Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

Para você entrar em nossos artigos click nas imagens nas laterais e encontrarás os lincks dos artigos postados.

Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

sábado, 27 de julho de 2013

Pérola do dia: 

UM SONHO MAIOR



Que o tamanho do meu Deus venha determinar o tamanho dos meus sonhos. William Carey

É necessário que você tenha consigo algo que o motive a viver além do aqui e do agora. 
A qualidade da sua jornada nesta vida depende de quão envolvente e empolgante é o destino que você está procurando alcançar.
Um destino, pela sua própria definição, tem a ver com algo além do presente. 
Qual é o seu destino? 
Qual é o grau do seu compromisso com ele? 
Se você se encontra continuamente fora da sua rota, talvez é porque tudo o que você necessita é de um sonho maior. 
William Carey estava absolutamente certo ao afirmar que o tamanho do seu Deus é que iria determinar o tamanho dos seus sonhos.
Muito possivelmente o que você desesperadamente necessita é de voltar ao seu primeiro amor. 
É se encontrando com Deus que você tem o seguro acesso aos seus sonhos. 
Sonhe grandes sonhos, permita que eles o motivem e o envolvam porque, quando eles se tornam relevantes, você será irresistivelmente atraído a eles. 
Só mesmo quem valoriza e respeita o seu próprio futuro é que pode transformá-lo em algo brilhante.

Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.  Salmos 31,24

sexta-feira, 26 de julho de 2013



17º Domingo do Tempo Comum - Ano C               

Recebestes o espírito de adoção filial; nele clamamos: «Abba, ó Pai».

 
O tema fundamental que a liturgia nos convida a refletir, neste domingo, é o tema da oração.
Ao colocar diante dos nossos olhos os exemplos de Abraão e de Jesus, a Palavra de Deus mostra-nos a importância da oração e ensina-nos a atitude que os crentes devem assumir no seu diálogo com Deus.

A primeira leitura sugere que a verdadeira oração é um diálogo “face a face”, no qual o homem – com humildade, reverência, respeito, mas também com ousadia e confiança – apresentam a Deus as suas inquietações, as suas dúvidas, os seus anseios e tenta perceber os projetos de Deus para o mundo e para os homens.

O Evangelho senta-nos no banco da “escola de oração” de Jesus. Ensina que a oração do crente deve ser um diálogo confiante de uma criança com o seu “papá”. Com Jesus, o crente é convidado a descobrir em Deus “o Pai” e a dialogar frequentemente com Ele acerca desse mundo novo que o Pai/Deus quer oferecer aos homens.

A segunda leitura, sem aludir diretamente ao tema da oração, convida a fazer de Cristo a referência fundamental (neste contexto de reflexão sobre a oração, podemos dizer que Cristo tem de ser a referência e o modelo do crente que reza: quer na frequência com que se dirige ao Pai, quer na forma como dialoga com o Pai).

