deus, mas não podem possuí-la imediatamente. Santa Catarina de Gênova usa uma expressiva metáfora para explicar essa dor: "Suponhamos que, no mundo inteiro, exista apenas um pão para matar a fome de todas as criaturas, e que basta olhar para esse pão para ficarem satisfeitas. Por sua natureza, o homem saudável tem o instinto de se alimentar.
Imaginemos que ele seja capaz de se abster dos alimentos sem morrer, sem perder a força e a saúde, mas aumentando cada vez mais a fome. Ora, sabendo que só aquele pão pode saciá-lo e que não poderá matar sua fome enquanto não o alcançar, ele sofre sacrifícios insuportáveis, os quais serão tanto maiores quanto mais longe ele estiver do pão".
Apesar de tudo, as almas do Purgatório têm a certeza de que um dia poderão se saciar de modo pleno com esse Pão da Vida, que é Jesus, nosso amor. E por isso seu sofrimento é em tudo diferente do tormento dos condenados ao Inferno, os quais nunca poderão se aproximar da Mesa do Reino dos Céus. Esperança e desespero, eis a diferença fundamental entre esses dois lugares.

Disposição das almas no Purgatório
Por isso, há nas almas do Purgatório um matiz de alegria no meio da dor. De forma brilhante, explica- o o Papa João Paulo II, na alocução de 3 de julho de 1991: "Mesmo que a alma tenha de sujeitar-se, naquela passagem para o Céu, à purificação das últimas escórias, mediante o Purgatório, ela já está cheia de luz, de certeza, de alegria, pois sabe que pertence para sempre ao seu Deus".
E Santa Catarina de Gênova afirma: "Estou certa de que em nenhum outro lugar, excetuando o Céu, o espírito pode achar uma paz semelhante à das almas do Purgatório". Isso ocorre porque a alma se fixa na disposição em que se encontra na hora da morte, ou seja, contra ou a favor de Deus, pois a liberdade humana termina com a morte. E tendo falecido na amizade de Deus, a alma do Purgatório se adapta com docilidade à sua santa vontade. Daí conservar a paz em meio a terríveis sofrimentos.
Dos lábios do suavíssimo São Francisco de Sales ouvimos dizer que "entre o último suspiro e a eternidade, há um abismo de misericórdia". Todos acham melhor fazer um esforço para evitá-lo. Outros, porém, sem se oporem aos anteriores, enfrentam o problema com uma ousada confiança no amor misericordioso do Senhor.
Santa Teresa de Jesus, por exemplo, diz com veemência: "Esforcemo- nos, fazendo penitência nesta vida. Como será suave a morte de quem a tiver feito por todos os seus pecados, e assim não precisar ir para o Purgatório!" Já sua discípula, Santa Teresinha do Menino Jesus, formula de modo surpreendente sua atitude, se nele caísse: "Se eu for para o Purgatório, ficarei muito contente; farei como os três hebreus na fornalha, caminharei entre as chamas cantando o cântico do amor".
Uma atitude não contradiz a outra, mas ambas se completam, e, mesmo se tivermos de passar por esse lugar tão doloroso, tenhamos uma confiança sem limites na bondade divina.
Purgatorio.jpg
 "Mesmo que a alma tenha de sujeitar-se, naquela
passagem para o Céu, à purificação das últimas
escórias, mediante o Purgatório, ela já está
cheia de luz, de certeza, de alegria, pois
sabe que pertence para  sempre ao
seu Deus". (Beato João Paulo II)
De qualquer modo, a Santa Igreja coloca maternalmente à nossa disposição as indulgências, para nos poupar das penas do Purgatório. Mas este tema pode ficar para outro artigo.

