Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

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Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O Culto da Sagrada Eucaristia -

Sempre a Igreja Católica conservou religiosamente, como tesouro preciosíssimo, o mistério inefável da fé que é o dom da Eucaristia, recebido do seu Esposo, Cristo, como penhor de amor imenso. [...] No Mistério Eucarístico é representado de modo admirável o Sacrifício da Cruz, consumado uma vez para sempre no Calvário; e que nele se relembra perenemente a sua eficácia salutar na remissão dos pecados que todos os dias cometemos.
Nosso Senhor Jesus Cristo, ao instituir o Mistério Eucarístico, sancionou com o seu sangue o Novo Testamento de que é Mediador, do mesmo modo que Moisés sancionara o Velho com o sangue dos vitelos. Segundo contam os Evangelistas, na última Ceia, "tomou um pão, deu graças, partiu e distribui-o a eles, dizendo, 'isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória'. E, depois de comer, fez o mesmo com o cálice, dizendo: 'Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado em favor de vós"'. E mandando aos Apóstolos que fizessem isto em sua memória, mostrou a vontade de que este Mistério se renovasse. [...] 

De outro modo... Cristo está presente à sua Igreja enquanto ela prega, sendo o Evangelho, assim anunciado, Palavra de Deus, que é anunciada em nome de Cristo, Verbo de Deus Encarnado. […] Além disso, de modo ainda mais sublime, está Cristo presente à sua Igreja enquanto esta, em seu nome, celebra o Sacrifício da Missa e administra os Sacramentos. […] Esta presença... é substancial, quer dizer, por ela está presente, de fato, Cristo completo, Deus e homem. [...] Convertida a substância ou natureza do pão e do vinho, no Corpo e no Sangue de Cristo, nada fica do pão e do vinho, além das espécies; debaixo destas, está Cristo completo, presente na sua "realidade" física, mesmo corporalmente, se bem que não do mesmo modo como os corpos se encontram presentes localmente. Por isso, tanto recomendaram os Santos Padres que os fiéis, ao considerarem este augustíssimo Sacramento, não se fiassem nos sentidos, que testemunham as propriedades do pão e do vinho, mas sim nas palavras de Cristo, que têm poder de mudar, transformar e "transubstanciar" o pão e o vinho no seu Corpo e Sangue; na verdade, como repetem os mesmos Padres, a força que opera este prodígio é a própria força de Deus Onipotente, que no princípio do tempo criou do nada todo o universo. [...]
A Santíssima Virgem Maria, de quem Cristo Senhor Nosso tomou a Carne que neste Sacramento, sob as espécies do pão e do vinho, "está presente, se oferece e se recebe"...interceda junto do Pai das Misericórdias, para que a fé comum e o culto eucarístico produzam e façam prosperar a unidade perfeita de comunhão entre todos os cristãos.

Paulo VI



A luz veio ao mundo

 
06/04/2016 Quarta-feira

2ª Semana da Páscoa - 2ª Semana do Saltério

Primeira Leitura: Atos dos Apóstolos 5,17-26

Naqueles dias, levantaram-se o sumo sacerdote e todos os do seu partido - isto é, o partido dos saduceus - cheios de raiva e mandaram prender os apóstolos e lançá-los na cadeia pública. Porém, durante a noite, o anjo do Senhor abriu as portas da prisão e os fez sair, dizendo: “Ide falar ao povo, no Templo, sobre tudo o que se refere a este modo de viver”. Eles obedeceram e, ao amanhecer, entraram no Templo e começaram a ensinar.
O sumo sacerdote chegou com os seus partidários e convocou o Sinédrio e o Conselho formado pelas pessoas importantes do povo de Israel. Então mandaram buscar os apóstolos na prisão. Mas, ao chegarem à prisão, os servos não os encontraram e voltaram dizendo: “Encontramos a prisão fechada, com toda segurança, e os guardas estavam a postos na frente da porta. Mas, quando abrimos a porta, não encontramos ninguém lá dentro”. Ao ouvirem essa notícia, o chefe da guarda do Templo e os sumos sacerdotes não sabiam o que pensar e perguntavam-se o que poderia ter acontecido.
Chegou alguém que lhes disse: “Os homens que vós pusestes na prisão estão no Templo ensinando o povo!” Então o chefe da guarda do Templo saiu com os guardas e trouxe os apóstolos, mas sem violência, porque eles tinham medo que o povo os atacasse com pedras. - Palavra do Senhor.

