Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

Para você entrar em nossos artigos click nas imagens nas laterais e encontrarás os lincks dos artigos postados.

Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

sexta-feira, 8 de abril de 2016



Ave, Mãe de Misericórdia, Mãe de Deus e Mãe do perdão

                                                   ( Ícone da Encarnação)

“Salve, Mãe de Misericórdia, Mãe de Deus e Mãe do perdão, Mãe da esperança e Mãe da graça, Mãe cheia de santa alegria”. Nestas poucas palavras encontramos a síntese da fé de gerações de pessoas, que mantêm os olhos fixos no ícone da Virgem, pedindo a sua intercessão e consolação. (...)

Assim, alcancemos a Porta Santa da Misericórdia, certos da companhia da Virgem Maria, Santa Mãe de Deus, que intercede por nós. Deixemos que Ela nos acompanhe, para que consigamos redescobrir a beleza do encontro com seu Filho Jesus. Abramos totalmente o nosso coração para a alegria do perdão, conscientes da esperança confiante que nos foi dada, para que façamos de nossa existência quotidiana, um humilde instrumento do amor de Deus.

E com o amor de filhos, vamos aclamá-la com as mesmas palavras do povo de Éfeso, no momento do Concílio histórico: “Santa Mãe de Deus!”. E convido-vos, todos juntos, para fazer esta aclamação três vezes, forte, com todo o coração e amor, todos juntos: ‘Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus!'”

Aqui está uma oração nascida no coração de Marta Robin (1902-1981), mística católica, fundadora dos Foyers de Charité (Lares de Caridade), atualmente, disseminados pelos cinco continentes:

Ó Mãe de Misericórdia- "Sede o socorro, o apoio de todos os pobres aflitos, o consolo dos que choram, o remédio dos enfermos, suplico-Vos, ó Maria. Vós sois a filha amada de Deus Pai, a Mãe imaculada de Deus Filho, a esposa do Espírito Santo, Vós, que o Arcanjo saudou, cheia de graça, sede nosso advogada, intercedei e pedi misericórdia para os pecadores.

“Ó Maria, sede a estrela que me guia, minha luz na escuridão, minha coragem nas dificuldades, meu refúgio na dor. Ó Maria, plena de Clemência, ó minha Mãe, não me abandoneis jamais. Dai-me, logo partilhar vossa felicidade na felicidade dos Anjos e dos Santos.

“O Virgem! Mais pura do que o Céu, protegei-me, protegei a minha família querida, protegei todos os vossos filhos, cumulai-nos com os vossos favores, adornai-nos com as vossas virtudes. Vós sois nossa advogada, intercedei e pedi misericórdia para os vossos pobres pecadores.” (Marta Robin)

“Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”.

08/04/2016 Sexta-feira 2ª Semana da Páscoa

Foto de Emilio Carlos Mancini. Evangelho de Jesus Cristo segundo João 6,1-15

Naquele tempo, Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”.
Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes.
Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!” Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte. - Palavra da Salvação.

Comentário:

O capítulo sexto do evangelho de São João é reservado para o discurso sobre o sacramento da Eucaristia, e Jesus, no uso da sua pedagogia, prepara os judeus para esse discurso através da multiplicação dos pães. A prática pedagógica de Jesus deve ser o grande iluminativo para a nossa prática missionária, pastoral e evangelizadora. 

Nós devemos anunciar o evangelho a partir da realidade das pessoas, de suas experiências de vida, dos seus valores e das suas expectativas. Antes de anunciar a Palavra de Deus, precisamos criar a necessidade dela no coração das pessoas como Jesus, que a partir da necessidade do pão, cria a necessidade do pão da vida eterna.

A multiplicação dos pães levou a multidão a considerar Jesus como o verdadeiro profeta, aquele que todos esperavam, desde longa data.
O fato de ter alimentado uma imensa multidão, contando apenas com cinco pães de cevada e dois peixes, revelou-se como sinal inequívoco da messianidade de Jesus.
 
Daí o desejo do povo de fazê-lo rei, na esperança de que todos os seus problemas fossem resolvidos da mesma forma eficiente e rápida, que acabavam de presenciar.
Foi grande a expectativa criada em torno dele. Todavia, Jesus não se deixou levar por tal raciocínio demasiado pragmático.
O povo não havia entendido o sentido do milagre, uma vez que o consideravam apenas sob o aspecto material de superação da fome pela abundância de pão.
 
