Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

Para você entrar em nossos artigos click nas imagens nas laterais e encontrarás os lincks dos artigos postados.

Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O sacerdote pode celebrar a Missa de costa para a assembleia?

Foram muitos envios de mensagens e muitas perguntas que inundaram as redes sociais na semana que passou sobre a maneira como presidir a Missa Latina. No centro das discussões estava uma conferência pronunciada pelo Cardeal da Congregação para o Culto Divino sobre o voltar-se para o “Oriente” a partir do próximo Advento, esperando o Senhor que virá. Creio que tudo já foi esclarecido com a declaração da Sala de Imprensa da Santa Sé.
Recentemente, uma declaração do Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, não foi bem interpretada, por isso, o Pe. Federico Lombardi, SJ, porta-voz oficial da Santa Sé prestou alguns esclarecimentos oportunos. Trata-se da Missa ad Orientem (olhando para o Oriente, de costas para a assembleia) que poderia – a título de sugestão – ser celebrada a partir do próximo Advento.

À luz dos dados de que dispomos, abordaremos o assunto neste artigo a fim de ajudar a dissipar as dúvidas que possam, eventualmente, ter permanecido nos fiéis, clérigos ou leigos, de modo especial, visando a nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Trata-se do seguinte: no dia 7 de julho, na Conferência inaugural de Sagrada Liturgia UK 206, em Londres, o Cardeal Sarah disse que
“é muito importante que voltemos o mais rápido possível a uma mesma direção, dos sacerdotes e de todos os fiéis na mesma direção: para o oriente ou pelo menos para o tabernáculo”,
como prevê a forma extraordinária da Missa, nunca abolida, mas autorizada mais amplamente pelo Papa Bento XVI por meio do Motu Proprio Sumorum Pontificum, de 2007.
No entanto, a colocação do Cardeal não é uma norma, mas, sim, sugestão que, se aceita, deve ser implantada a partir do Primeiro Domingo do Advento (27 de novembro), de forma muito prudente, pastoralmente útil, sem se esquecer da catequese antecedente. Diz ele:
Assim, queridos sacerdotes, peço-lhes para que implementem essa prática sempre que possível, com prudência e com a catequese necessária, certamente, mas também com a confiança pastoral de que isso é algo bom para a Igreja, algo bom para o nosso povo”.
A ideia do Cardeal é melhor integrar, a pedido do Papa Francisco, as duas formas do mesmo rito romano: a ordinária e a extraordinária. Daí o tempo do Advento ser propício a isso, pois nos leva a olharmos todos na mesma direção, olhando para o Senhor que vem, ou para a sua Cruz, centro de nossa salvação, que está no Oriente. E acrescenta:

“Como Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, desejo recordar que a celebração Ad Orientem está autorizada pelas rubricas, que especificam os tempos em que o celebrante deve se virar para o povo. Portanto, não é necessário ter uma permissão especial para celebrar olhando para o Senhor”.
Tal forma de celebrar evitaria também que algumas Missas se tornem espetáculos, que, em vez de louvar a Deus, se pratica um culto humano no qual o Senhor quase nem é lembrado. Ora, isso faz com que as pessoas sedentas de Deus se afastem da Igreja.
Diante das dúvidas levantadas, especialmente por pessoas que não entenderam a contento as palavras do Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, a Sala de Imprensa da Santa Sé emitiu, dia 11 último, o comunicado “Algumas elucidações sobre a celebração da Missa”, por meio do Pe. Federico Lombardi, SJ, seu porta-voz. Diz a nota, após recordar as colocações do Cardeal Sarah, que “é melhor evitar o uso da expressão ‘reforma da reforma’, em referência à liturgia, dado que, às vezes, foi fonte de equívocos”.
Diz ainda o comunicado que o Prefeito da Congregação para o Culto Divino “sempre está preocupado justamente pela dignidade da celebração da Missa, de modo que se expresse adequadamente a atitude de respeito e adoração pelo mistério eucarístico”. Tal zelo, justo e necessário, contudo, não abole as normas relativas à Celebração Eucarística na forma ordinária, conforme assinala o número 299 da Instrução Geral do Missal Romano, no qual se estabelece que se construa o altar afastado da parede, de modo a permitir andar em volta dele facilmente e a celebração se possa realizar de frente ao povo, o qual convém que seja possível em todas as partes. Segundo o mesmo, o altar deve ocupar o lugar que seja de verdade o centro para espontaneamente convergir a atenção de toda a assembleia dos fiéis.
Também diz a Nota que, “por sua parte, o Papa Francisco, em ocasião de sua visita ao dicastério do Culto Divino”, que é presidido pelo Cardeal Sarah, “recordou expressamente que a forma ‘ordinária’ da celebração da Missa (de frente para o povo) é a prevista no Missal promulgado pelo Papa Paulo VI, enquanto que a ‘extraordinária’, que foi permitida pelo Papa Bento XVI para as finalidades e com as modalidades explicadas por ele no Motu Proprio Summorum Pontificum, não deve, assim, tomar o lugar da ‘ordinária’”. A forma ordinária e cotidiana da celebração da Santa Missa é versus populum; a forma Ad Orientem é sempre extraordinária e, como lembra o Cardeal Sarah, embora não requeira autorização para ser celebrada, não deve ser feita sem a devida catequese preparatória; e um estudo sobre seu alcance pastoral, onde ela ocorrer. Caso contrário, pode tornar-se um espetáculo a atrair curiosos presos às rubricas, mas não a Deus. Cai-se no erro, que se pretende evitar quando há abusos na forma ordinária, fazendo do detalhe – e não do Essencial – o mais importante.
Tudo isto, conclui o comunicado, “foi expresso acordemente no curso de uma recente audiência concedida pelo Papa ao mesmo Cardeal Prefeito da Congregação para o Culto Divino”. Aliás, já o Papa Bento XVI, que autorizou mais amplamente a forma extraordinária, declarou que “em termos concretos, a liturgia renovada pelo Vaticano II é a forma válida de a Igreja celebrar hoje a liturgia”. (Luz do mundo, 2010, p. 108).
Devemos, agora, ressaltar, a fim de que não pairem dúvidas, que a Missa é uma só. Ela reapresenta de modo incruento (sem padecimento físico) o sacrifício de Cristo realizado de modo cruento (com sofrimento físico) uma só vez, no Calvário. Há sim duas versões latinas do mesmo sacrifício da Missa e ambas são igualmente válidas e aceitas pela Igreja, de modo a não ser correto falar, por exemplo, em duas missas diversas entre si. Mesmo porque temos outros ritos, em geral orientais, que ampliam ainda mais esse conceito.
O próprio Papa Bento XVI, ao tratar do assunto, em 2007, afirmou que