Comentário:

Cada prisão dos apóstolos nos Atos é imediatamente seguida de uma libertação providencial. Ora, a libertação do cárcere é o primeiro ato da luta que Deus conduz em favor das testemunhas, contra o povo do Antigo Testamento. Para os apóstolos é um sinal dos tempos messiânicos a abertura das prisões (Is 42,7; 49,9) e, ao mesmo tempo, sinal de que a difusão da Palavra se firma no poder de Deus e não nas forças do homem.

A Palavra de Deus não pode ser aprisionada (2Tm 2,9). Na libertação do cárcere, experimentam os apóstolos a libertação pascal. Com efeito, esta não aparece apenas como um acontecimento da vida de Cristo que devem testemunhar, mas se torna uma experiência religiosa pessoal, um fato concreto de vida. Na Eucaristia, comemoramos os fatos passados, exatamente para que aprendamos a reencontrá-los nos acontecimentos de nossa vida.


Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 3,16-21

Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus. - Palavra da Salvação.

Comentário:

A vinda de Jesus ao mundo é a grande manifestação do amor misericordioso de Deus, que não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva, e por isso manda o seu próprio Filho, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele, ou seja, pelo mistério de sua paixão, morte e ressurreição, todas as pessoas que querem viver segundo a luz, realizando as obras de Deus, e fugir das obras das trevas, fugir do pecado e das suas consequências, deixam de ser escravas do pecado e da morte e tornam-se livres, filhos e filhas de Deus, para viver segundo a graça e caminhar na esperança de que viverá eternamente junto de Deus.
Jesus Cristo veio ao mundo para trazer salvação à humanidade mergulhada no pecado, e incapaz de ver-se livre desta trágica situação. De nada adiantaria submetê-la ao julgamento e à condenação. Já a persistência no pecado não dava margens para dúvidas: o relacionamento com Deus estava rompido. 

Era necessário alguém para ajudá-la a por fim a esta inimizade antiga com o Criador. E nisto consistiu a missão de Jesus!
O caminho da salvação passa pela fé no Salvador. Crer, neste caso, não se limita a confessar, com os lábios, que Jesus salva, mas requer, também, que assimilemos o seu modo de ser. Ou seja, a total submissão à vontade de Deus, expressa na vivência no amor entranhado ao próximo, sem jamais deixar-se levar pelo egoísmo. Como na vida de Jesus o Reino de Deus foi o objetivo absoluto, o mesmo deve ser para todos os cristãos.

O Reino deverá pautar todas as suas ações. A salvação de Jesus apresenta-se como uma proposta, a qual pode ser acolhida ou recusada. Jesus mesmo experimentou a rejeição sistemática por parte dos seus contemporâneos, embora muitos se tornassem discípulos dele, e acolhessem com fé suas palavras. A atitude hostil de muitos não intimidou o Mestre. Ele continuou a ser a luz, apontando, para toda a humanidade, o caminho da salvação.

Harmonia não é tranquilidade

Um só coração, uma só alma, nenhum pobre e bens distribuídos segundo as necessidades. Os sentimentos e o estilo de vida da primeira comunidade cristã podem ser resumidos em uma única palavra, segundo os Atos dos Apóstolos: harmonia.

A harmonia e seu inimigo

Uma palavra sobre a qual é preciso um consenso – afirma o Papa no início da homilia, porque não se trata de uma concórdia qualquer, mas de um dom do céu para quem renasceu do Espírito Santo, como os primeiros cristãos: 

“Nós podemos fazer acordos, uma certa paz... mas a harmonia é uma graça interior que somente o Espírito Santo pode promover. E estas comunidades viviam em harmonia, e os sinais da harmonia são dois: ninguém fica na necessidade, porque tudo era em comum. Em que sentido? Tinham um só coração, uma só alma e ninguém considerava o que lhe pertencia como propriedade, porque tudo era em comum. Ninguém deles era carente. A verdadeira ‘harmonia’ do Espírito Santo tem uma relação muito forte com o dinheiro: o dinheiro é inimigo da harmonia; o dinheiro é egoísta e, por isso, todos davam o que tinham para que não faltasse nada a ninguém”.