O objetivo visado por Jesus era bem outro: ensinar a todos que a partilha fraterna é um sinal irrefutável da presença do Reino, acontecendo na história humana. Por outras palavras: a partilha é um imperativo na vida de quem aderiu ao Reino, fazendo dele o centro de sua vida. Ou seja, o milagre dependeu da postura interna de cada pessoa, e não somente da iniciativa de Jesus.
O Mestre é o verdadeiro profeta não porque multiplicou os pães de forma prodigiosa, à revelia das pessoas, e sim, porque abriu o coração humano para o amor, muito bem expresso na partilha dos bens.
REZE  o Salmo 23:


O   Senhor   é   o   Meu   Pastor ...  Isso  é   Relacionamento ! !   
------------------
 Nada   Me Faltará...  Isso   é   Suprimento  ! ! 
-----------------------
Caminhar   Me Faz   Por   Verdes   Pastos...  Isto  é   Descanso  ! ! 
-----------------------
Guia - Me Mansamente   A   Águas   Tranquilas
...  Isso   é   Refrigério  ! !
-----------------------
Refrigera  Minha   Alma ...   Isto   é   Cura  ! ! 
-----------------------
Guia  -  Me Pelas   Veredas  Da   Justiça  .. Isto  é   Direção  ! ! 
-----------------------
Por   Amor   Do   Seu   Nome ...  Isso  é   Propósito  !!
-----------------------
Ainda   Que   Eu   Andasse   Pelo   Vale   Da   Sombra   Da   Morte ...  Isto  é   Provação  !!
-----------------------
Eu   Não   Temeria   Mau   Algum ...   Isso   é   Proteção  ! ! 
-----------------------
Porque   Tu   Estás   Comigo...  Isto   é   Fidelidade    ! !
-----------------------
A   Tua   Vara   e   o   Teu   Cajado   Me Consolam...  Isso  é   Esperança  ! ! 
-----------------------
Unge   a   Minha   Cabeça   Com   Óleo...  Isto   é   Consagração   ! ! 
-----------------------
E   o   Meu   Cálice   Transborda...  Isso   é   Abundância   ! ! 
-----------------------
Certamente   Que   a   Bondade   e   a   Misericórdia   Me Seguirão   Todos   Os   Dias   Da   Minha   Vida ...  Isto   é   Benção  ! ! 
-----------------------
E   Eu   Habitarei   Seguro   Na   Casa   Do   Senhor...  Isso   é   Segurança  ! ! 
-----------------------
Por   Longos   Dias ...  Isso   é   Eternidade  !

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Os Cinco Mandamentos da Igreja Católica

A lei moral é obra da Sabedoria divina. Podemos defini-la, em sentido bíblico, como uma instrução paterna, uma pedagogia de Deus. Ela prescreve ao homem os caminhos, as regras de procedimento que o levam à bem-aventurança prometida e lhe proíbe os caminhos do mal, que desviam de Deus e do seu amor. E, ao mesmo tempo, firme nos seus preceitos e amável nas suas promessas. (CIC-1950)
A lei é uma regra de procedimento emanada da autoridade competente em ordem ao bem comum. A lei moral pressupõe a ordem racional estabelecida entre as criaturas, para seu bem e em vista do seu fim, pelo poder, sabedoria e bondade do Criador. Toda a lei encontra na Lei eterna a sua verdade primeira e última. A lei é declarada e estabelecida pela razão como uma participação na providência do Deus vivo, Criador e Redentor de todos. «Esta ordenação da razão, eis o que se chama a lei» (01). (CIC-1951) 