LEITURA I – Gen 18,20-32
 
Este texto do Livro do Gênesis vem na sequência da primeira leitura do passado domingo. Depois de terem deixado a tenda de Abraão, os três personagens dirigiram-se para a cidade de Sodoma, a fim de constatar “in loco” o pecado dos habitantes da cidade. Abraão acompanhou os seus visitantes divinos durante algum tempo. O autor jahwista situa num lugar alto, a Este de Hebron – de onde se avista Sodoma (cf. Gn 19,27) – esse diálogo entre Abraão e Deus que o texto nos apresenta.
Sodoma era uma cidade antiga, que se supõe ter existido nas margens do Mar Morto, ao sul da península de El-Lisan. De acordo com as lendas, foi uma das cidades destruídas (as outras teriam sido Gomorra, Adama, Seboim e Segor) por um cataclismo que ficou na memória do povo bíblico. Alguns estudiosos modernos têm procurado uma explicação para a lenda na geologia da área: a região fica situada na falha do vale do Jordão, numa zona sujeita a terremotos e a atividades vulcânicas. Depósitos de betume e de petróleo têm sido descobertos nesta região; e alguns escritores antigos atestam a presença de gases que, uma vez inflamados, poderiam causar uma terrível destruição, do tipo relatado em Gn 19. Terá sido isso que aconteceu nessa zona?
É, provavelmente, essa recordação de um antigo cataclismo que, em tempos imemoriais, destruiu a área, que originou a reflexão que esta leitura nos apresenta. Poder-se-ia pensar que um acontecimento pré-histórico muito remoto, cujos traços enigmáticos eram ainda visíveis no tempo de Abraão (como o são ainda hoje), tenha excitado a fantasia religiosa, no sentido de procurar as causas de uma tão terrível catástrofe.
O diálogo que a primeira leitura de hoje nos propõe é um texto de transição que serve para ligar a lenda de Mambré com as lendas que relatam a destruição de Sodoma e das cidades vizinhas. Os autores jahwistas aproveitaram o ensejo para propor uma catequese sobre o peso que o justo e o pecador têm diante de Deus.
 Deus prepara-se para iniciar a “investigação”, a fim de constatar da culpabilidade ou da não culpabilidade de Sodoma. É precisamente aí que o autor jahwista resolve inserir essa pergunta fundamental que o inquieta: que acontecerá se essa “investigação” revelar a existência na cidade de um pequeno grupo de justos? Deus vai castigar toda a comunidade? Será que um punhado de justos vale tanto que, por amor deles, Deus esteja disposto a perdoar o castigo a uma multidão de culpados?
A ideia de que um punhado de “justos” possa salvar a cidade pecadora é, em pleno séc. X a.C. (a época do jahwista), uma ideia revolucionária. Para a mentalidade religiosa dos israelitas desta altura, todos os membros de uma comunidade (família, cidade, nação) eram solidários no bem e no mal; se alguém falhasse, o castigo devia, invariavelmente, derramar-se sobre o grupo. No entanto, os catequistas jahwistas atrevem-se a sugerir que talvez a “justiça” de uns tantos seja, para Deus, mais importante do que o pecado da maioria. Apesar de tudo, ainda estamos longe da perspectiva da retribuição e da responsabilidade individuais: essas ideias só serão consagradas pela catequese de Israel a partir do séc. VI a.C. (época do exílio na Babilônia).
O problema que Abraão procura resolver é, portanto, se aos olhos de Deus um grupo de “justos” tem tal peso que, por amor deles, Deus esteja disposto a suspender o castigo que pesa sobre toda a coletividade. Os números sucessivamente avançados por Abraão (em forma descendente, de 50 até 10) fazem parte do folclore do “regateio” oriental; mas servem, também, para pôr em relevo a misericórdia e a “justiça de Deus”: a descida até aos dez “justos” e as sucessivas manifestações da vontade de Deus em suspender o castigo mostram que, n’Ele, a misericórdia é maior do que vontade de castigar, que a vontade de salvar é infinitamente maior do que a vontade de perder.
Definida a questão fundamental que o jahwista quer abordar, detenhamo-nos agora um pouco na forma como se desenrola a “conversa” entre Abraão e Deus. É um diálogo “face a face” no qual Abraão se apresenta com humildade, com respeito, pois sente-se “pó e cinza” diante da onipotência de Deus. No entanto, à medida que o diálogo avança e que Abraão se confronta com a benevolência de Deus, vai surgindo a confiança. Abraão chega a ser importuno na sua insistência e ousado no seu regateio. Recordando a Deus os seus compromissos, ele aparece como o “intercessor”, que consegue da misericórdia de Deus que um número insignificante de justos tenha mais peso do que um número muito elevado de culpados.
É possível dialogar com Deus desta forma familiar, confiante, insistente, ousada? Certamente, pois o Deus de Abraão é esse Deus que veio ao encontro do homem, que entrou na sua tenda, que Se sentou à sua mesa, que estabeleceu com ele comunhão, que realizou os sonhos desse homem que O acolheu, que aceitou partilhar com Ele os seus projetos. Um Deus que Se revela dessa forma é um Deus com quem o homem pode dialogar, com amor e sem temor.

ATUALIZAÇÃO

Considerar, para a reflexão, os seguintes dados:

¨       O diálogo entre Abraão e Deus a propósito de Sodoma confirma esse Deus da comunhão, que vem ao encontro do homem, que entra na sua casa, que Se senta à mesa com ele, que escuta os seus anseios e que lhes dá resposta; e mostra, além disso, um Deus cheio de bondade e de misericórdia, cuja vontade de salvar é infinitamente maior do que a vontade de condenar. É esse Deus “próximo”, cheio de amor, que quer vir ao nosso encontro e partilhar a nossa vida que temos de encontrar: só será possível rezar, se antes tivermos descoberto este “rosto” de Deus.