Harmonia não é tranquilidade

O Papa se detém sobre este aspecto e repete o exemplo virtuoso oferecido pelo trecho dos Atos, o de Barnabé, que vende sua terra e entrega o dinheiro aos Apóstolos. No entanto, os versículos seguintes, não incluídos na leitura do dia, propõem outro episódio, oposto ao primeiro, que Francisco cita: o de Ananias e Safira, um casal que finge dar o arrecadado com venda de suas terras, mas na realidade retém uma parte do dinheiro; uma escolha que para eles terá um preço muito amargo, a morte. Deus e o dinheiro são dois patrões “cujo serviço é irreconciliável”, repete Francisco, que logo depois esclarece também o equívoco que pode surgir sobre o conceito de ‘harmonia’. Não se trata – afirma – de ‘tranquilidade’.
“Uma comunidade pode ser muito tranquila, em que tudo vai bem: tudo funciona… Mas não está em harmonia. Uma vez, ouvi dizer de um bispo algo muito sábio: ‘Na diocese há tranquilidade. Mas se você tocar um problema, ou este ou aquele outro problema, logo começa a guerra’. Esta seria uma harmonia negociada, e esta não é a do Espírito Santo. É uma harmonia – digamos – hipócrita, como aquela de Ananias e Safira com aquilo que fizeram”.

O Espírito e a coragem

Francisco conclui convidando à releitura dos Atos dos Apóstolos sobre os primeiros cristãos e sua vida em comum. “Nos fará bem”, disse ele, para entender como testemunhar a novidade em todos os ambientes em que se vive. Consciente de que, assim como para a harmonia, também no empenho do anúncio se colhe o sinal de outro dom:
“A harmonia do Espírito Santo nos dá esta generosidade de não ter nada próprio enquanto há alguém necessitado. A harmonia do Espírito Santo nos dá uma segunda postura: ‘Com grande força, os apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus, e todos regozijavam de grande favor’, isto é, de coragem. Quando existe harmonia na Igreja, na comunidade, existe coragem, a coragem de testemunhar o Senhor Ressuscitado”. 
(Papa Francisco)

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Nesses derradeiros tempos, Maria deve brilhar, mais do que nunca, em misericórdia, força e graça

                                                                 Quem encontra Maria encontra a vida. 
Nesses derradeiros tempos, Maria deve brilhar, mais do que nunca, em misericórdia, força e graça: em misericórdia, para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e extraviados, que se converterão e regressarão à Igreja Católica.

Em força, para se opor aos inimigos de Deus, aos idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios endurecidos, que se revoltarão terrivelmente, para seduzir e fazer cair, por meio de promessas e ameaças, todos os que lhe forem contrários.

E, finalmente, Ela deve brilhar em graça, para animar e suster os valorosos soldados e fiéis servos de Jesus Cristo, que combaterão pelos seus interesses.

Enfim, Maria deve ser terrível para o demônio e seus sequazes, como um exército disposto em linha de batalha, principalmente nestes últimos tempos. A razão disso é que o demônio intensifica todos os dias seus esforços e combates, visto saber que tem pouco tempo, e muito menos do que nunca, para perder as almas. Suscitará, em breve, cruéis perseguições, e armará terríveis emboscadas aos servos fieis e verdadeiros filhos de Maria, pois lhe são necessários mais esforços para vencer estes do que os outros.

Saint Louis Maria Grignon de Montfort

 

01/04/2016 Sexta-feira

Oitava da Páscoa - 1ª Semana do Saltério
 
É o Senhor!”
 