Cinco Mandamentos da Igreja
1.    Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho.
2.    Confessar-se ao menos uma vez por ano.
3.    Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da Ressurreição.
4.    Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja.
5.    Ajudar a Igreja em suas necessidades.
Vida moral e Magistério da Igreja
A Igreja, «coluna e fundamento da verdade» (1Tm 3,15), «recebeu dos Apóstolos o solene mandamento de Cristo de anunciar a verdade da salvação» (02). «À Igreja compete anunciar sempre e em toda a parte os princípios morais, mesmo de ordem social, bem como emitir juízo acerca de quaisquer realidades humanas, na medida em que o exigirem os direitos fundamentais da pessoa humana ou a salvação das almas» (03). (CIC-2032)
O Magistério dos pastores da Igreja, em matéria moral, exerce-se ordinariamente na catequese e na pregação, com a ajuda das obras dos teólogos e autores espirituais. Assim se transmitiu, de geração em geração, sob a égide e a vigilância dos pastores, o «depósito» da moral cristã, formado por um conjunto característico de regras, mandamentos e virtudes procedentes da fé em Cristo e vivificados pela caridade. Esta catequese tomou por fundamento, tradicionalmente, a par do Credo e do Pai Nosso, o Decálogo, que enuncia os princípios da vida moral válidos para todos os homens. (CIC-2033)
A Lei de Deus, confiada à Igreja, é ensinada aos fiéis como caminho de vida e de verdade. Os fiéis têm, portanto, o direito (04) de serem instruídos sobre os preceitos divinos salvíficos que purificam o juízo e, com a graça, curam a razão humana ferida. E têm o dever de observar as constituições e decretos emanados da autoridade legítima da Igreja. Mesmo que sejam disciplinares, tais determinações requerem docilidade na caridade. (CIC-2037)
Os preceitos da Igreja
Os preceitos da Igreja inserem-se nesta linha duma vida moral ligada à vida litúrgica e nutrindo-se dela. O carácter obrigatório destas leis positivas, promulgadas pelas autoridades pastorais, tem por fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável de espírito de oração e de esforço moral e de crescimento no amor a Deus e ao próximo. (CIC-2041)
Os preceitos mais gerais da Igreja são cinco:
O primeiro preceitoOuvir missa inteira e abster-se de trabalhos servis nos domingos e festas de guarda») exige aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, bem como as principais festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos, que a Igreja declara como sendo de preceito, sobretudo participando na celebração eucarística em que a comunidade cristã se reúne e descansando de trabalhos e ocupações que possam impedir a santificação desses dias (05). (CIC-2042)
O segundo preceitoConfessar-se ao menos uma vez em cada ano») assegura a preparação para a Eucaristia, mediante a recepção do sacramento da Reconciliação que continua a obra de conversão e perdão do Batismo (06).
O terceiro preceitoComungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição») garante um mínimo na recepção do Corpo e Sangue do Senhor, em ligação com as festas pascais, origem e centro da liturgia cristã (07).
O quarto preceitoGuardar abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja») assegura os dias de ascese e de penitência que nos preparam para as festas litúrgicas e contribuem para nos fazer adquirir domínio sobre os nossos instintos e a liberdade do coração (08). (CIC-2043)
O quinto preceitoProver as necessidades da Igreja, segundo os legítimos usos e costumes e as determinações») aponta ainda aos fiéis a obrigação de prover, às necessidades materiais da Igreja consoante as possibilidades de cada um (09).
Descumprir os Mandamentos é pecado?
Tentado pelo Diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança no seu Criador (10). Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem (11). Daí em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na sua bondade. (CIC-397)
(Lc 10,16) Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou. (Mt 18,18) Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu.
1 - Leão XIII, Enc. Libertas praestantissimum: Leonis XIII Acta 8. 218: São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1-2, q. 90. a. 1: Ed. Leon. 7, 149-150.
2 - II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 17: AAS 57 (1965) 21.
3 - CIC can. 747, § 2.
4 - Cf. CIC can. 213.
5 - Cf. CIC can. 1246-1248: CCEO can. 880, § 3, 881, §§ 1.2.4.
6 - Cf. CIC can. 989: CCEO can. 719.
7 - Cf. CIC can. 920: CCEO can. 708. 881, § 3.
8 - Cf. CIC can. 1249-1251; CCEO can. 882.
9 - Cf. CIC can. 222: CCEO can. 25. As Conferências Episcopais podem, para além destes, estabelecer outros preceitos eclesiásticos para o seu território: cf. CICcan. 455.
10 - Cf Gn 3, 1-11.
11 - Cf. Rm 5, 19.

O que são os sacramentais?