“não é apropriado falar destas duas versões do Missal Romano como se fossem dois ritos. Trata-se, antes, de um duplo uso do único e mesmo rito”.
Mais: “Em primeiro lugar, há o temor de que aqui seja afetada a autoridade do Concílio Vaticano II e que uma das suas decisões essenciais – a reforma litúrgica – seja posta em dúvida. Tal receio não tem fundamento. A este respeito é preciso, antes do mais, afirmar que o Missal publicado por Paulo VI, e reeditado em duas sucessivas edições por João Paulo II, obviamente é e permanece a forma normal – a Forma ordinária – da Liturgia Eucarística. A última versão do Missale Romanum, anterior ao Concílio, poderá ser, por sua vez, usada como forma extraordinária da Celebração Litúrgica”.
Continua ainda o Santo Padre: “Quanto ao uso do Missal de 1962, como Forma Extraordinária da Liturgia da Missa, quero chamar a atenção para o fato de que este Missal nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequentemente, em princípio, sempre continuou permitido. Na altura da introdução do novo Missal, não pareceu necessário emanar normas próprias para um possível uso do Missal anterior”.
Todavia, importa frisar, com Bento XVI, que abusos quanto ao uso do novo Missal em algumas regiões levaram não só reduzidos grupos (ditos tradicionalistas) a apegarem-se ao Missal de São Pio V, como também grupos de jovens fiéis ao Concílio Vaticano II que, sem derrogar o Rito Conciliar, pretendiam continuar usando o Missal pré-conciliar. Por isso, o Papa João Paulo II, pelo Motu Proprio Eclesia Dei, de 2 de julho de 1988, prescreveu algumas normas para o uso do Missal de 1962, recomendando que os Bispos, nas suas respectivas dioceses, dessem atenção às “justas aspirações” dos fiéis que pleiteavam o uso do Rito Romano.
O documento de São João Paulo II ainda deixou dúvidas: havia quem temesse que o uso do Missal de São Pio V pusesse em risco as reformas conciliares, deixando não poucos Bispos apreensivos quanto às desordens no seio de suas dioceses. Daí o Papa Bento XVI escrever o Motu Proprio intitulado Summorum Pontificum, para deixar mais à vontade aqueles que desejam celebrar segundo o Missal de São Pio V, desde que não menosprezem o valor do Novo Missal, fruto das reformas conciliares.
Isso posto, realça ainda o Papa Bento XVI:

“Não existe qualquer contradição entre uma e outra edição do Missale Romanum. Na história da Liturgia, há crescimento e progresso, nenhuma ruptura”.
Importa, ainda, recordar, na caridade pastoral, o seguinte:

“Regular a sagrada liturgia compete à Santa Sé e segundo as normas do Direito ao Bispo diocesano e Assembleias ou Conferências Episcopais: por isso, ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar, seja o que for em matéria litúrgica”.

(Sacrossanctum Concilium n. 22).
Mais: “Na qualidade de Pontífice responsável pelo Culto divino na Igreja particular, o Bispo deve regular, promover e custodiar toda a vida litúrgica da Diocese” (Congregação para os Bispos, ApS n.154). Disso decorre que a comunhão com o Bispo é condição para que seja legítima uma celebração no território de sua diocese (cf. Christus Dominus, n. 15; Sacrossanctum Concilium, n. 39; Bento XVI. Sacramentum Caritatis, n. 39), de forma a se rechaçar, como ilegítimas, todas as improvisações e/ou abusos na celebração da Santa Missa. Esta, bem celebrada, na sua forma ordinária, sempre atrai o Povo de Deus para o culto divino bem entendido e participado. O importante, acima de tudo, é celebrar o culto a Deus e evangelizar as pessoas, dando um testemunho credível do Evangelho, não criando divisões que não existem e evitando tudo aquilo que pode levar à confusão dos fiéis.

Que todos nós possamos reafirmar que o modo ordinário da celebração da Santa Missa é o que cotidianamente se celebra em quase a totalidade das paróquias de nossa Arquidiocese e que, qualquer exceção, deverá ser dentro do que pede o direito universal e as normas da Arquidiocese do Rio de Janeiro, lembrando, acima de tudo, que mais do que discussões de rubricas, devemos viver o espírito da Santa Eucaristia, que é sempre sacramento de comunhão e de alimento salutar de vida eterna.
Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Fonte: CNBB - A Celebração da Missa

A Educação dos filhos - Santo Afonso de Ligório - 1ª Parte

O pai não deve permitir que suas filhas fiquem a sós com homens, sejam eles jovens ou velhos. Alguém dirá: “Este homem que cuida da minha filha, é um santo”. Os santos estão no Céu, porque os santos que estão na terra são carne e se estão próximos às ocasiões, podem converter-se em demônios. 