Ajudemos as almas benditas
Não devemos pensar só no nosso destino pessoal, mas também nos perguntarmos como podemos ajudar aquelas almas que já estão à espera da libertação. Elas não podem fazer nada por si, pois estão impossibilitadas de alcançar méritos, e dependem de nós. Interceder por elas é uma belíssima e valiosa obra de misericórdia: de certo modo, não há ninguém mais carente do que elas. O costume de rezar pelas almas dos falecidos vem do Antigo Testamento.
Também diversos Padres da Igreja promoveram essa prática, como São Cirilo de Jerusalém, São Gregório de Nissa, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. No século XIII, o Concílio de Lyon ensinava: "As almas são beneficiadas pelos sufrágios dos fiéis vivos, quer dizer, o sacrifício da Missa, as orações, esmolas e outras obras de piedade, as quais, segundo as leis da Igreja, os fiéis estão acostumados a oferecer uns pelos outros".
Como é bela a devoção às benditas almas do Purgatório! É agradável a Deus e nos beneficia também, levando-nos à verdadeira dimensão cristã da existência, fazendo-nos viver em contato e comunhão com o sobrenatural, e com o futuro, no sentido mais pleno da palavra. Como essas pobres almas nos ficarão agradecidas ao receber nosso auxílio! Poderão ser nossos parentes, ou até mesmo nossos pais. Poderá ser alguém que não conhecemos, e que nos dará uma afetuosa acolhida na eternidade. No Céu, e enquanto ainda estiverem no Purgatório, elas rezarão por nós, com todo o empenho, pois Deus lhes dá essa possibilidade.
Concluindo, gostaria de fazer ao prezado leitor uma proposta: reze por essas almas necessitadas, ofereça- lhes Missas, dê esmolas por elas, faça sacrifícios e consiga que outras pessoas se tornem devotas fervorosas das almas benditas. Sabe quem será o maior beneficiado? Você mesmo!
Que local misterioso é esse  ?

Que local misterioso é esse entre a terra e o Céu, cujos "habitantes" pedem veementemente
nossa ajuda e também podem nos beneficiar?

 
 Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para não suceder que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo" (Mt 5, 25-26).
Jesus estava falando aos Apóstolos a respeito das punições que esperam os pecadores após a morte. Antes se referira ao fogo da geena - o Inferno -, uma prisão perpétua, eterna. Mas aqui Ele fala de um cárcere do qual se poderá sair, desde que seja pago o débito, até o último centavo.
Purgatorio_Almas.jpg
 Igreja de São Pedro - Sevilha - Espanha
Essa prisão temporária, um estado de purificação para os que morrem cristãmente sem terem atingido a perfeição, é o Purgatório. Lugar misterioso, mas onde reina a esperança e os gemidos de dor são entremeados por cânticos de amor a Deus.
Caro leitor, eis um assunto do qual se fala pouco, mas cujo conhecimento é vital para nós e para nossos entes queridos que já partiram desta vida. Convido-o a repassar comigo diversos aspectos desse importante tema.

A  festa de Finados
No dia 2 de novembro, a sagrada Liturgia se lembra de modo especial dos fiéis defuntos. Depois de ter celebrado - no dia anterior, festa de Todos os Santos - os triunfos de seus filhos que já alcançaram a glória do Céu, a Igreja dirige seu maternal desvelo para aqueles que sofrem no Purgatório e clamam com o salmista: "Tirai-me desta prisão, para que possa agradecer ao vosso nome. Os justos virão rodear-me, quando me tiverdes feito este benefício" (Sl 141, 8).
A gênese dessa celebração está na famosa abadia de Cluny, quando seu quinto Abade, Santo Odilon, instituiu no calendário litúrgico cluniacense a "Festa dos Mortos", dando especial oportunidade a seus monges de interceder pelos defuntos, ajudando-os a alcançarem a bemaventurança do Céu.
A partir de Cluny, essa comemoração foi-se estendendo entre os fiéis até ser incluída no Calendário Litúrgico da Igreja, tornando- se uma devoção habitual, em todo o mundo católico.
Talvez o leitor, como milhares de outros fiéis, tenha o costume de visitar o cemitério nesse dia, para recordar os familiares e amigos falecidos, e por eles orar. Muitos cristãos, porém, não prestam ouvidos aos apelos de seu coração, que os move a sentir saudades de seus entes queridos e a aliviálos com uma prece. Talvez por falta de cultura religiosa, ou por falta de alguém que as incentive ou oriente, muitas pessoas nem vêem a necessidade de rezar pelas almas dos falecidos. A inúmeras outras, a existência do Purgatório causa estranheza e antipatia.
Seja como for, tanto por amor às almas que esperam ver-se livres de suas manchas para entrarem no Paraíso, quanto para estimular em nós a caridade para com esses irmãos necessitados, como também para nosso próprio proveito, vejamos o "porquê" e o "para quê" da existência do Purgatório.