¨       A “oração” de Abraão é paradigmática da “oração” do crente: é um diálogo com Deus – um diálogo humilde, reverente, respeitoso, mas também cheio de confiança, de ousadia e de esperança. Não é uma repetição de palavras ocas, gravadas e repetidas por um gravador ou um papagaio, mas um diálogo espontâneo e sincero, no qual o crente se expõe e coloca diante de Deus tudo aquilo que lhe enche o coração. A minha oração é este diálogo espontâneo, vivo, confiante com Deus, ou é uma repetição fastidiosa de fórmulas feitas, mastigadas à pressa e sem significado?

 SALMO RESPONSORIAL – Salmo 137 (138)

Refrão: Quando Vos invoco, sempre me atendeis, Senhor.

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos hei-de cantar-Vos
e adorar-Vos, voltando para o vosso templo santo.

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes, aumentastes a fortaleza da minha alma.

O Senhor é excelso e olha para o humilde,
ao soberbo conhece-o de longe.
No meio da tribulação Vós me conservais a vida,
Vós me ajudais contra os meus inimigos.

A vossa mão direita me salvará,
o Senhor completará o que em meu auxílio começou.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.
 
LEITURA II – Col 2,12-14

Pela terceira semana consecutiva, temos como segunda leitura um trecho dessa Carta aos Colossenses em que Paulo defende a absoluta suficiência de Cristo para a salvação do homem.
O texto que hoje nos é proposto integra uma perícope em que Paulo polemiza contra os “falsos doutores” que confundiam os cristãos de Colossos com exigências acerca de anjos, de ritos e de práticas ascéticas (cf. Col 2,4-3,4). Depois de exortar os Colossenses à firmeza na fé frente aos erros dos “falsos doutores” (cf. Col 2,4-8), Paulo afirma que Cristo basta, pois é n’Ele que reside a plenitude da divindade; Ele é a cabeça de todo o principado e potestade e foi Ele que nos redimiu com a sua morte (cf. Col 2,9-15).
 A questão fundamental é, neste texto breve, a afirmação da supremacia de Cristo e da sua suficiência na salvação do crente. Pelo Batismo, o crente aderiu a Cristo e identificou-se com Cristo; a vida de Cristo passou a circular nele: por isso, o crente – revivificado por Cristo – morreu para o pecado e nasceu para a vida nova do Homem Novo. Em Cristo encontramos, portanto, a vida em plenitude, sem que seja necessário recorrer a mais nada (poderes angélicos, ritos, práticas) para ter acesso à salvação.
Para representar, de forma mais explícita, o que significa este “morrer” e “ressuscitar”, Paulo refere-se a um “documento de dívida” que a morte de Cristo teria “anulado”. Este “documento” em que se reconhece a nossa dívida para com Deus pode designar aqui, quer a Lei de Moisés (com as suas leis, exigências, prescrições, impossíveis de cumprir na totalidade e constituindo, portanto, um documento de acusação contra as falhas dos homens), quer o “registro” onde, de acordo com as tradições judaicas da época, Deus inscreve as contas da humanidade (cf. Sal 139,16). De uma forma ou de outra, não interessa acentuar demasiado esta imagem do “documento de dívida”: ela é, apenas, uma linguagem, utilizada para significar que Cristo anulou os nossos débitos (no sentido em que o nosso egoísmo e o nosso pecado morreram, no instante em que Ele nos libertou); e, através de Cristo, começou para nós uma vida nova, liberta de tudo o que nos oprime, nos escraviza, nos rouba a felicidade, nos impede o acesso à vida plena.