Advertência aos pais
O Evangelho nos diz que uma boa árvore não produz mau fruto, e que uma árvore má não pode produzir fruto bom. O que aprendemos disto, é que um bom pai cria filhos bons. Porém, se os pais são fracos, como seus filhos podem ser virtuosos? Porventura – disse Nosso Senhor, no mesmo Evangelho – colhem-se uvas dos espinhos, ou figos dos abrolhos? (São Mateus 7,16). Assim é impossível, ou de fato muito difícil, encontrar filhos virtuosos, que foram criados por pais imorais. Pais, estejam atentos a este sermão, de grande importância para vossa salvação eterna e de vossos filhos. Estejam atentos, jovens, homens e mulheres que não escolheram ainda vosso estado de vida. Se desejarem casar, aprendam as obrigações que se adquirem na observância da formação de vossos filhos, e aprendam também que, se vós não observardes integralmente essas obrigações, terão sobre vós e sobre vossos filhos a condenação. Dividiremos isto em dois pontos. No primeiro, mostraremos a importância da formação dos hábitos da virtude nos filhos; e seguidamente mostraremos com que cuidado e diligência um pai deve trabalhar para que eles cresçam bem.
Educar na virtude
Um pai tem duas obrigações para com seus filhos: é obrigado a sustentá-los em suas necessidades corporais e de educá-los na virtude. Não é necessário estendermo-nos sobre a primeira obrigação, mas existem alguns pais que são mais cruéis que as mais ferozes bestas selvagens; aqueles que desperdiçam toda a sua fortuna ou bens em comer, beber e prazeres, e permitem que seus filhos morram de fome. Porém, discutiremos sobre a formação, que é a matéria de nosso artigo.
Certamente que a futura boa ou má conduta de um filho depende se ele tem sido criado bem ou mal. A natureza por si mesma ensina a cada pai a participar na educação de sua descendência. Deus dá os filhos aos pais, não para auxiliarem a família, mas para que cresçam no temor de Deus, e sejam conduzidos no caminho da salvação eterna. “Tenhamos, disse São João Crisóstomo, os filhos como precioso depósito; velemos por eles com grande cuidado”. Os filhos não foram outorgados aos pais como um presente, de que se pode dispor à vontade. Os filhos foram confiados, e por esta confiança, se se perderem por negligência, os pais deverão prestar contas a Deus.
Um grande Padre da Igreja disse que, no dia do juízo, os pais terão que prestar contas por todos os pecados de seus filhos (Nota: se entende os pecados derivados de uma má ou incompleta formação, pois há casos excepcionais de filhos muito bem educados e que, apesar disso, vivem como se não houvessem tido uma boa formação religiosa). Assim, aquele que ensina seu filho a viver no bem, terá uma feliz e tranquila morte. O que instrui seu filho... quando chegar a morte não sentirá pena, porque deixa aos seus um defensor frente a seus inimigos (Eclesiástico 30,3-6). E poderá salvar sua alma por meio de seus filhos, isto é, pela formação virtuosa que lhes deu. “[A mulher] se salvará mediante sua maternidade” (1 Timóteo 2,15).
Por outro lado, uma difícil e triste morte terão aqueles que somente trabalham para incrementar suas posições ou multiplicar as honras familiares, ou aqueles que só deixam a seus filhos a comodidade e os prazeres, e não lhes proporcionam valores morais. São Paulo disse que esses pais são piores que infiéis. Quem não tem cuidado com os seus, e principalmente dos da sua casa, negou a fé, e é pior do que um infiel (1 Timóteo 5,8).
Ainda que os pais levem uma vida de piedade, contínua oração e comunhão diária, estes virão a se condenar se, por negligência, descuidarem da educação de seus filhos (Nota: Santo Afonso enfatiza a educação moral dos filhos como um dever essencial. Um descuido nisto é de uma gravidade extrema que pode comprometer nossa salvação. Uma omissão neste sentido deverá ser confessada e reparada na maior medida possível, buscando ressarcir o dano causado por meio dos conselhos, do exemplo e da oração pelos filhos, para que alcancemos o perdão de Deus por tão grave dano).
Se todos os pais cumprissem com seu dever de vigiar a formação de seus filhos, teríamos pouquíssimos crimes. Pela má educação que os pais dão à sua descendência, fazem com que seus filhos, disse São João Crisóstomo, caiam em grandes vícios; e os entregam assim ao verdugo. Assim aconteceu em um povoado: um pai, que fora a causa de todas as irregularidades de seu filho, foi justamente castigado por seus crimes com grande severidade, mais ainda que seus filhos. Grande infortúnio é para os filhos ter pais viciosos, incapazes de inculcar em seus filhos o temor a Deus. Aqueles que veem seus filhos com más companhias e em brigas, e no lugar de corrigi-los e castigá-los, lhes tomam compaixão e dizem: “Que posso fazer? São jovens, espero que deixem isso quando amadurecerem”. Que palavras tão débeis; que educação tão cruel! Em verdade, esperam que quando os filhos amadureçam, cheguem a ser santos? Escutai o que disse Salomão: Mostrai ao menino o caminho que deve seguir, e nele se manterá ainda na velhice (Provérbios 22,6). Seus ossos, disse o santo Jó, serão preenchidos com os vícios de sua juventude, e dormirão com ele no pó (Jó 20,11). Quando um jovem vive com maus hábitos, os levará à tumba. As impurezas, blasfêmias e ódios, aos que se acostumou em sua juventude, o acompanharão até a tumba, e dormirão com ele até que seus ossos sejam reduzidos a cinzas. Corrija teu filho enquanto há esperança; senão, tu serás o responsável por sua morte (Provérbios 19,18). É muito simples, quando são pequenos, acostumar os filhos na virtude, mas quando chegam à madureza, se aprenderam os hábitos do vício, é igualmente difícil corrigi-los.
Vejamos o segundo ponto, que é sobre os meios para formar os filhos na prática da virtude. Rogo-lhes, pais de famílias, que recordeis o que agora vos digo: da formação depende a salvação eterna de vossas próprias almas e das almas de vossos filhos.
Corrija teu filho
São Paulo nos ensina em poucas palavras, no que consiste a correta educação católica dos filhos. Disse-nos que esta consiste na disciplina e correção. E vós, pais, não exaspereis a vossos filhos, mas educai-los na disciplina e correção do Senhor (Efésios 5,4). Disciplina é o mesmo que regulação religiosa da moral nas crianças, e implica uma obrigação de educá-las em hábitos de virtude, por meio da palavra e do exemplo. Esta foi a maneira com a qual Tobias educou seu pequeno filho. O pai lhe ensinou desde sua infância a temer a Deus e a afastar-se do pecado (Tobias 1,10). O sábio disse que um filho bem educado é o suporte e consolo de seu pai. Educa bem o teu filho, e ele consolar-te-á e será as delícias da tua alma (Provérbios 29,17). Assim como um filho bem formado é a alegria para a alma de seu pai, um filho ignorante é a fonte de tristeza para o coração de seu pai; a ignorância de suas obrigações como cristão sempre é seguida por uma má vida.
Conta-se que no ano de 1248, um sacerdote ignorante recebeu a ordem de fazer um discurso durante um sínodo. O sacerdote estava muito agitado por causa do mandado, e o diabo então lhe apareceu e disse-lhe: “Os chefes da treva infernal saúdam o chefe dos paroquianos, e lhe agradecem sua negligência na instrução das almas; já que da ignorância procedem às faltas e a condenação de muitos”.
O que deve ser ensinado aos filhos
A mesma verdade é para os pais negligentes. Um pai tem a obrigação de instruir seus filhos nas verdades da Fé, e particularmente nos quatro principais mistérios.
·         Primeiro, que há um Deus, o Criador e Senhor de todas as coisas;
·         Segundo, que este Deus é Juiz, quem, na outra vida, recompensará os bons com a glória eterna do Paraíso, e castigará os débeis para sempre nos tormentos do inferno;
·         Terceiro, o Mistério da Santíssima Trindade, isto é, que em Deus há Três Pessoas, Uno em Essência e Trino em Pessoas.
·         Quarto, o Mistério da Encarnação do Divino Verbo, o Filho de Deus, Deus verdadeiro, que se fez Homem no ventre puríssimo da Virgem Maria e que sofreu e morreu para nossa salvação.
Poderia ser admitida a escusa de um pai ou uma mãe que diz: “Eu mesmo não sei estes mistérios”? Pode um pecado justificar outro? Se sois ignorantes, então tendes a obrigação de aprendê-los [os mistérios], e em seguida ensiná-los aos vossos filhos. Ao menos mandai vossos filhos a um catequista digno. Que coisa tão miserável é ver os pais e as mães incapazes de instruir seus filhos e filhas na doutrina Cristã, empenhando-se em ocupações de pouca importância, e quando eles crescem, não sabem o significado de pecado mortal, de Inferno ou de eternidade. Não sabem sequer o Credo, o Padre Nosso, ou a Ave Maria, os quais todo o cristão é obrigado a aprender sob pena de pecado mortal.
Os pais religiosos não somente podem instruir seus filhos nestas coisas, que são as mais importantes, mas também podem ensinar-lhes o que se deve fazer em todas as manhãs. Ensinar-lhes primeiramente a agradecer a Deus por haver preservado sua vida durante a noite, e em segundo lugar oferecer a Deus todas as boas ações que farão e todos os sofrimentos que passarão durante o dia; também implorar a Jesus Cristo e a Nossa Santa Mãe Maria que os preserve de todo o pecado no decorrer do dia. Ensinar-lhes, ao anoitecer fazer um exame de consciência e um ato de contrição. Também lhes deve ensinar atos de Fé, Esperança e Caridade, a rezar o Rosário e a visitar o Santíssimo Sacramento. Alguns bons pais de família cuidam em obter um livro de meditações para lê-lo e ter oração mental comunitariamente meia hora por dia. É isto que o Espírito Santo nos exorta a praticar: “Tens filhos? Ensina-os bem... desde a infância” (Eclesiástico 7,25). Acostumam-lhes estes hábitos religiosos desde a infância e quando crescerem, eles perseverarão neles. Acostumam-lhes à confissão e comunhão semanal.
Tradução: Carlos Wolkartt
Fonte: blog.christifidei.com