Purificação necessária para entrar no Céu
Sabemos que a Igreja Católica é una. É o que rezamos no Credo. Entretanto, os membros da Igreja não estão todos aqui, entre nós, mas em lugares diversos, como diz o Concílio Vaticano II. Alguns "peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados" (Lumen Gentium, 49).
Entre a terra e o Céu não é raro acontecer, no itinerário da alma fiel, um estágio intermediário de purificação. Segundo nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, por aí passam "os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão perfeitamente purificados".
O Purgatorio.jpg
 As almas nesse estado "purificam-se", diz São Francisco
de Sales, "voluntariamente, amorosamente, porque
assim Deus o quer"  e " porque estão certas de 
sua salvação, com  uma esperança
inigualável".
Por isso "passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu" (nº 1030). Esse estado de purificação nada tem a ver com o castigo dos condenados ao Inferno, pois as almas do Purgatório têm a certeza de haver conquistado o Céu, mesmo que sua entrada ali tenha sido adiada por causa de seus resíduos de pecado.
A primeira epístola aos Coríntios faz referência ao exame a que serão submetidos os cristãos, os quais, havendo recebido a Fé, devem continuar em si a obra de sua santificação. Cada um será examinado no respeitante ao grau de perfeição que atingiu: "Se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá.
O dia (do julgamento) demonstrá- lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo" (1Cor 3, 12-15). "Ele será salvo", diz o Apóstolo, excluindo o fogo do Inferno, no qual ninguém pode ser salvo, e se referindo ao fogo temporário do Purgatório.
Comentando este e outros trechos da Sagrada Escritura, a Tradição da Igreja nos fala do fogo destinado a limpar a alma, como explica São Gregório Magno em seus Diálogos: "Com relação a certas faltas leves, é necessário crer que, antes do Juízo, existe um fogo purificador, como afirma Aquele que é a Verdade, ao dizer que, se alguém pronunciou uma blasfêmia contra o Espírito Santo, essa pessoa não será perdoada nem neste século nem no futuro (Mt 12, 31). Por essa frase, podemos entender que algumas faltas podem ser perdoadas neste século, mas outras no século futuro".

Que bela festa! É como se Todos os Santos e Finados fosse uma só festa. Dum lado,
a Igreja militante, sobre a terra, roga à Igreja triunfante do céu, e doutro
lado, roga pela Igreja sofredora e paciente do purgatório. E as três
Igrejas  são uma única Igreja.