São sinais sagrados, pelos quais à imitação dos sacramentos, são significados efeitos espirituais, obtidos pela intercessão da Igreja. Pelos sacramentais os fiéis se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas situações da vida. (SC,60).
O objetivo dos sacramentais é consagrar toda a vida do homem a Deus e também o seu ambiente de vida, para que ele esteja livre dos perigos e voltado sempre para Deus, livrando-os sempre dos pecados. 

Os sacramentais são sinais sagrados, de dois tipos: 
 
1 – objetos (medalhas, crucifixos, rosários, escapulários…), e 
 
2- orações: a) bênçãos (alimentos, oficinas, casas, carros, imagens, máquinas, campos, doentes, etc.); b) consagrações (igreja, altar, cálice, Abade, Virgem, criança após o batismo, esposa, esposo,…) e c) exorcismos.
O número dos sacramentais é muito grande; à medida que se diversificam as situações da vida moderna, a Igreja também diversifica e aumenta as suas orações; pois nada é profano na vida do homem. Diz a Sacrossantum Concilium que “quase não há uso honesto de coisas materiais que não possa ser dirigido à finalidade de santificar o homem e louvar a Deus” (SC, 61).
É preciso entender que a eficácia santificadora dos sacramentais é diferente dos sacramentos. Ela tem a sua força na oração da Igreja e das disposições da pessoa que recebe ou utiliza o sacramental. Esta eficácia é chamada de “ex opere operantis Ecclesiae”, depende da fé e devoção do ministro e do fiel. Nos sacramentos é diferente, sua eficácia (realização) independe da santidade dos ministros e do fiel, pois é ação de Cristo (ex opere operato).
Não se pode exagerar o valor do sacramental, como se fosse um rito mágico ou um amuleto, superstição ou fanatismo. Por outro lado, não se pode desprezar o seu valor, pois o Concílio Vaticano II reafirmou o seu valor e a sua necessidade.
O homem é o lugar-tenente de Deus no mundo, e deve domina-lo pela técnica e pelo trabalho. Os sacramentais o protegem do mal e não o deixa colocar Deus em segundo lugar. O povo gosta dos sacramentais; quando a Igreja não os dá ao povo, este corre o sério risco de buscar as superstições, amuletos, benzedeiras, etc.
                    O Catecismo da Igreja nos ensina sobre os sacramentais:
§1667 – “A santa mãe Igreja instituiu os sacramentais, que são sinais sagrados pelos quais, à imitação dos sacramentos, são significados efeitos principalmente espirituais, obtidos pela impetração da Igreja. Pelos sacramentais os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida” (SC 60; CDC, cân. 1166).
§1677 – Chamamos de sacramentais os sinais sagrados instituídos pela Igreja, cujo objetivo é preparar os homens para receber o fruto dos sacramentos e santificar as diferentes circunstâncias da vida.
§1678 – Entre os sacramentais, ocupam lugar as bênçãos. Compreendem ao mesmo tempo o louvor a Deus por suas obras e seus dons e a intercessão da Igreja, a fim de que os homens possam fazer uso dos dons de Deus segundo o espírito do Evangelho.
§1679 – Além da liturgia, a vida cristã se nutre de formas variadas de piedade popular, enraizadas em suas diferentes culturas. Velando para esclarecê-las à luz da fé, a Igreja favorece as formas de religiosidade popular que exprimem um instinto evangélico e uma sabedoria humana e que enriquecem a vida cristã.
§1676 – Há necessidade de um discernimento pastoral para sustentar e apoiar a religiosidade popular e, se for o caso, para purificar e retificar o sentido religioso que embasa essas devoções e para fazê-las progredir no conhecimento do mistério de Cristo (cf. CT 54). Sua prática está sujeita ao cuidado e julgamento dos bispos e às normas gerais da Igreja (cf CT 59).
“A religiosidade do povo, em seu núcleo, é um acervo de valores que responde com sabedoria cristã às grandes incógnitas da existência. A sabedoria popular católica tem uma capacidade de síntese vital; engloba criativamente o divino e o humano, Cristo e Maria, espírito e corpo, comunhão e instituição, pessoa e comunidade, fé e pátria, inteligência e afeto. Esta sabedoria é um humanismo cristão que afirma radicalmente a dignidade de toda pessoa como filho de Deus, estabelece uma fraternidade fundamental, ensina a encontrar a natureza e a compreender o trabalho e proporciona as razões para a alegria e o humor, mesmo em meio de uma vida muito dura. Essa sabedoria é também para o povo um princípio de discernimento, um instinto evangélico pelo qual capta espontaneamente quando se serve na Igreja ao Evangelho e quando ele é esvaziado e asfixiado com outros interesses” (Doc. Puebla, 448; cf. EN, 48).
Retirado do livro OS SETE SACRAMENTOS, Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A vocação: Chamado de Deus, resposta do homem