sábado, 16 de julho de 2016

A espiritualidade que desejo
Apesar de tudo, insisto. A despeito de mim mesmo, teimo. Insisto e teimo por querer a eternidade. Alguém plantou transcendência em minha alma.  Mesmo diante do pavor de confundir esperança com alucinação, não consigo dissimular minha obstinação pelo que está além de mim.

Preciso tornar-me peregrino que se descalça diante do Sagrado. Deixar que o Mistério me deixe atônito. Desfazer-me de panos velhos para não remendar-me com os andrajos de uma religiosidade rota. Trocar odres antigos pelo vinho novo do Espírito.

Quero uma espiritualidade que enfrente a verdade de existir com tudo o que a vida trouxer de bom ou de ruim.  Desejo viajar até as fronteiras do universo não como fuga, mas como sede da grande Utopia – a mesma que move os Santos. Quero soprar o pavio fumegante da minha voz profética para ser farol, mesmo em um vilarejo distante.

Anseio por uma espiritualidade que esgote a soberba de minha onipotência e permita que a mesma bruma que empurra a caravela empine a bandeira do meu combate. Preciso repensar a coragem para que a minha força venha da fragilidade.

Almejo uma espiritualidade suave: delicada como a mão da criança, indefesa como o olhar do cordeiro e despretensiosa como o fluir do ribeiro. Necessito esvaziar-me do desejo de brilhar – que a oração mais pura fique escondida no quarto onde durmo. Ainda hei de encarar o apelo do poder como maldição. Qualquer glória só a Deus pertence – invejá-la é diabólico.

Anelo por uma espiritualidade que não se encaramuja. Que abre mão de palavras piedosas como disfarce e procura a magia de viver na encarnação, fazendo do corpo o lenho que transforma água amarga em doce.
Suspiro por uma espiritualidade sem fronteiras. Quero rasgar mapas para chamar o Próximo de meu irmão. 

Exorcizar o medo de perder a reputação. Abrir espaço para que o excluído se sinta acolhido. Sonho entender como o grão de trigo morre sem murmurar – por saber que carrega o futuro em suas entranhas.

Aspiro por uma espiritualidade que ame igualmente o belo e o disforme, o funcional e o deficiente; o lépido e o claudicante. E alimente a alma com as cores do cotidiano: azul, preto, rubro, amarelo, cinza, branco.

Ambiciono navegar. Já que viver nunca é preciso, abrir mão de atracar em qualquer Porto Seguro.  Sem âncoras, continuar a singrar o futuro como um oceano de possibilidades.

Soli Deo Gloria

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Em graça concebida

 
Já no primeiro instante de sua concepção, Maria Santíssima foi enriquecida com uma plenitude de graças superior à de todos os Anjos e Santos reunidos.

Luz tênue, igreja praticamente vazia, pouco ruído. É fim de tarde na cidade de Granada. Num confessionário, um sacerdote reza seu Breviário, enquanto permanece à disposição de qualquer fiel desejoso de purificar sua alma. UmImaculada Conceição por Bartolomé Esteban Murillo - Museu do Prado - Madri.jpgjovenzinho se aproxima e ajoelha-se frente a frente com o ministro de Deus, como acontece normalmente com esse povo categórico. Sem dúvida alguma, ele queria confessar-se.
- Ave Maria puríssima! - disse o padre, segundo o costume ali vigente.
- Sem pecado concebida! - respondeu sem hesitar o penitente, tal como fazia desde sua infância. Entretanto, o confessor o corrigiu, com a característica ênfase ibérica:
- Não! Deves responder-me: "Em graça concebida!".
Esse pequeno episódio revela uma importante verdade teológica, e a frase do sacerdote encerra um belo louvor à Mãe de Deus. 