“A caridade, mais forte do que a morte, uniu-as do céu à terra, e da terra ao purgatório, e é pelo mesmo sacrifício que nósPurgatorio..jpgagradecemos a Deus, a glória com a qual cumula os santos do céu, e imploramos a misericórdia para os santos do purgatório, santos ainda não perfeitos.
A Igreja triunfante do céu, a Igreja militante da terra e a Igreja sofredora do purgatório, paciente, nada mais são que uma só emesma Igreja; que a caridade, mais forte que a morte as uniu do céu à terra, e da terra ao purgatório. São como três partes duma só e mesma procissão de santos, procissão que avança da terra ao céu.
As almas do purgatório participarão daquela procissão um dia. Sim, porque ainda não tem, bem brancas, as vestimentas de festa, a roupa nupcial ainda guarda nódoas, aquelas nódoas que somente o sofrimento limpa.
Então, como os contemporâneos de Noé, aqueles que não fizeram penitência senão no momento do dilúvio foram encerrados em prisões subterrâneas, até que Jesus Cristo lhes aparecesse, anunciando-lhes a libertação, quando de sua descida aos infernos.
Como os fiéis da Igreja triunfante, os fiéis da Igreja militante e os fiéis da Igreja sofredora e paciente, são membros dum mesmo corpo - que é Jesus Cristo - e tanto uns como outros participam, interessam-se, condoem-se da glória, dos perigos, dos sofrimentos duns e doutros, tal qual os membros do corpo humano. Vejamos um exemplo: o pé está em perigo de saúde ou sofre dores: todos os membros do corpo jazem em comoção. Os olhos olham-no, as mãos protegem-nos, a voz chama por socorro, para afastar o mal ou o perigo. Uma vez afastado o mal, regozijam-se todos os membros. É o que acontece com o corpo vivo da Igreja universal. E vemos os heróis da Igreja militante, os ilustres Macabeus, assistidos pelos anjos e santos de Deus, especialmente pelo grande sacerdote Onias e pelo profeta Jeremias, rogar e oferecer sacrifícios por esses irmãos que estavam mortos pela causa de Deus, mas culpados desta ou daquela falta.
No dia seguinte, depois duma vitória, Judas Macabeu e os seus surgiram para retirar os mortos e depositá-los no sepulcro dos antepassados e encontraram sobre as túnicas dos que estavam mortos coisas que haviam sido consagradas aos ídolos de Jamnia, que a lei proibia aos judeus tocar. Foi, pois, manifesto a todos que era por isso que haviam sido mortos. E todos louvaram o justo julgamento do Eterno, que descobre o que está escondido, e suplicaram-lhe que fosse esquecido o pecado cometido.
Judas exortou o povo a que se preservasse do pecado, tendo diante dos olhos o que viera pelo pecado dos que haviam sucumbido. E, depois de ter feito uma coleta, enviou a Jerusalém duas mil dracmas de prata, para que fosse oferecido um sacrifício pelo pecado dos mortos, agindo muito bem, pensando que estava na ressurreição. Porque se não tivesse esperança de que os que vinham de sucumbir ressuscitassem um dia, seria supérfluo e tolo rogar pelos mortos.
Judas, porém, considerava que uma grande misericórdia estava reservada aos que estão adormecidos na piedade. Santo e piedoso pensamento! Foi por isso que ofereceu um sacrifício de expiação pelos defuntos, para que fossem livres dos pecados. Tais são as palavras e reflexões da Escritura santa, segundo o texto grego, e as mesmas, mais ou menos, no latino.
Nosso Senhor mesmo adverte, bastante claramente, que há um purgatório, quando nos recomenda em São Mateus e São Lucas: "Conciliai-Vos com vossos inimigos (a lei de Deus e a consciência) enquanto estais em caminho para irdes ao príncipe, não seja que este inimigo vos entregue ao juiz, o juiz ao executor, e que sejais metido numa prisão. Em verdade vos digo, dela não saireis, enquanto não pagardes o último óbolo."
Segundo essas palavras, está bem claro que há uma prisão de Deus, onde se é arrojado por dívidas paraa com sua justiça, e donde não se sai - senão quando tudo estiver pago.
Nosso Senhor, em São Mateus, disse-nos ainda: "Todo pecado e blasfêmia será perdoado aos homens, porém, a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada, nem neste século nem no futuro". Onde se vê que os outros pecados podem ser perdoados neste século e no futuro, como o livro dos Macabeus diz expressamente dos pecados daqueles que estavam mortos pela causa de Deus.
Do mesmo modo, no sacrifício da missa, a santa Igreja de Deus lembra os santos que com Ele reinam no céu, a fim de lhes agradecer pela glória e nos recomendar à sua intercessão. Doutro lado, suplica a Deus que se lembre dos servidores e servidoras que nos precederam no outro mundo com a chancela da fé, dignando-se conceder-lhes a estadia no refrigério na luz e na paz.
Nossa Senhora do Purgatorio - Igreja de Sta Brigida - Montreal.jpg
 Maria, Mãe de Misericórdia, intercede por aquelas
almas, que estão à espera da liberação