 
Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 21,1-14
 
Naquele tempo, Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite.
Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”. Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram, pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão.
Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe.
Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. - Palavra da Salvação.
Comentários:
Diante das dificuldades, muitas vezes temos a tendência de enfraquecer, de voltar à vida de antes, parece que perdemos o rumo e a motivação. Pedro e os demais discípulos desanimaram e quiseram voltar à vida de pescadores de peixes, como muitas vezes queremos voltar à vida da imaturidade na fé. Jesus realiza mais uma vez o milagre da pesca milagrosa, para que os apóstolos se recordem que não são pescadores de peixes. Assim também, ele atua em nossas vidas, para que o Mistério Pascal não seja apenas celebração, mas processo de maturação, a fim de que possamos crescer cada vez mais na fé, e um dia atingir a estatura de Cristo. (CNBB)
A aparição do Ressuscitado junto ao mar de Tiberíades evoca o primeiro encontro dos discípulos com Jesus, quando foram chamados a deixar tudo para se tornarem pescadores de homens. É como se tudo começasse de novo, e fossem chamados a retomar o caminho de serviço ao Reino, abandonado após a decepção diante da morte de Jesus na cruz. O Evangelho apresenta-nos a profissão de alguns dos discípulos do Mestre: pescadores. Depois de uma noite de trabalho infrutífero, o Senhor apareceu-lhes para mostrar-lhes como se pesca de maneira proveitosa. E esta pesca foi deveras abundante! Mas a última, naquele lago, dando início aos tempos novos. Depois de ter ceado com o Ressuscitado, a vida dos discípulos tomaria um rumo diferente. Doravante, deveriam lançar-se à missão de enviados do Senhor, pelos caminhos do mundo. Sua condição de apóstolos estava para se concretizar. A novidade da experiência consistia em não mais contar com a presença física do Mestre. Ele se faria presente, na condição de Ressuscitado, onde quer que estivessem os seus apóstolos, animando-os na missão. A rede superlotada de peixes simbolizava a humanidade toda à qual eles deveriam apresentar a proposta do Reino. No mar do mundo, muitos seriam os atraídos pela mensagem de Jesus. (Padre Jaldemir Vitório/Jesuíta)

A força do amor vença o temor da morte

O Senhor pergunta, não uma, mas duas e três vezes o que já sabia: se Pedro O amava; e por três vezes ouve de Pedro repetir que O ama; e por três vezes faz a Pedro a mesma recomendação, de apascentar as suas ovelhas.

À tríplice negação corresponde a tríplice confissão, para que a língua não sirva menos ao amor que ao temor, e não pareça que a iminência da morte o obrigou a falar mais do que a presença da vida. 

Seja serviço de amor apascentar o rebanho do Senhor como foi sinal de temor negar o Pastor. Os que apascentam as ovelhas de Cristo como se fossem suas e não de Cristo, mostram que não amam a Cristo mas a si mesmos.
Contra esses, que também o Apóstolo censura dizendo que procuram os próprios interesses e não os de Cristo, estas palavras que o Senhor repete insistentemente são uma séria advertência:
Amas-Me? Apascenta as minhas ovelhas.
Quer dizer: se Me amas, não penses em apascentar-te a ti mesmo, mas sim as minhas ovelhas: apascenta-as como minhas, não como tuas; procura nelas a minha glória e não a tua; a minha propriedade e não a tua; os meus interesses e não os teus; não sejas daqueles que nos tempos de perigo só se amam a si mesmos e tudo o que deriva deste princípio, que é a raiz de todo o mal. Os que apascentam as ovelhas de Cristo não se amem a si mesmos; não as apascentem como próprias, mas como de Cristo.
O defeito que mais devem evitar os que apascentam as ovelhas de Cristo consiste em procurar os interesses próprios e não os de Jesus Cristo, destinando ao proveito próprio aqueles por quem Cristo derramou o seu sangue.
O amor de Cristo deve crescer até atingir tal grau de ardor espiritual naquele que apascenta a suas ovelhas, que supere mesmo o natural temor da morte, que nos leva a não querer morrer, ainda que queiramos viver com Cristo.
Mas, por maior que seja o temor da morte, deve ser superado pela força do amor Àquele que, sendo a nossa vida, quis também padecer a morte por nós.
Com efeito, se na morte não houvesse nenhum sofrimento, não seria tão grande a glória dos mártires. Mas, se o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas, suscitou tantos mártires entre as suas ovelhas, quanto mais devem lutar pela verdade até à morte, e até ao sangue, contra o pecado, aqueles a quem o Senhor confiou a missão de apascentar as suas ovelhas, isto é, de as instruir e orientar?
Perante o exemplo da paixão de Cristo, e ao pensar em tantas ovelhas que já O imitaram, quem não compreende que os pastores devem ser os primeiros a imitar o Pastor? Na verdade, os mesmos pastores são também ovelhas do único rebanho, governado pelo único Pastor. De todos nós Ele fez suas ovelhas, por todos nós padeceu; e, para padecer por todos nós, Ele mesmo Se fez Cordeiro.
 