A maior plenitude concebível abaixo de Deus

Voltemos nossa atenção para um século e meio atrás, aos 8 de dezembro de 1854. Foi nesse dia que o Beato Pio IX, falando ex cathedra, declarava ter sido a Bem-Aventurada Virgem Maria "preservada imune  de toda mancha do pecado original" 1 por singular graça e privilégio de Deus. Proclamava assim, perante o regozijo do orbe cristão, que a doutrina da Imaculada Conceição "foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis".
Sublime prerrogativa esta, a de ser preservada de toda mancha! Contudo, se analisarmos mais detidamente, veremos que nessas palavras se encerra não só o aspecto negativo do dogma - ter sido Ela concebida sem pecado - mas também, necessariamente, o aspecto positivo dessa mesma realidade: Maria foi concebida em graça e, como afirma o Concílio Vaticano II, foi "enriquecida, desde o primeiro instante da sua Conceição, com os esplendores duma santidade singular".3
O Espírito Santo habitou n'Ela desde o início de sua existência, enchendo-A de seus dons, virtudes e carismas com tanta abundância, conforme ensina o Beato Pio IX: "Ela possui tal plenitude de inocência e de santidade que, depois da de Deus, não se pode conceber outra maior".4

Desde o primeiro instante de sua Imaculada Conceição

É a essa plenitude de graças que faz referência o Arcanjo Gabriel na sua saudação: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo" (Lc 1, 28).
Enganar-se-ia quem objetasse que o fato de Maria Santíssima estar repleta de graças não significa que já o estivesse antes do anúncio do Anjo. Portanto A imaginasse como uma moça boazinha, com suas falhas e defeitos, que foi repentinamente tomada pelo Espírito Santo no momento da aparição de São Gabriel.
Essa hipótese, entretanto, repugna o nosso senso católico e contradiz os princípios da Mariologia, pois, conforme explica um renomado teólogo do século XX, a doutrina de que a graça inicial de Maria Santíssima fosse superior à de todos os Anjos e Santos reunidos é "completamente certa em Teologia".
Para explicar essa afirmação, outro teólogo contemporâneo aduz diversos argumentos, entre os quais o seguinte: "Como o ser preservada de pecado não é outra coisa senão possuir a graça santificante desde o princípio da existência, e como Maria foi preservada de modo singularíssimo do pecado original, segue-se claramente que desde o princípio esteve cheia de graça".
Especialmente esclarecedora é a explicação de São Tomás. Argumenta ele que "quanto mais próximo está alguém do princípio, seja qual for o gênero, mais participa de seu efeito".7 Ou seja, assim como quem se coloca mais perto do fogo mais se aquece, quanto mais uma alma se aproxima de Deus tanto mais participa de seus dons. E conclui: "Ora, a Bem-Aventurada Virgem Maria foi a que esteve mais próxima de Cristo segundo a humanidade, pois foi d'Ela que Cristo recebeu a natureza humana. Eis por que Ela tinha de obter de Cristo uma plenitude de graça maior do que as outras pessoas".
É justamente essa proximidade de Cristo, pela sua predestinação como Mãe de Deus, que explica a plenitude de graças de Maria Santíssima desde o primeiro instante de sua Conceição.

Tríplice plenitude de graça

Evidentemente, a plenitude de graça em Maria não é idêntica à de seu Filho. Em Cristo, Autor da graça, ela é absoluta; portanto, sem possibilidade de aumento. Em Nossa Senhora, porém, é relativa e suscetível de crescimento, na medida em que aumentava a capacidade da sua alma, de algum modo unida à ordem hipostática. Segundo alguns teólogos, Maria crescia em graça até durante o sono, pois Ela possuía a ciência infusa, e esta continua funcionando quando a pessoa adormece.
Na realidade, com base no Doutor Angélico,10 não deveríamos falar da plenitude de graça de Maria, mais sim de uma tríplice plenitude vinculada ao privilégio da maternidade divina: a dispositiva, concedida no instante de sua concepção, com vistas a torná-La idônea a ser a Mãe de Cristo; a perfectiva, no momento da Encarnação do Verbo, quando Ela recebeu um imenso acréscimo de graça santificante; e a final ou consumativa, ou seja, a que a alma possui na glória celestial.

A morada que Deus preparou para Si

Dizia o Doutor Melífluo que De Maria nunquam satis - d'Ela não há o que baste. Pois Deus depositou na Virgem Maria todas as perfeições que era possível uma mera criatura ter. Ela transcende todos os Santos, como o Céu transcende a Terra. Ela é a montanha preferida por Deus, para habitar no tempo e na eternidade. Em louvor a Ela, canta o Salmista: "Montes escarpados, por que invejais a montanha que Deus escolheu para morar, para nela estabelecer uma habitação eterna?" (Sl 67, 17).
Quão bela, santa e perfeita morada preparou Cristo Senhor para Si! Quão sublime e magnífica a Mãe que Ele deu para nós! 

 Diác. Felipe García López Ria, EP
(Revista Arautos do Evangelho, Julho/2014,. 151, p. 36-37)
 

Descubra aqui.

Por que Nossa Senhora demora para atender algumas pessoas e outras não? 

 


Nossa Senhora Auxiliadora
.
.
Nós não devemos nos espantar quando o auxílio de Nossa Senhora tarda.
.
E
u disse no último Santo do Dia que é uma verdadeira graça que Ela Se digne estabelecer com alguns estas relações de atender pequenos pedidos, quase se poderia quase dizer de pequenas intenções;

De pequenos carinhos maternos, e que isto se deve reputar como muito precioso.
Mas, de outro lado, é também preciso ver que Nossa Senhora, que nos atende, por vezes demora em fazê-lo. E demora exatamente nas grandes graças que deseja que Lhe sejam muito pedidas.
Em geral, em toda vida de uma pessoa muito devota de Maria Santíssima, assim como existem as graças que são logo obtidas, existem também umas duas ou três ou quatro ou cinco que Ela concede demorando enormemente.
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E isto ocorre com as almas que Nossa Senhora mais ama, para as quais dentro de um rosário de graças facilmente concedidas. Ela coloca algumas muito difíceis.
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E em geral são graças de caráter espiritual. Às vezes, é uma graça de caráter temporal cujo retardamento terá um sentido espiritual, mas em geral são graças de caráter espiritual.