A vocação, especialmente a religiosa, é expressão da bondade divina. O fato de recebermos de Deus uma missão particular é garantia de não termos sido criados "por acaso".

Todo homem se interroga sobre a finalidade de sua existência. Quem sou eu? Para que existo? Qual é meu projeto de vida, de acordo com as qualidades e apetências que sinto em mim?
Santo Inácio de Loyola.jpg
Santo Inácio de Loyola - Paróquia
de Santo Isidoro, Sevilha (Espanha)
Tais perguntas costumam aparecer já na adolescência, mas podem também surgir repentinamente, em qualquer momento da vida, sobretudo diante de situações inesperadas que nos levam a perguntar-nos: "Qual é afinal a minha vocação?".

Em que consiste a verdadeira vocação

A palavra vocação provém do substantivo latino vocatio, que significa chamado, convocação.

Em linguagem familiar, ela costuma identificar-se com o desejo natural de uma pessoa de exercer determinada profissão, em função de um conjunto de qualidades que a torna especialmente apta para isso. De um jovem com senso prático e facilidade para as matemáticas se dirá que está chamado a ser engenheiro; de outro com especiais dotes artísticos se dirá que tem vocação de pintor, e assim por diante.

Essa correlação entre as qualidades pessoais e o rumo que damos à nossa existência não deixa de ser verídica, mas aqui analisaremos o tema sob o aspecto religioso e sobrenatural. Deus criou cada ser humano diferente dos demais, e o chama a exercer um papel único no conjunto da criação. Nisto consiste a nossa verdadeira vocação.

Todos os homens são chamados a serem filhos de Deus, a louvá-Lo, reverenciá-Lo e servi-Lo, e mediante isto salvar a alma, segundo a conhecida expressão de Santo Inácio de Loyola. Mas cada qual realiza esta vocação geral seguindo uma via particular: a maior parte dos homens exercendo uma profissão e formando uma família; outros, fazendo parte de uma comunidade religiosa; outros, por fim, santificando os demais por meio da administração dos Sacramentos.

Em qualquer um desses estados de vida, inclusive no laical, a vocação é a expressão do amor de Deus. Ela leva o homem a sair de si mesmo e ir ao seu encontro, perguntando-se: "O que quer Deus de mim?".

Diálogo entre Deus e o escolhido

Quando a pessoa corresponde a esse chamado, produz-se uma união entre o humano e o divino, entre o tempo e a eternidade, entre a criatura e o Criador. É através da vocação específica de cada um que Deus entra em diálogo com o escolhido, dando-lhe oportunidade de traçar um projeto de vida orientado ao seu próprio bem e ao do conjunto do qual faz parte. Por meio da vocação o homem colabora, de alguma maneira, na construção do Reino de Deus no mundo.

Assim sendo, a vocação resulta numa maneira particular de a pessoa ver, apreciar e amar a Deus, que, em seguida, desdobra-se em ações concretas. Viver a vocação pessoal na plenitude contribui para a formação de uma sociedade verdadeiramente cristã. 

O jovem rico do Evangelho - Pinacoteca Nacional de Bolonha (Itália).jpg
O jovem rico do Evangelho - Pinacoteca Nacional de Bolonha (Itália)

Essa vocação deve ser entendida, portanto, a partir de uma ­dupla perspectiva: por parte Deus que chama, e por parte do homem, que deve responder com generosidade ao apelo divino. "Vocação e projeto de vida são as duas faces, divina e humana, de uma mesma realidade psicológica profundamente humana".