Nossa Senhora do Purgatório , Igreja de
Sta. Brígida, Montreal
A crença do purgatório e a oração pelos mortos acham-se em todos os doutores da Igreja, bem como nos atos dos mártires, notadamente nos atos de São Perpétuo, escritos por ele mesmo.
Todos os santos rogaram pelos mortos. Santo Odilon, abade de Cluny, no século XI, tinha um zelo particular pelo que dizia respeito ao refrigério das almas do purgatório. Foi movido pela compaixão, pensando no sofrimento das almas do purgatório que, adiantando-se à Igreja, ordenou se rogasse pelas almas, tendo, destinado para isso um dia especial. Eis como Santo Odilon animou tal instituição, começando pelas terras que lhes estavam afetas ao sacerdócio. (...)
Quanto ao purgatório, nada de certo se sabe. Eis porém, o que se lê nas revelações de Santa Francisca de Roma, revelações que a Igreja autoriza a crer, sem, entretanto, a elas nos obrigar.
Numa visão, a santa foi conduzida do inferno ao purgatório, que, igualmente está dividido em três zonas ou esferas, uma sobre a outra. Ao entrar, Santa Francisca leu esta inscrição:
Aqui é o purgatório, lugar de esperança, onde se faz um intervalo. A zona inferior é toda de fogo, diferente do inferno, que é negro e tenebroso. Este do purgatório tem chamas grandes, muito grandes e vermelhas. E as almas. Ali, são iluminadas, interiormente, pela graça. Porque conhecem a verdade, assim como a determinação do tempo. Aqueles que tem pecado grave são enviados a este fogo pelos anjos, e aí ficam conforme a qualidade dos pecados que cometeram.
A santa dizia que, por cada pecado mortal não expiado, naquele fogo ficaria a alma por sete anos. Embora nessa zona ou esfera inferior as chamas do fogo envolvam todas as almas, atormentam, todavia, umas mais que as outras, segundo sejam mais graves ou mais leves os pecados.
Fora esse lugar do purgatório, à esquerda, ficam os demônios que fizeram com que aquelas almas cometessem os pecados que agora expiam. Censuram-nas, mas não lhes infligem quaisquer outros tormentos.
Pobres almas! Fá-las sofrer mais, muito mais, a visão desses demônios do que o próprio fogo que as envolve. E, com tal sofrimento, gritam e choram, sem que, neste mundo, consiga alguém fazer uma idéia. Fazem-no, contudo, humildemente, porque sabem que o merecem, que a justiça divina está com a razão. São gritos como que afetuosos, e que lhes trazem certa consolação. Não que sejam afastadas do fogo. Não, a misericórdia de Deus, tocada por aquela resignação, das almas sofredoras, lança-lhes um olhar favorável, olhar que lhes alivia o sofrimento e lhes deixa entrever a glória da bem-aventurança, para onde passarão.
Santa Francisca Romana viu um anjo glorioso conduzir aquele lugar a alma que lhe havia sido confiada, à guarda, e esperar do lado de fora, à direita. É que os sufrágios e as boas obras que os parentes, os amigos, ou quem quer que seja, lhes fazem especialmente por intenção da alma, movidos pela caridade, são apresentados, pelos anjos da guarda, à divina majestade. E os anjos, comunicando às almas o que por elas fazemos nós, aliviam-nas, alegram e confortam. Os sufrágios e as boas obras que fazem os amigos, por caridade, especialmente pelos amigos do purgatório, aproveita principalmente a quem os faz, por causa da caridade. E ganham as almas e ganhamos nós.