Há, pois, uns certos retardamentos da providência de Nossa Senhora enquanto Auxílio dos Cristãos, em que Ela dá mais tardando do que se atendesse logo.
E isso em parte porque Nossa Senhora, se atendesse todos os nossos pedidos imediatamente, a Terra se transformaria num paraíso e os sofrimentos desapareciam…
Ora, umas das maiores graças que Nossa Senhora nos dá são as cruzes, são os sofrimentos.
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E muitas vezes Ela tarda para sofrermos, para nos dar a graça e o mérito do sofrimento.
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É preciso também acrescentar que algumas vezes Ela tarda para provar a nossa Fé, para desenvolvermos a Fé e a Confiança.

E somente depois nos obtém essas graças de modo super-eminente.
De maneira que se existe neste auditório alguma alma que esteja tardando muito para receber uma graça, eu acho que não deve considerar isto como uma recusa de Nossa Senhora;
Mas como uma promessa de que se pedir muito, isso lhe será dado com uma abundância extraordinária.
E quando fazer a novena de Nossa Senhora Auxiliadora que, enquanto Auxiliadora, é dadivosa, é distribuidora de graças, devemos, então, pedir-Lhe que;
Assim como Ela tem pena das almas do Purgatório e abrevia seus tormentos – na medida em que convenha à nossa alma, condescenda em abreviar também essas grandes demoras;
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E que nos obtenha aquilo que queremos, sobretudo para a nossa vida espiritual.
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Em geral, toda vida espiritual tem alguma graça que está precisando receber e que fica um pouco “encalhada” por uma razão ou por outra. Às vezes, há vidas espirituais que estão todas “encalhadas”.

Vamos, então, pedir a Nossa Senhora uma graça para “desencalhar” na vida espiritual.
Li outro dia uma declaração do secretário do Departamento de Estado norte-americano a respeito do subdesenvolvimento dos países latino-americanos, afirmando que eram como um avião:
Bastava decolar que depois se mantinha por si.
Há certas almas que estão nesse estado: têm todo ímpeto para, decolando, voar. Mas falta decolar. E essa “decolagem” é uma graça que precisa ser obtida.
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Vamos pedir a Nossa Senhora que nos dê uma “decolagem”, por ocasião de Sua festa sob a invocação de Auxílio dos Cristãos.

 

A Eucaristia enquanto Sacramento - Comunhão.

Quando comungamos, não somos nós que assumimos o Corpo e o Sangue de Cristo, mas nós somos transformados por Ele, tornando-nos, de algum modo, no divino alimento que recebemos.

Uma época habituada a velocidades quase ilimitadas vai acostumando os seus filhos às informações breves e sintéticas, nas quais a reflexão salutar de outrora perde terreno, muitas vezes deixando lugar a uma desenfreada ânsia de novidades. Ora, isso pode tornar o homem propenso a ver a sua fé minguar pela falta de aprofundamento no conhecimento das realidades sobrenaturais.

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A Eucaristia fortalece os vínculos de união entre aqueles que são irmãos em Cristo;
ela é "sinal de unidade"


Missa na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, presidida pelo Núncio
Apostólico, Dom Giovanni d'Aniello
Talvez desse modo se explique a dificuldade em se abordarem, na atualidade, temas que deveriam ser muito conhecidos pelos fiéis. E o são, mas de uma forma tão superficial que quase equivale a um desconhecimento completo.

Uma definição simples na aparência

Se perguntássemos, por exemplo, a algum assíduo frequentador da Igreja, quais os benefícios trazidos por uma Santa Missa, obteríamos resposta satisfatória? Note-se estarmos nos referindo a algo profundamente vinculado à rotina dominical de um bom cristão...

E se quisermos indagar a respeito do mistério da Sagrada Eucaristia, quantos estariam em condições de nos expor essa verdade de Fé?
Alguém mais atilado dirá: "A resposta está na Bíblia! Eucaristia é a ‘Ceia do Senhor', instituída ‘na noite em que ia ser entregue' (I Cor 11, 23), conforme as palavras do próprio Salvador: ‘Tomai, comei, isto é o meu Corpo' (Mt 26, 26), ‘entregue por vós' (I Cor 11, 24). E, tomando o cálice, passou aos discípulos dizendo-lhes: ‘Bebei dele todos, pois este é o meu Sangue na Nova Aliança, que é derramado em favor de muitos, para a remissão dos pecados' (Mt 26, 27-28)".

À primeira vista, resposta completa... Entretanto, dois milênios não bastaram à Igreja Católica para extrair todos os tesouros que essa definição, aparentemente simples, contém. Somente nela, vemos aparecer as três dimensões do mistério eucarístico: "Tomai, comei", Sacramento-Comunhão; "isto é o meu Corpo", Sacramento-Presença; "entregue por vós", Sacramento-Sacrifício.1

As três dimensões da Sagrada Eucaristia

A Eucaristia, com efeito, poderia ser comparada a um triângulo equilátero: se uma das suas faces fosse ampliada ou diminuída, ele deixaria de ser equilátero. De modo análogo, precisa haver um equilíbrio perfeito entre cada um desses três aspectos do Sacramento da Eucaristia. Se um deles for enfatizado excessivamente em detrimento dos outros, corre-se o risco de o Sacramento perder sua identidade.

Ao longo da História, a Santa Igreja houve por bem realçar um ou outro aspecto da Sagrada Eucaristia, seja para refutar heresias, seja para atender anseios dos fiéis ou conveniências pastorais, a fim de colocar no devido equilíbrio a doutrina acerca dessa augustíssima instituição de Cristo. Note-se bem, a Igreja realçou um ou outro aspecto, mas sem distorcer a realidade do Sacramento.

De grande benefício para a nossa virtude da fé será o fato de nos determos alguns instantes sobre cada um desses três aspectos do Santíssimo Sacramento. Comecemos, então, pelo primeiro: a Eucaristia enquanto Comunhão, seguindo assim a ordem das palavras divinas no momento da instituição "Tomai, comei".

