Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

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Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Fugir nunca é a solução!

Muitas pessoas diante de situações conflitantes preferem fugir dos problemas, todavia, o melhor seria enfrentar os medos, as angústias e até mesmo as dúvidas. 
 
Saiamos do esconderijo dos sentimentos negativos e procuremos desenvolver um relacionamento com o Eterno através da oração, pois é através dela que nós falamos com o nosso Pai do céu. Alguns até dizem: "mas, eu não sei orar!". E fazem tal afirmação por se basear em orações bem elaboradas e demoradas. 
Não é o como falamos e nem o tempo da oração que fará esta ser atendida. E sim a entrega confiante no terno cuidado do Senhor. 
Uma afirmação óbvia, mas parece que sempre esquecemos desta verdade: toda oração é pessoal! 
A oração envolve um contato direto entre o ser humano e Abba (nosso Papai do Céu), por isso deve ser sincera e não apenas repetições mecânicas. 
Portanto, quando desenvolvermos este relacionamento verdadeiro com o Senhor através da oração e nos quebrantarmos diante dEle teremos a solução para os nossos problemas. 
Apenas deixemos a teoria e vamos praticar! Levemos o conversar com o nosso Pai a sério, de modo que em todo tempo e lugar estejamos sempre orando no espírito.
Mãos a obra!

Obras inacabadas

Escultura de Auguste Rodin - Escultor francês

Ser obra do Artesão da vida já é bom, porém, somos mais que isso somos morada dEle. Imagine só o maior e melhor Artesão habita em nós, somos a casa que Ele escolheu para morar e não para passar férias. 
Por conta disso podemos suportas as dores do mundo, as angústias da vida, os sofrimentos existenciais e as tristezas da alma, pois Ele nos fortalece. 
Ele não está longe de nós para ficarmos procurando como Ele estivesse se escondendo, ao contrário Ele deixa-se achar por cada um de nós basta olhar bem dentro de cada um de nós. Por este motivo não olhamos para fora e sim para dentro,vamos para o centro de nós mesmos, não imploramos pela presença que está longe de nós, mas devemos ter consciência de que Ele é o Emanuel o Deus conosco.
Ser essa habitação não nos faz diferentes de ninguém, pelo contrário gera em nós a responsabilidade de levá-lo por onde passarmos. Precisamos mostrar para o mundo que o Artesão é especialista em nos dar formas com a vida. Levar ao mundo a imagem dEle como Pai bondoso e não como um carrasco que por qualquer coisa se afasta de nós e nos abandona na dor. Ele não se afasta de nós, mas nós ignoramos sua presença e acabamos nos afastando dEle. 
Somos Igrejas andantes, monges ambulantes, peregrinos e nômades, onde não se precisa de ritos, ou liturgia para entrar em sua presença, pois estamos diante dela o tempo todo, todo tempo.
O fato de levarmos dentro de nós não nos faz completamente prontos, estamos sendo trabalhados progressivamente, dia após dia, sendo lapidados com a vida. Somos obras inacabáveis até voltarmos para a Morada onde há prometida a Casa Grande do nosso Artesão. Quando chegarmos lá prontos como verdadeiras obras de artes valiosas, Ele nos olhará e dirá: “muito bem você se tornou exatamente o que eu sonhei pra você”. 
Ele já sabe como cada um de nós ficará quando ficarmos prontos, mas Ele deseja que o conteúdo dessas obras de artes seja Sua presença e vontade em nós e através de nós.
Cuidado! O mundo está repleto de pessoas que não querem ser obras de artes, mas também não quer que ninguém seja, então, farão de tudo para manchar a arte que somos, porém, se estivermos sempre em contato com o Criador, o Artesão de nossas vidas, Ele sempre nos consertará, limpará e refará. Ele sempre esta trabalhando , não para jamais, esta sempre nos restaurando com o sobro do seu Espírito, ruah santo.
 Portanto, aguardemos o acabamento, a parte final onde nos tornaremos obras completas, belas, valiosas e ornamentaremos a Casa Grande do nosso Artesão.
O Caminho é uma pessoa e seu nome é Jesus!
Graça, bondade, paz, perdão e amor...
           Que assim seja nosso caminhar!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A tentação da religião fácil -