- Santo Agostinho

 

Ser guiado pelo Espírito Santo

O homem é todo terreno e todo animal; só o Espírito Santo pode elevar-lhe a alma e levá-lo para o alto.
Porque é que os Santos eram tão desapegados da terra? Porque se deixavam conduzir pelo Espírito Santo.
Os que são guiados pelo Espírito Santo têm ideias justas. Aí está porque há tantos ignorantes que são mais sabidos que os sábios. Quando somos conduzidos por um Deus de força e de luz, não nos podemos iludir. 

Como essas lunetas que aumentam os objetos, o Espírito Santo faz-nos ver o bem e o mal em ponto grande. Com o Espírito Santo, vê-se tudo em ponto grande; vê-se a grandeza das menores ações feitas por Deus e a grandeza das menores faltas.
Assim como um relojoeiro com suas lunetas distingue as mais pequenas engrenagens dum relógio de algibeira, com as luzes do Espírito Santo nós distinguimos todos as minúcias da nossa pobre vida. Então, as menores imperfeições parecem muito grandes, e os menores pecados causam horror.
Os que têm o Espírito Santo não se podem mentir a si próprios, tanto conhecem a sua pobre miséria. Os orgulhosos são os que não têm o Espírito Santo.
As pessoas do mundo não tem o Espírito Santo, ou se o tem, é só de passagem: ele não para nelas. O barulho do mundo o faz partir.
Os olhos do mundo não vêm mais longe que a vida. Os olhos do cristão vêm até o fundo da eternidade.
Para o homem que se deixa guiar pelo Espírito Santo, parece que não há mundo; para o mundo, parece que não há Deus… Uma alma que tem o Espírito Santo nunca se aborrece na presença de Deus: sai-lhe do coração uma transpiração de amor.
Quando se tem o Espírito Santo, o coração se dilata. Banha-se no amor divino. O peixe nunca se queixa de ter água demais; assim também, o bom cristão nunca se queixa de estar demasiado tempo com o bom Deus. Há muitos que acham a religião aborrecida, é que não tem o Espírito Santo.
Se perguntássemos aos condenados: “Porque é que estais no inferno?” Eles responderiam: “Por havermos resistido ao Espírito Santo.” E se perguntássemos aos santos: “Porque é que estais no céu?” eles responderiam: “Por havermos escutado o Espírito Santo.”
O bom Deus, enviando-nos o Espírito Santo, fez a nosso respeito como um grande rei que incumbisse o seu ministro de guiar um súdito seu, dizendo: “Acompanhareis esse homem por toda parte, e o reconduzireis são e salvo.” Como é belo ser acompanhado pelo Espírito Santo! É um bom guia esse… E dizer que há tantos que o não querem seguir!
O Espírito Santo repousa nas almas justas como a pomba no ninho. Acalenta os bons desejos numa alma pura, como a pomba acalenta os seus petizes.
O espírito Santo repousa numa alma pura como num leito de rosas. Sai da alma em que reside o Espírito Santo um bom odor: como o da vinha quando esta em flor.
Qual uma bela pomba branca, que sai do meio das águas e vem sacudir as asas na terra, o Espírito Santo sai do oceano infinito das perfeições divinas e vem bater asas sobre as almas puras para destilar nelas o bálsamo do amor.

- São João Vianney