As orações, os sufrágios e as esmolas feitos caridosamente pelas almas que já estão na glória, e que já não necessitam, revertem às almas ainda necessitadas, aproveitando a nós também. E os sufrágios que se fazem às almas que jazem no inferno? Não os aproveita nem uma nem outra - nem as do inferno, nem as do purgatório, mas unicamente a quem os faz.
A zona ou região média do purgatório está dividida em três partes: a primeira, cheia duma neve excessivamente fria; a segunda, de pez fundido, misturado a azeite em ebulição; a terceira, de certos metais fundidos, como ouro e prata, transparentes. Trinta e oito anjos aí recebem as almas que não cometeram pecados tão graves que mereçam a região inferior. Recebem-nas e transportam-nas dum lugar a outro com grande caridade: não lhe são os anjos da guarda, mas outros que, para tal, foram obrigados pela divina misericórdia.
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 Santa Francisca Romana
Santa Francisca nada disse, ou não a autorizou a dizê-lo o superior, sobre a mais elevada região do purgatório.
Nos céus, os anjos fiéis tem sua hierarquia: três ordens e nove coros. As almas santas, que sobem da terra, ficam nos coros e nas ordens que Deus lhes indica, segundo os méritos. É uma festa para toda a milícia celeste, mais particularmente para o coro onde a alma santa deverá regozijar-se eternamente em Deus.
O que Santa Francisca viu na bondade de Deus a deixou profundamente impressionada, sem que pudesse falar da alegria que lhe ia no coração. Frequentemente, nos dias de festa, sobretudo depois da comunhão, quando meditava sobre o mistério do dia, o espírito, arrebatado ao céu, via o mesmo mistério celebrado pelos anjos e pelos santos.
Todas as visões que tinha, submetia-as Santa Francisca de Roma à Mãe, Santa Igreja. E, pela mesma mãe, a Igreja, foi Francisca canonizada, sem que nada de repreensível se achasse nas visões que tivera.
Nós, pois, vos saudamos, ó almas que vos purificais nas chamas do purgatório. Compartilhamos as vossas dores, os sofrimentos, principalmente daquela dor imensa e torturante de não poderdes ver a Deus. Ai de nós! Sem dúvida que há entre vós parentes nossos e amigos: sofrerão, talvez por nossa culpa. Quem dirá que não lhes demos, nesta ou naquela ocasião, motivos de pecar? Falta-lhes pouco tempo para que se tornem inteiramente puras. Que nos acontecerá, a nós que tão pouco velamos por nós mesmos? Almas santas e sofredoras, que Deus nos livre de vos esquecer jamais!
Todos os dias, à missa e às orações, lembrar-nos-emos de vós todas. Lembrai-vos, pois, também de nós. Lembrai-vos, principalmente, quando estiverdes no céu. Como lá vos desejamos ver! Como no céu desejamos ver-nos convosco! Assim seja.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