Traço de união entre diferentes naturezas

Quando falamos em Comunhão, vem à nossa mente a ideia de refeição, unida a um convívio estreito, familiar, amigável, em torno de uma mesa farta em iguarias e caridade fraterna. Propriamente um ágape.2 À mesa, de fato, restauram-se as forças, mas também costumam consolidar-se as amizades, rendem-se graças por benefícios recebidos, solidifica-se a união familiar e destinos de povos podem ser decididos.

Já no Antigo Testamento encontram-se eloquentes passagens mostrando essa íntima relação entre convívio e alimento. Lembremo-nos da Páscoa hebraica, na qual familiares e vizinhos conviviam com estrangeiros, suspendendo temporariamente rixas e desavenças. Juntos comiam ervas amargas em memória de dores passadas, e pães ázimos, para recordar a pressa do êxodo, ocasião em que nem houve tempo para fermentar a massa do trigo.

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A Eucaristia é "banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça
e nos é concedido o penhor da glória futura"

Por outro lado, Abraão chegou a oferecer pão para restaurar as forças, e um repasto com perfume sacrifical, a três misteriosos mensageiros celestes (cf. Gn 18, 3-5). Noutra passagem, um Anjo veio em socorro do fatigado e ígneo profeta do Carmelo, Elias, o qual recuperou suas forças depois de ter comido o pão angelical, cozido sob as cinzas com algumas brasas vivas, entregue pelo servidor angélico (cf. II Rs 19, 6).

E é curioso notar o sublime intercâmbio: Anjos alimentados por homens, homens por Anjos, e o alimento servindo de traço de união entre naturezas tão diferentes... O que dizer, então, quando o próprio Deus serve o homem com "pão do Céu" (Ex 16, 3), o maná, alimento que revigorou o povo da Aliança durante quarenta anos, a fim de que suportasse as agruras e os horrores da peregrinação?

Sem dúvida, esses episódios são figuras da Eucaristia,3 alimento da Nova Aliança, "verdadeiro Pão do Céu" (Jo 6, 48), por meio do qual Ele Se dá em alimento aos homens.
Verdadeiro alimento para o corpo e para a alma

Nosso Criador quis estabelecer a nutrição como meio de sustento para a vida da natureza humana, mas também quis servir-Se dele para ser imagem de algo muito superior no plano sobrenatural, a vida da graça. Enquanto o alimento material revigora o corpo, e exerce papel fundamental na vida social, a Eucaristia nutre a alma e é meio insuperável de, nesta Terra, convivermos com o próprio Deus e com os irmãos na Fé.

A Eucaristia é alimento genuíno, ensina Cristo no Evangelho: "minha Carne é verdadeiramente uma comida e o meu Sangue, verdadeiramente uma bebida" (Jo 6, 55). Portanto, exercem certa ação em quem comunga, de modo análogo ao que acontece com o alimento material. Entretanto, é necessário distinguir os efeitos de um e de outro.

Quando alguém se serve do alimento material, este é transformado por quem o ingere e torna-se parte integrante do corpo de quem o recebeu. Como diz o ditado popular: "o homem é aquilo que come"... Assim, por exemplo, se precisamos de vitamina C, procuramos uma dieta adequada, onde não podem faltar laranja ou acerola; ou quando temos necessidade de ferro, vamos à procura de alimentos ricos nesse elemento.

Efeito cristológico da Eucaristia

Entretanto, quando comungamos o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por Ele ser infinitamente superior a nós, não somos nós que O assumimos, mas nós somos transformados por Ele, chegando a tornar-nos, de algum modo, no divino alimento que recebemos. Ao comungarmos, podemos entender melhor a exclamação do Apóstolo: "Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gal 2, 20).

É esse o primeiro efeito que em nós produz a Sagrada Comunhão, o efeito cristológico, o qual talvez seja o que toque mais a fundo a nossa sensibilidade, pois, por esse meio, Jesus assume a carne de quem recebe a sua! "Sou o pão dos fortes; cresce e comer-Me-ás. Não Me transformarás em ti como ao alimento da tua carne, mas mudar-te-ás em Mim",4 ensina Santo Agostinho. E São Cirilo de Jerusalém assevera: "vos tornastes concorpóreos e consanguíneos com Cristo".5 Essa é, sem dúvida, a união mais entranhada que os cristãos podem ter com Nosso Senhor.

Mediante Cristo, nos unimos entre nós

O segundo efeito da Sagrada Comunhão na alma do comungante é o eclesiológico: a Eucaristia fortalece os vínculos de união entre aqueles que são irmãos em Cristo. Ela é "sinal de unidade". A própria matéria do Sacramento - pão e vinho - serviu de inspiração aos Padres da Igreja para chegarem a esta conclusão: do mesmo modo como o pão é composto por muitos grãos de trigo e o vinho, por muitos bagos de uva, assim também os cristãos, embora sendo muitos e diferentes, formam parte de um só Corpo Místico de Cristo, a Igreja Católica.

O padre Antônio Vieira, servindo-se da passagem do Evangelho que diz "quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue, permanece em Mim e Eu nele" (Jo 6, 57), comenta: "Se a união [com Cristo] fora uma só, bastava dizer: in me manet [permanece em Mim] ou ego in illo [Eu nele]; mas diz in me manet, et ego in illo duplicadamente, para significar as duas uniões que obra aquele mistério: uma união imediata, com que nos unimos a Cristo, e outra união mediata, com que, mediante Cristo, nos unimos entre nós".6

Assim, quando recebemos a Sagrada Comunhão, com as devidas disposições de alma, unimo-nos, em Cristo e na Igreja, a todos aqueles que dignamente recebem o Santíssimo Sacramento, embora estejamos fisicamente distantes, pois a vida da graça faz-nos ramos da mesma videira (cf. Jo 15, 5) e membros do mesmo Corpo, segundo as palavras do Apóstolo: "O cálice da bênção, que abençoamos, não é comunhão com o Sangue de Cristo? E o pão que partimos não é comunhão com o Corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só Corpo, pois todos participamos desse único pão" (I Cor 10, 17).

Ela é penhor da vida eterna

A Eucaristia é, pois, "sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura".7 É este o terceiro efeito que a Comunhão produz em nós, chamado escatológico, porque diz respeito aos últimos acontecimentos do homem: morte, juízo, salvação ou condenação eternas.