Não está fácil ser cristão, em várias partes do mundo! Muitos estão sendo cerceados em sua liberdade de consciência, perseguidos e martirizados, apenas por serem discípulos de Jesus Cristo. São muito atuais as palavras de advertência de Jesus, ao encorajar os discípulos, falando-lhes do que os esperava: “sereis perseguidos e odiados por minha causa” (cf Lc 21, 12-19). Jesus não prometeu vida fácil a seus seguidores!
A cena de Jesus com seus discípulos no caminho para Jerusalém, retratada no Evangelho de São Mateus (cf Mt 16,21-27), é muito ilustrativa. Jesus lhes fala da própria rejeição pelas autoridades do templo de Salomão, em Jerusalém, de seus sofrimentos, morte na cruz e ressurreição ao terceiro dia. Pedro, cheio de vontade de “defender” o Mestre, quer convencê-lo a desistir do caminho para Jerusalém: “Deus te livre, isso não te acontecerá!” 

As palavras de Jesus a Pedro são duras: “vá para longe de mim, satanás! És para mim, ocasião de tropeço!” São as mesmas palavras usadas por Jesus para superar a terceira tentação no deserto, antes de iniciar sua missão pública (cf Mt 4,10). Pedro fazia o papel de “tentador” e Jesus o afastou decididamente, continuando seu caminho para Jerusalém: “tu não pensas conforme Deus, mas conforme os homens!” (cf Mt 16,23).
De qual tentação tão grave se tratava? Se Jesus desse razão a Pedro, evitaria os sofrimentos anunciados. Qual seria o mal? É que essa tentação implicava em desistir do Evangelho e da missão de Jesus. Pedro, ingenuamente, querendo impedir que algo de mal acontecesse a Jesus, acabaria desviando Jesus do seu caminho, impedindo-o de ser a testemunha fiel da verdade de Deus, de ser coerente e fiel à missão de manifestar o amor de Deus até às últimas consequências. Era uma grande tentação!
Jesus não atrai os discípulos para facilidades, vantagens, prosperidade e glórias terrenas: “se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga!” (Mt 16,24). Várias outras passagens do Evangelho retratam o convite a seguir Jesus, não por interesses pessoais, mas a abraçar de coração inteiro o Evangelho do reino de Deus por ele anunciado e tornado presente no mundo.
É antiga e sempre atual a tentação de oferecer Jesus como um “produto” para a solução mágica para todos os males, sem a exigência de verdadeira fé e conversão ao reino de Deus. Um cristianismo sem mudança de vida, sem cruz nem renúncia aos próprios projetos, sem sintonia com o projeto de Deus, sem os 10 mandamentos da lei de Deus, seria falsificar Jesus e o Evangelho!
Essa tentação insidiosa, mais do que nunca, pode ser atual em nossos dias: pretende-se apresentar um Jesus simpático e atraente, produto falsificado nas vitrines de um mercado religioso sempre mais florescente, para atrair adeptos com toda sorte de facilidades e vantagens. Lembrou o papa Francisco: uma Igreja sem Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, acabaria sendo uma espécie de “ONG do bem”, mas não seria mais a Igreja de Cristo!
Tentação perigosa, pois mexe com coisas muito sérias e induz a engano fatal: “de que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida?” – pergunta Jesus. (cf Mt 16,26). Quem busca Jesus apenas para ter vantagens pessoais, facilidades, vaidades e riquezas, não “arrisca” nada por ele; não é a Jesus e o reino de Deus que busca, mas apenas a si próprio e a seus projetos pessoais. A “renúncia a si mesmo” equivale, de fato, à primazia absoluta dada a Deus e a seus caminhos.
A “religião fácil” é uma tentação perigosa, um grave engano! No final de tudo, se não houve sincera conversão e “renúncia a si mesmo”, mesmo tendo conseguido todas as vantagens do mundo, a frustração poderá ser total.