As virtudes - a Fé

AS VIRTUDES 
                        A Fé é como uma raiz da qual nascem todas as demais virtudes.
 
A Santa Madre Igreja nos ensina muitas coisas para nossa salvação é por isso que devemos receber como meios de alcançar a vida eterna. 
Agora precisamos aprender como devemos agir. Já que Deus nos deu tantas coisas boas, é normal que procuremos viver dentro de Sua Lei, praticando o bem, amando a Deus e ao próximo. Para nos ajudar a bem agir, Deus nos dá uma grande ajuda, soprando dentro de nossas almas as Virtudes e os Dons do Espírito Santo.
[A natureza humana é dotada de forças habituais, enraizadas, muitas vezes adquiridas pela repetição constante dos atos correspondentes. Essas forças são chamadas habitus. Os habitus podem ser bons ou maus. Habitus bom, chama-se virtude. Habitus mau chama-se vício. Estamos, aqui, falando da natureza, forças comuns a todos os homens, virtudes naturais. Quando, porém, é o próprio Deus quem sopra em nossas almas essas virtudes, elas já não vem da natureza  e já não são comuns a todos os homens. Elas passam a se chamar virtudes sobrenaturais ou infusas, por ter em Deus sua fonte e por ter a Deus por referência, quando praticamos os seus atos. Assim, uma pessoa pode ser boa por virtude natural de bondade. Esta virtude lhe trará o reconhecimento e o aplauso dos homens, mas não terá nenhum vínculo direto com sua salvação eterna. Quando, pela graça santificante, a virtude é sobrenatural, além do aplauso dos homens, ela terá o aplauso de Deus e lhe servirá para a vida eterna. Essa distinção entre ordem natural e ordem sobrenatural é muito importante.]
As virtudes são, então, como que uma força habitual, que não desaparece com facilidade, que nos leva a viver retamente, praticando o bem e evitando o mal. Elas sempre acompanham a graça santificante. Nós recebemos as virtudes pela primeira vez na hora do Batismo. Depois, quando pecamos gravemente, perdemos todas aquelas jóias de Deus. Mas a Confissão, devolvendo a graça, devolve também as virtudes que tínhamos perdido pelo pecado.
 
Quando nós não praticamos atos de virtude, acabamos adquirindo na alma uma força má, que é o contrário da virtude. Esta força má chama-se vício. Os vícios também são muito difíceis de desaparecer da alma. Por isso é preciso muito esforço para não deixar eles entrarem na nossa alma, pois nos levam ao pecado.
 
Como nós veremos adiante, existem virtudes que nos levam a conhecer e amar a Deus - são as virtudes teologais, a , a Esperança e a Caridade.
 
Mas também existem muitas outras virtudes que nos levam a agir corretamente em tudo o que fazemos. São as virtudes cardeais: Prudência, Justiça, Força e Temperança.
 
Cada uma dessas sete virtudes, três teologais e quatro cardeais, traz consigo outras virtudes.Por exemplo: praticando atos da virtude de Força, poderemos também agir com Coragem. Já a virtude de Temperança nos ajuda a praticar a Castidade ou ainda a Humildade. E assim por diante. Vamos estudar uma série dessas virtudes, o que nos ajudará a conhecer melhor o fundo de nossas almas, para seguir sempre o caminho do amor de Deus.
 
As Virtudes Teologais 
 
As Virtudes Teologais, como o nome indica, são as virtudes que nos fazem agir bem em relação a Deus. Elas são essencialmente sobrenaturais, pois, além de serem dons divinos, elas se dirigem a Deus nos seus atos. E isso deve nos levar a agradecer muito a Deus. Além de nos ajudar a praticar os atos de virtude necessários para o nosso dia a dia, Nosso Senhor nos infunde na alma virtudes tão especiais que nos levam à sua intimidade, nos devolve a imagem e semelhança divinas que perdemos pelo pecado. Vamos ver como isso se realiza.
 
A Virtude da Fé
 
Nosso Pai Celeste revelou-nos os seus segredos divinos. Tudo o que Ele diz é verdade, pois Ele é a Verdade Eterna; Deus não pode nem se enganar nem nos enganar. Por isso devemos aceitar como verdade tudo aquilo que Deus nos revelou, sabendo com segurança que tudo é verdade, e edificar nossas vidas sobre esta base: Devemos crer em Deus.
 
Deus se revelou no Antigo Testamento pelos profetas. Mas, principalmente, Deus se revelou por seu próprio Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Somente quem conhece Jesus conhece também o Pai. Por isso devemos ouvir a palavra de Jesus Cristo, que é o Evangelho, e nas nossas orações sempre meditar e pensar na sua vida, paixão, morte e ressurreição. Foi a Santa Igreja Católica que recebeu de Deus autoridade para nos ensinar tudo aquilo que Deus nos revelou. Devemos obedecer à Igreja, seguir seus mandamentos, suas regras de vida e acreditar em tudo o que ela nos manda crer.
 