Penhor é a entrega de um objeto como garantia de cumprir-se certa promessa feita a alguém. Por exemplo, quando se quer determinado empréstimo do banco, pode-se penhorar uma joia. Depois de avaliada a peça, recebe-se determinada quantia, e a instituição financeira retém o objeto de valor, em sinal de garantia de que se pagará o empréstimo.

Ora, a afirmação de que a Eucaristia é "penhor da vida eterna" envolve um significado esperançoso: todas as vezes que comungamos, nas devidas condições, recebemos o penhor de passarmos pelo juízo divino e alcançarmos a vida eterna, respaldados pela afirmação do Divino Mestre: "Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6, 54). Mas, para tal, a morte deve nos colher nas disposições de alma necessárias para estarmos aptos de receber a Eucaristia, nesse momento derradeiro, ainda que por desejo.
Cristo com a Eucaristia - Museu de Arte Religiosa - Puebla - México..jpg
Jesus não poderia ter dito "isto é o meu
Corpo" ou "este é o cálice do meu Sangue",
caso não houvesse recebido um corpo das
entranhas da Virgem Maria


Cristo com a Eucaristia - Museu de Arte
Religiosa, Puebla (México)

A Santa Igreja sempre incentivou que, em perigo de morte, os cristãos recebam a Sagrada Comunhão.8 Sacramento que, in extremis, recebe o nome de Viático. Era assim que se chamava o alimento reservado para uma viagem longa, e daí deriva o nome dessa Comunhão derradeira, ministrada a quem parte definitivamente rumo à Pátria Celeste.

O III Concílio de Cartago (397) proibiu o costume difundido entre alguns cristãos, de colocar uma Hóstia consagrada na boca dos defuntos, antes de serem sepultados. Por meio de tal prática, acreditava-se que os falecidos portariam o penhor da salvação eterna. Atitude, sem dúvida, reprovável e ingênua, pois se tratava de cadáveres desprovidos de alma. Entretanto, ela não deixa de revelar quanto os cristãos tinham presente, já naquele tempo, o valioso efeito escatológico da Comunhão.

Papel da Santíssima Virgem

Delineados alguns traços da primeira dimensão da Eucaristia, deixemos as outras duas para artigos posteriores. Mas detenhamo-nos, antes de concluir, numa referência a Nossa Senhora, pois este augustíssimo Sacramento é, de algum modo, "prolongamento da Encarnação".9 Na Última Ceia, Jesus não poderia ter dito "isto é o meu Corpo" ou "este é o cálice do meu Sangue", caso não houvesse recebido um corpo das entranhas da Virgem Maria. Concebendo-O fisicamente, Nossa Senhora preparou e, em algo, antecipou a Sagrada Comunhão, tanto por ter contribuído com a realidade física do Homem-Deus, quanto por Ele ter habitado o interior do seu claustro virginal, durante nove meses.

Assim, seja o nosso "amém!", ao recebermos a Sagrada Comunhão, também um prolongamento da fé da Santíssima Virgem, quando respondeu "faça-se" ao apelo do Anjo, pelo qual Lhe anunciava que o próprio Deus seria fruto bendito do seu ventre.

(Revista Arautos do Evangelho, Junho/2016, n. 174, pp. 18 a 21)
 Pe. Alex Barbosa de Brito, EP
O cálice da Primeira Missa

Se você leitor, tivesse podido participar da última Ceia, já imaginou com que cuidado procuraria guardar na memória tudo quanto ali ocorreu? 

Cada gesto de Nosso Senhor, cada palavra d'Ele seria como um valioso tesouro de recordações para o resto de sua vida.
Mas a realidade foi outra. Apenas os Apóstolos estavam à mesa com Jesus, quando Ele celebrou a Primeira Missa. Somente eles?

Para Deus não há tempo, tudo é presente. E por isso, Nosso Senhor Jesus Cristo, ao celebrar a Última Ceia, não tinha diante de Si apenas os Doze Apóstolos. Como Deus, Ele considerava também todos os membros da Igreja que ao longoCálice da Primeira Missa.jpg dos séculos participariam do banquete eucarístico e se alimentariam de seu Corpo e Sangue. Na Santa Ceia, Ele nos tinha em vista, a todos nós, a você, leitor, e rezava ao Pai Celestial pela salvação de cada um. E, nesse sentido, nós também estivemos lá.

Por esse motivo, quando participamos da Celebração Eucarística e ouvimos o sacerdote pronunciar as palavras da Consagração, podemos fazer-nos presentes na Última Ceia, à mesa com Jesus, ouvindo seus divinos ensinamentos, recebendo de suas adoráveis mãos o Pão Eucarístico, bebendo seu Preciosíssimo Sangue ou encostando a cabeça no peito do Senhor e ouvindo o pulsar de seu Divino Coração.
Isso torna-se mais facilmente sensível quando estamos diante de uma das mais preciosas relíquias de Nosso Senhor Jesus Cristo: o Cálice que Ele usou na Última Ceia para consagrar o vinho. Poucos Papas tiveram o privilégio de celebrar com ele a Santa Missa. 

Levado para Roma por São Pedro, foi utilizado pelos Papas dos primeiros tempos, na Celebração Eucarística.
Segundo os historiadores, no Cânon Romano mais antigo encontrasse uma referência à existência desse Santo Cálice, pois no rito da consagração do vinho se dizia: "do mesmo modo, terminada a ceia, tomou este cálice glorioso em suas santas e veneráveis mãos...". Muitos opinam que "este cálice glorioso" é uma menção a um cálice concreto, ou seja, àquele que o Senhor usou na Última Ceia. Durante a perseguição do imperador Valeriano, São Lourenço o enviou para a Espanha, em meados do século III, a fim de evitar que ele caísse em poder dos pagãos. Hoje em dia, esta relíquia é venerada na Catedral de Valência.

Quando participamos da Celebração Eucarística, embora o celebrante não tenha em suas mãos uma relíquia tão preciosa, e nossos olhos apenas vejam o altar e o sacerdote, a Fé nos ensina ser Jesus que, pelos lábios do ministro sagrado, pronuncia as palavras da Consagração, como na Última Ceia. No Sacrifício Eucarístico o passado se faz presente, e também nós estamos diante de Jesus no Cenáculo, como na Primeira Missa.  

(José Antonio Dominguez- Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2006, n. 56, p. 50)