Mas como discernir o projeto de Deus para mim? A resposta a esta pergunta se obtém com muita oração e humildade de coração. Deus sempre dá as luzes necessárias para isto, sobretudo no caso daqueles que são chamados a seguir as vias da perfeição dentro do estado religioso.

Um chamado que exige resposta generosa

Essa interação entre o humano e o divino é notória em certas passagens das Sagradas Escrituras, nas quais encontramos homens e mulheres sendo chamados para uma missão concreta que os obriga a mudar por completo seu projeto inicial. Os planos da Providência se apresentam de modo repentino diante deles, obrigando-os a dar uma resposta imediata e radical.

Já nas origens do povo de ­Israel constatamos um caso típico em Abraão. Deus lhe ordenou "Sai de tua terra" (Gn 12, 1), e o patriarca "partiu, como o Senhor lhe havia dito" (Gn 12, 4). Obedeceu sem hesitar, não exigiu sinal divino nem colocou condições.

Diversa foi, entretanto, a reação de Moisés ao ouvir: "E agora, vai! Eu te envio ao faraó para que faças sair o meu povo, os israelitas, do Egito". O peremptório mandato divino foi seguido de uma atitude dubitativa: "Quem sou eu para ir ao faraó e fazer sair os israelitas do Egito?" (Ex 3, 10-11).

Moisés sente-se incapaz de tão grande tarefa, mas Deus não aceita objeções. Para confirmar a origem divina do encargo, o escolhido recebe um sinal: "‘Joga a vara no chão', disse o Senhor. Ele jogou-a no chão, e a vara se tornou uma serpente" (Ex 4, 3). A seguir, para ajudá-lo a ter a força necessária, o Senhor afirma: "Vai, pois, Eu estarei contigo quando falares, e ensinar-te-ei o que terás de dizer" (Ex 4, 12).
Abraão se dirige ao Vale de Canaã, por Antoine Étex - Igreja de São Pedro.jpg
Abraão se dirige ao Vale de Canaã, por Antoine Étex - Igreja de São Pedro
Nestes dois exemplos fica claro que a vocação é sempre uma iniciativa de Deus e não depende das qualidades da criatura. Há um chamado que exige uma resposta generosa, baseada na fé e sem divagações, uma doação de si.

Cristo nos pede segui-Lo em uma vida nova

Também no Novo Testamento encontramos muitos exemplos de relatos vocacionais caracterizados, neste caso, por serem feitos em e através de Cristo. "Ele é quem dá significado a todos os chamados. Ele é o protagonista; tem consciência de sua missão de profeta e salvador e nos convida a dela participar".

O Messias começa sua vida pública chamando pessoalmente Pedro e André, seus primeiros discípulos: "Vinde após Mim e vos farei pescadores de homens" (Mt 4, 19). Passando adiante, chama também Tiago e João (cf. Mt 4, 20). E no dia seguinte encontra Filipe e diz-lhe: "Segue-Me" (cf. Jo 1, 43).

Cristo usa a vocação como um meio para reunir em torno de Si os Doze, mas estende também a outros este apelo (cf. Mc 3, 13-14), inclusive aos pecadores (cf. Mt 9, 13). "Toda a sua pregação tem algo que envolve uma vocação: um chamado a segui-Lo numa vida nova".

A resposta afirmativa a esse chamado vem acompanhada de uma ­garantia eterna: "Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me" (Mt 19, 21) - disse Jesus ao moço rico.

Um amigo exigente que indica metas altas


Para os convocados a seguirem os conselhos evangélicos na vida religiosa, Jesus faz uma proposta radical ante a qual todo o resto perde importância. A eles se aplicam com toda propriedade as palavras: "Se alguém Me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me" (Mc 8, 34). 

Moisés e a sarça ardente - Museu de Guadalajara (Espanha).jpg
Moisés e a sarça ardente - Museu de Guadalajara (Espanha)
Isto significa estar pronto para suportar, pelo esquecimento do próprio eu por amor a Jesus, todas as dificuldades que possam surgir ao longo do caminho. "É dar a Ele a preferência sobre todas as coisas, sobre si mesmo, sobre a vida, dispostos para a morte".