Cristo aos pedaços...

Não querem Jesus, querem a parte suave de Jesus. Não querem o Cristo, querem a parte agradável do Cristo. Não querem a cruz, querem a parte menos dolorosa da cruz. Não querem o manto, querem a parte mais bonita daquele manto. Não querem a Bíblia, querem parte dela: a que prova que estão certos. Assim agem muitos cristãos. Assim talvez nós ajamos.
Alguns cristãos continuam querendo o melhor lado do trono, o primeiro lugar, lugar de vencedor, o melhor lugar à mesa do Senhor, o lugar mais visível do púlpito e do altar, o melhor som e os melhores holofotes, a melhor divulgação mesmo que o seu produto não seja lá tão eclesial alguma badalada a mais do sino que toca para a sua chegada uns segundos a mais de aplausos, ou algum balanço a mais do turíbulo. O perigo ronda a todos nós que lidamos com a mídia e com a multidão. 

E há quem, como Simão o Mago, ( At 8,9-24 ) faz qualquer coisa para ser chamado de apóstolo ou de profeta. Paga o seu caminho pela mídia, sabendo que, se não o fizer, ninguém o chamará.  Então ele se chama e se projeta.
Se não tomarmos cuidado, aparecer em nome da religião poderá tornar-se, sem que nos demos conta, obsessão e doença: acabamos comendo, bebendo e dormindo publicidade em nome da fé. E pensamos que é virtude. Pode parecer zelo, mas não é.
Há um ponto em que o anúncio da fé, que até então era coisa de missionário desapegado, se transforma em coisa de fanático ou em alta fonte de lucro. Depende do conteúdo, da obsessão e da ênfase que dá ao que anuncia. É tentação corrente em todas as igrejas. Ate que ponto se pode cobrar pela Palavra? Pode o empresário cobrar duas vezes mais do que o pregador? Até que ponto se pode arrecadar e quanto a arrecadação é demais?
Quando o pregador começa a falar sempre na primeira pessoa e deixa claro que não ouvirá a ninguém mais senão a Deus, estamos diante não de um santo, mas de um obcecado. Não consegue mais anunciar o Cristo sem, primeiro, se anunciar longamente. Quando gosta muito de falar de si mesmo, de contar suas histórias pessoais e de dizer que Jesus lhe disse ou está lhe dizendo alguma coisa convém que os amigos o alertem, se é que ele ainda ouve algum amigo.
Serve para mim, para os outros, serve para nós que subimos ao púlpito. Se insistimos em ficar apenas com a parte que nos interessa, nossa Bíblia encolherá, porque o cérebro já de há muito que encolheu!.
Enquanto não entendermos que aquele livro também fala contra nós não o teremos entendido. Jesus deixa claro que cobrará mais de quem diz que sabe mais sobre Ele! (Mc 12,40) ( Mt 24,24-26) Não merecem confiança. Disse que não reconhecerá quem na terra contou vantagem e fingiu ser seu confidente e quem serviu-se do seu nome ao invés de servir o seu nome. (MT 24,5) ( Mt 7,15-23)
Procura-se urgentemente uma ascese e uma sólida teologia da comunicação! Deveria ser matéria obrigatória em todos os seminários e cursos de catequese!
A Palavra de Deus: Fonte de Vida Nova!

 
As contrariedades de nossas vidas são oportunidades das graças do Pai para gerar Jesus em nós. Mesmo quando estamos em momentos difíceis, Deus não nos deixa de enviar suas graças abundantes. Para encontrarmos esta fonte de vida nova, renovada, é preciso um contato direto e íntimo com a Palavra de Deus. É ela que gera em nós este rio de água viva que não seca e que em todo instante vai gerando também vida por onde passa.
Todo formador precisa se alimentar desta Palavra para também gerar vida nova em seus formandos. Quanto mais nos tornamos íntimos da Palavra de Deus, mais se nos revela a verdade e a vontade de Deus em nossa vida e nossa missão.