ATUALIZAÇÃO

Para a reflexão e atualização da Palavra, considerar os seguintes elementos:

¨       Mais uma vez, a Palavra de Deus afirma a absoluta centralidade de Cristo na nossa experiência cristã. É por Ele – e apenas por Ele – que o nosso pecado e o nosso egoísmo são saneados e que temos acesso à salvação – quer dizer, à vida nova do Homem Novo. É nisto que reside o fundamental da nossa fé e é à volta de Cristo (da sua vida feita doação, entrega, amor até à morte) que se deve centralizar a nossa existência de cristãos. Ao denunciar a atitude dos Colossenses (mais preocupados com os poderes dos anjos e com certas práticas e ritos do que com Cristo), Paulo adverte-nos para não nos deixarmos afastar do essencial por aspectos secundários. O critério fundamental, no que diz respeito à vivência da nossa fé, deve ser este: tudo o que contribui para nos levar até Cristo é bom; tudo o que nos distrai de Cristo é dispensável.

¨       É necessário ter consciência de que o Batismo, identificando-nos com Jesus, constitui um ponto de partida para uma vida vivida ao jeito de Jesus, na doação, no serviço, na entrega da vida por amor. É este “caminho” que temos vindo a percorrer? A minha vida caminha, decisivamente, em direção ao Homem Novo, ou mantém-me fossilizado no homem velho do egoísmo, do orgulho e do pecado?

 ALELUIA – Rom 8,15bc

Aleluia. Aleluia.

Recebestes o espírito de adoção filial;
nele clamamos: «Abba, ó Pai».