Não podemos crer, ou seja, praticar atos de Fé, sem a graça de Deus.  Por isso, devemos sempre pedir a graça santificante. No Batismo, o Divino Espírito Santo nos deu o dom da Fé.  A Fé é como os olhos da alma, com os quais podemos perceber, desde já, os mistérios divinos que contemplaremos face a face no céu.
 
A vida de Fé
 
Não podemos viver sempre na infância. Assim como crescemos e devemos aprender as coisas de gente grande, assim também devemos crescer na Fé e no conhecimento de Deus.  Para isso devemos estudar a santa doutrina, no catecismo, e nas leituras, conferências, ouvindo atentamente o sermão do padre. Não esqueçam que vivemos numa época em que as pessoas se acham capazes de ler qualquer coisa que lhes aparece. E vão trazendo o mal da dúvida para seus corações. Quando o padre dizia: não leia tal livro, ele sabia que a salvação eterna daquelas almas estava em perigo. E não basta crer no íntimo do coração. Devemos também professar a nossa Fé publicamente. Nunca devemos negar a Fé em Deus. Eis o que Jesus disse sobre isso: «Aquele que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, a este negarei eu também diante de meu Pai».
 
Os Pecados contra a Fé

 
Pecamos contra a Fé quando deixamos ela de lado, esquecendo das coisas de Deus, ou quando a colocamos em perigo. Por exemplo:
 
quem raramente ou nunca vai a Missa; quem não estuda o Catecismo; quem lê livros que ensinam coisas erradas sobre Deus e sua Igreja;
 
peca contra a Fé, principalmente, quem admite dúvidas contra aquilo que aprendemos da Santa Igreja Católica; hoje é comum ouvir: eu sou católico, mas não acredito nesse ponto ou naquele. Há muitos que não acreditam em Adão e Eva, que não acreditam no inferno, ou no demônio. Outros não crêem mais na Presença Real de Jesus na Hóstia consagrada. Eles escolhem do dogma católico o que lhes convém. É esse  o sentido da palavra heresia: escolher, separar  por opiniões próprias. O pecado mais grave contra a Fé comete quem a renega, abandonando a Igreja Católica, passando para falsas religiões.
 
Quem possui a virtude da Fé?
 
A virtude da Fé é própria dos viajantes e peregrinos. Assim são chamados os que ainda vivem neste mundo, onde temos por obrigação trabalhar para alcançar a Pátria verdadeira, no Céu. A Fé, sendo um conhecimento obscuro de Deus, nos faz conhecer com um véu impedindo a visão total. No céu, a visão será face a face, não haverá mais véu. A visão substitui a Fé. Os santos do Paraíso não precisam mais da Fé, pois vêem a Deus tão bem quanto Ele nos vê.
 
Mas aqueles que escolhem alguns pontos do Depósito Sagrado e rechaçam outros não têm mais fé, deixam de ser católicos. Isso é muito sério e se explica: o fundamento da Fé não é a evidência científica das verdades reveladas, mas sim o fato de serem reveladas por Deus. É o princípio de autoridade que fundamenta a Fé. Ora, se uma pessoa nega um dos pontos que seja, está recusando a autoridade daquele que revela. Passa a aceitar os demais pontos, não porque Deus é infalível, mas  porque lhe interessa aceitar. A própria pessoa passa a ser o critério da verdade, o que faz dela seu próprio deus. E ela não é mais católica.
 
Vemos também que a Fé nos ajuda a praticar os três primeiros mandamentos da Lei de Deus: tendo Fé, amaremos a Deus sobre todas as coisas, nunca diremos nada contra Deus e encontraremos muitas alegrias indo à Missa aos Domingos e rezando todos os dias.
 
A Fé é como uma raiz da qual nascem todas as demais virtudes.