Tornando-nos íntimos da palavra de Deus, são expulsos, pela força desta palavra, todos os demônios de dentro de nós. Sempre com uma vida de oração e intimidade, escuta e diálogo com o Pai, nos aproximamos Dele e ficamos abertos ao Espírito Santo.
Se nossa vida de formador está desregrada, estamos atrapalhando a grande obra de Deus. Somos convidados a examinar nossas consciências, atos, atitudes, à luz desta Palavra e sermos colaboradores fiéis, servos e amigos do Senhor.
Acolher a Palavra de Deus com mente virginal (características de um coração mariano), que recebe, dá e une. Ficar com a melhor parte (Cf. Lc 10, 41-42), estar com o Senhor para poder fazer a sua vontade.

Assim a Palavra gera em nós os sentimentos de Jesus. Deixá-la de lado é uma tentação da qual precisamos fugir para não perdermos o foco e a visão profética, que nos leva à imitação das ações de Jesus. Uma busca constante da vida de santidade inclui a leitura orante da Palavra de Deus. Não há vida de santidade sem a intimidade com a Palavra de Deus.

A Palavra de Deus proferida a mais de dois mil anos, ainda esta viva e ativa. O cego de Jericó (Mc 10,46-52); A mulher com fluxo de sangue ( Lc 8,45-46); O Ladrão na cruz (Lc 23, 39-43); Que poder! Este poder ainda está vivo. A palavra é fundamental para nós formadores, e nos acontecimentos e realidades do nosso dia a dia, e em nossas formações para guardar, permanecer, confiar, depender, abandonar-se, e cumprir esta Palavra.
São Lucas 6,20-26

Bem-aventurados vós que agora chorais, porque havereis de rir!

A postura diante de Deus e de seu Reino gerava um nítido contraste mesmo entre os discípulos de Jesus. De um lado, estavam os declarados bem-aventurados. Do outro, os que se tornaram objeto de maldição. Os primeiros eram os que viviam na pobreza, padeciam fome e choravam e eram odiados por causa de Jesus. Sua opção pelo Reino não lhes permitia pactuar com a maldade do mundo, nem os deixava cair na tentação de serem aliciados por suas falsas promessas de riqueza e bem-estar. Sua recompensa só podia vir do Pai. Assim, era possível rejubilar e saltar de alegria, mesmo padecendo privações.
No polo oposto, estavam os que não contavam efetivamente com Deus e julgavam poder construir sua salvação com as próprias mãos. Confiavam na riqueza e viviam na fartura. Sua vida era feita de alegrias efêmeras. Cuidavam de ser louvados e bem-vistos por todos. Este projeto de vida, a longo prazo, se mostraria inconsistente e seu resultado, desolador. A riqueza transformar-se-ia em privação, a fartura em fome, a alegria em luto e pranto, a fama em opróbrio. Trata-se, portanto, de um projeto de vida do qual o discípulo deve precaver-se.
Tanto as bem-aventuranças quanto as maldições referem-se aos discípulos de Jesus. Ou seja, o seguimento do Mestre nem sempre os levava a comungarem efetivamente com o projeto de Jesus. As palavras dele, pois, funcionavam como um forte alerta.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014



“O orgulho”.

“E preservai o vosso servo do orgulho, não domine sobre mim!” ( Salmo 18b,14)

 
Qual de nós gostaria de ser tachado de “orgulhoso”? Ninguém! No entanto, não há ninguém, ou praticamente ninguém, que não tenha nada de orgulho em sua alma. Para fazermos um exame sobre se somos ou não orgulhosos, sugiro ler o texto abaixo.
Há, sem dúvida, em todo ser humano uma tendência para as alturas, uma nobre ambição de desenvolver todas as suas potencialidades, porque o homem foi criado para Deus. A sua condição natural suspira por uma plenitude humana e espiritual à altura da sua dignidade de filho de Deus. Mas com esse desejo de crescimento mistura-se uma outra ambição, doentia, que consiste precisamente na supervalorização do próprio eu.