"Jesus é um amigo exigente que indica metas altas", afirma São João Paulo II. Esta proposta, acrescenta, "pode parecer difícil e em alguns momentos pode mesmo meter medo. Mas - pergunto-vos - será ­melhor resignarem-se a uma vida sem ideais, a um mundo construído à vossa própria imagem e semelhança, ou, pelo contrário, procurar generosamente a verdade, o bem, a justiça, e trabalhar por um mundo que espelhe a beleza de Deus, mesmo que com o custo de se ter de enfrentar as provas que isso comporta?".

A vocação é expressão da bondade divina

Embora o chamado seja individual, há nele uma dimensão comunitária que não pode deixar de ser lembrada neste artigo.

Tendo sido chamados por Deus à comunhão com seu Filho (cf. I Cor 1, 9), é necessário vivermos esta comunhão no Espírito, que anima o Corpo Místico de Cristo na diversidade dos seus dons (cf. I Cor 12, 4). A união de cada batizado com o Filho de Deus supõe a união de todos num mesmo Corpo (cf. At 4, 32), sob a direção dos pastores; quer dizer, a comunidade dos que foram chamados pelo Senhor, ou seja, a Igreja. Por isto Paulo afirma: "Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança" (Ef 4, 4).

É por meio do cumprimento da vocação que colocamos a serviço do próximo as qualidades a nós dadas por liberalidade. No final de nossas vidas teremos de prestar a Deus contas de nosso comportamento em relação aos outros e a nós mesmos, dos talentos recebidos em função de nossa vocação. "A Palavra de Deus nos assegura que este chamado é um plano de bem, de beleza e de paz pelo qual cada um de nós, com a ajuda do Senhor Jesus, poderá - se quiser - responder ao amor com o amor".
Vocação de São Pedro e Santo André, por Juan de Roelas - Museu de Belas Artes de Bilbao (Espanha).jpg
 Vocação de São Pedro e Santo André, por Juan de Roelas - Museu de Belas Artes de
Bilbao (Espanha)
A vocação é, portanto, expressão da bondade divina. O fato de recebermos uma missão particular é sinal de predileção, uma garantia de não termos sido criados "por acaso", do zelo de Deus por nós e do seu desejo de salvar-nos.

"A vocação é, antes de tudo, dom de Deus: não se trata de escolher, mas de ser escolhido; é resposta a um amor que precede e acompanha. Para quem se torna dócil à vontade do Senhor, a vida se torna um bem recebido que tende, por natureza, a se transformar em oferta e dom". Devemos responder generosamente ao chamado de Deus, com a certeza de estar realizando um ato liberador. "De fato, o dom de Deus não anula a liberdade do homem, antes a suscita, desenvolve e exige". É nesta adesão à vontade divina que se encontra a verdadeira felicidade.


«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito»

O Pai enviou-nos o seu Filho, que é «o melhor dom, o dom perfeito» (Tg 1,17). 
O melhor dom, que nada ultrapassa; o dom perfeito, ao qual nada se pode acrescentar.

Cristo é o melhor dom porque Aquele que o Pai assim nos dá é o seu Filho, soberano, eterno como Ele. 
Cristo é o dom perfeito; tal como diz o apóstolo Paulo, «com Ele, Deus deu-nos tudo» (Rom 8,32).
[...] Deu-nos Aquele «que é a cabeça da Igreja» (Ef 5,23). 
Não podia dar-nos mais. Cristo é o dom perfeito porque, quando no-Lo deu, o Pai levou, através dele, todas as coisas à sua perfeição.
«O Filho do homem», diz S. Mateus, «veio salvar o que estava perdido» (18,11). 
É por isso que a Igreja exclama: «Cantai ao Senhor um cântico novo» (Sl 97,1), como que para dizer: Fiéis, a quem o Filho do homem salvou e renovou, cantai um cântico novo, porque deveis «rejeitar tudo o que é antigo, agora que os frutos novos vos são dados» (Lv 26,10).
Cantai, porque o Pai «fez maravilhas» (Sl 97,1) quando nos enviou o dom perfeito, o seu Filho. 
«Diante das nações, fez erguer a sua justiça» (Sl 97,2), quando nos deu o dom perfeito, o seu Filho único, que justifica as nações e realiza a perfeição de todas as coisas. 

Santo Antônio de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para os domingos e festas dos santos