Este vai adquirindo uma importância tal que acaba por suplantar a própria realidade. Pouco a pouco, sem que o perceba, a pessoa vai deslocando o centro gravitacional de todas as coisas, que é Deus, para colocá-lo no centro medular da sua própria existência. Chega assim a considerar-se, na expressão de Protágoras, "homo mensura", a medida, o critério de todas as coisas: as coisas são altas ou baixas, são boas ou más na medida em que sejam altas ou baixas, boas ou más para ela; as pessoas são agradáveis ou desagradáveis, idôneas ou imprestáveis segundo tenham ou não a capacidade de integrar a máquina da sua própria felicidade. Sem reparar, vai-se tornando para si mesmo Deus e mundo. Como poderíamos reconhecer, em primeiro lugar, o amor-próprio? Sem dúvida, pelo alto conceito que fazemos de nós mesmos.

Por um estranho mecanismo de autossugestão, tendemos paulatinamente a agigantar a nossa imagem. Tiramos dela os defeitos e acrescentamos virtudes; supervalorizamos os aspectos positivos e minimizamos os negativos. Lembro-me de ter visto, num livro dedicado ao estudo da personalidade, o desenho de um mesmo rosto visto de três ângulos diferentes: o da esposa, o dos filhos e subordinados e o do próprio interessado. Não é preciso dizer que este último era o mais agradável dos três. O primeiro parecia triste, acabrunhado; o segundo duro, impositivo; o terceiro simpático, jovial, sorridente... Será que sofremos nós também dessa miopia para os nossos defeitos e dessa hipermetropia para as nossas qualidades?
Kierkegaard escrevia a um amigo estas palavras reveladoras: "A tua principal função é a de te enganares a ti próprio e parece que o consegues porque a tua máscara é das mais enigmáticas".
Essa função se realiza através de diversos expedientes, entre eles a justificação das próprias falhas. Com efeito, depois de cometermos um erro, tendemos a procurar com a imaginação as causas atenuantes ou dirimentes da nossa responsabilidade. E pensamos: — Não, não fui eu, foram as circunstâncias; foi o cansaço, o excesso de trabalho, a provocação dos outros, a sua falta de compreensão...

Não observamos com frequência esse tipo de reação? O estudante justifica diante dos pais a sua reprovação dizendo: "O professor é uma «droga»". O profissional, diante de um fracasso, alega: "No meio dessa corrupção generalizada, nenhuma pessoa honesta pode ser bem-sucedida". Os pais que não se empenharam na educação dos filhos argumentam perante os seus desvios: "O ambiente está péssimo".

Li uma vez não sei aonde um conselho de um chefe ao seu subordinado: "Tenha sempre em mente que todos erram. O problema é que a maioria nunca admite que a culpa foi sua, pelo menos se puder dar um jeito: acusam a esposa, o síndico, os filhos, o cachorro, o tempo, mas nunca a si próprios. Por isso, se você fizer uma tolice, não me venha com desculpas — vá primeiro olhar-se no espelho. E depois venha falar comigo".

O homem dispõe para cada um dos seus atos de um arsenal de motivos que lhe justificam o comportamento. A ciência da psicologia propagandística demonstrou que todos os impulsos de compra, até os mais absurdos, podem ser justificados mais tarde. Quando os homens adotam uma posição, geralmente defendem-na por amor-próprio até o último reduto. Daí deriva um tipo de teimosia bem característico: o das pessoas que não sabem retificar as suas posições ainda que os argumentos contrários pareçam objetivamente certos. Não dão, como se diz, "o braço a torcer". Quem sai lucrando com essas falsas justificativas? Somente a nossa falsa imagem. Somente o orgulho. A personalidade verdadeira fica lá no fundo, abafada, atrofiada, condenada ao raquitismo pela insinceridade (Rafael Llano Cifuente, “Egoísmo e Amor”, Ed. Quadrante, São Paulo).
Este é um sinal claro do nosso orgulho: a miopia para os nossos defeitos e a hipermetropia para as nossas qualidades. Será que isso acontece comigo?
Façamos o propósito de tirar todo o orgulho da nossa alma e seremos muito mais felizes!!!

Pe.Emílio Carlos Mancini