 EVANGELHO – Lc 11,1-13

Continuamos, ainda, nesse “caminho de Jerusalém” – quer dizer, a percorrer esse caminho espiritual que prepara os discípulos para se assumirem, plenamente, como testemunhas do Reino. A catequese que, neste contexto, Jesus apresenta aos discípulos é, hoje, sobre a forma de dialogar com Deus.
Lucas é o evangelista da oração de Jesus. Ele refere a oração de Jesus no Batismo (cf. Lc 3,21), antes da eleição dos Doze (cf. Lc 6,12), antes do primeiro anúncio da paixão (cf. Lc 9,18), no contexto da transfiguração (cf. Lc 9,28-29), após o regresso dos discípulos da missão (cf. Lc 10,21), na última ceia (cf. Lc 22,32), no Getsemani (cf. Lc 22,40-46), na cruz (cf. Lc 23,34.46). Em geral, a oração é o espaço de encontro de Jesus com o Pai, o momento do discernimento do projeto do Pai.
O texto que hoje nos é proposto apresenta-nos Jesus a orar ao Pai e a ensinar aos discípulos como orar ao Pai. Não se trata tanto de ensinar uma fórmula fixa, que os discípulos devem repetir de memória, mas mais de propor um “modelo”. De resto, o “Pai nosso” conservado por Lucas é um tanto diferente do “Pai nosso” conservado por Mateus (cf. Mt 6,9-13) – o que pode explicar-se por tradições litúrgicas distintas. A versão de Mateus condiz com um meio judeo-cristão, enquanto que a de Lucas – mais breve e com menos embelezamentos litúrgicos – está mais próxima (provavelmente) da oração original. Nenhuma destas versões pretende, na realidade, reproduzir literalmente as palavras de Jesus, mas mostrar às comunidades cristãs qual a atitude que se deve assumir no diálogo com Deus.
 Como é que os discípulos devem, então, rezar? Lucas refere-se a dois aspectos que devem ser considerados no diálogo com Deus. O primeiro diz respeito à “forma”: deve ser um diálogo de um filho com o Pai; o segundo diz respeito ao “assunto”: o diálogo incidirá na realização do plano do Pai, no advento do mundo novo.
Tratar Deus como “Pai” não é novidade nenhuma. No Antigo Testamento, Deus é “como um pai” que manifesta amor e solicitude pelo seu Povo (cf. Os 11,1-9). No entanto, na boca de Jesus, a palavra “Pai” referida a Deus não é usada em sentido simbólico, mas em sentido real: para Jesus, Deus não é “como um pai”, mas é “o Pai”.
A própria linguagem com que Jesus Se dirige a Deus mostra isto: a expressão “Pai” usada por Jesus traduz o original aramaico “abba” (cf. Mc 14,36), tomada da maneira comum e familiar como as crianças chamavam o seu “papá”. Ao referir-se a Deus desta forma, Jesus manifesta a intimidade, o amor, a comunhão de vida, que o ligam a Deus.
No entanto, o aspecto mais surpreendente reside no fato de Jesus ter aconselhado os seus discípulos a tratarem a Deus da mesma forma, admitindo-os à comunhão que existe entre Ele e Deus. Porque é que os discípulos podem chamar “Pai” a Deus? Porque, ao identificarem-se com Jesus e ao acolherem as propostas de Jesus, eles estabelecem uma relação íntima com Deus (a mesma relação de comunhão, de intimidade, de familiaridade que unem Jesus e o Pai). Tornam-se, portanto, “filhos de Deus”.
Sentir-se “filho” desse Deus que é “Pai” significa outra coisa: implica reconhecer a fraternidade que nos liga a uma imensa família de irmãos. Dizer a Deus “Pai” implica sair do individualismo que aliena, superar as divisões e destruir as barreiras que impedem de amar e de ser solidários com os irmãos, filhos do mesmo “Pai”.
Desta forma, Cristo convida os discípulos a assumirem, na sua relação e no seu diálogo com Deus, a mesma atitude de Jesus: a atitude de uma criança que, com simplicidade, se entrega confiadamente nas mãos do pai, acolhe naturalmente a sua ternura e o seu amor e aceita a proposta de intimidade e de comunhão que essa relação pai/filho implica; convida, também, os discípulos a assumirem-se como irmãos e a formarem uma verdadeira família, unida à volta do amor e do cuidado do “Pai”.
Definida a “atitude”, falta definir o “assunto” ou o “tema” da oração. Na perspectiva de Jesus, o diálogo do crente com Deus deve, sobretudo, abordar o tema do advento do Reino, do nascimento desse mundo novo que Deus nos quer oferecer. A referência à “santificação do nome” expressa o desejo de que Deus se manifeste como salvador aos olhos de todos os povos e o reconhecimento por parte dos homens, da justiça e da bondade do projeto de Deus para o mundo; a referência à “vinda do Reino” expressa o desejo de que esse mundo novo que Jesus veio propor se torne uma realidade definitivamente presente na vida dos homens; a referência ao “pão de cada dia” expressa o desejo de que Deus não cesse de nos alimentar com a sua vida (na forma do pão material e na forma do pão espiritual); a referência ao “perdão dos pecados” pede que a misericórdia de Deus não cesse de derramar-se sobre as nossas infidelidades e que, a partir de nós, ela atinja também os outros irmãos que falharam; a referência à “tentação” pede que Deus não nos deixe seduzir pelo apelo das felicidades ilusórias, mas que nos ajude a caminhar ao encontro da felicidade duradoura, da vida plena…
Duas parábolas finais completam o quadro. O acento da primeira (vers. 5-8) não deve ser posto tanto na insistência do “amigo importuno”, mas mais na ação do amigo que satisfaz o pedido; o que Jesus pretende dizer é: se os homens são capazes de escutar o apelo de um amigo importuno, ainda mais Deus atenderá gratuitamente aqueles que se Lhe dirigem. A segunda parábola (vers. 9-13) convida à confiança em Deus: Ele conhece-nos bem e sabe do que necessitamos; em todas as circunstâncias Ele derramará sobre nós o Espírito, que nos permitirá enfrentar todas as situações da vida com a força de Deus.

ATUALIZAÇÃO

Considerar, na reflexão, os seguintes desenvolvimentos:

¨ O Evangelho de Lucas sublinha o espaço significativo que Jesus dava, na sua vida, ao diálogo com o Pai – nomeadamente, antes de certos momentos determinantes, nos quais se tornava particularmente importante o cumprimento do projeto do Pai. Na minha vida, encontro espaço para esse diálogo com o Pai? Na oração, procuro “sentir o pulso” de Deus a propósito dos acontecimentos com que me deparo, de forma a conhecer o seu projeto para mim, para a Igreja e para o mundo?

¨ A forma como Jesus Se dirige a Deus mostra a existência de uma relação de intimidade, de amor, de confiança, de comunhão entre Ele e o Pai (de tal forma que Jesus chama a Deus “papá”); e Ele convida os seus discípulos a assumirem uma atitude semelhante quando se dirigem a Deus… É essa a atitude que eu assumo na minha relação com Deus? Ele é o “papá” a quem amo, a quem confio, a quem recorro, com quem partilho a vida, ou é o Deus distante, inacessível, indiferente?

¨ A minha oração é uma oração egoísta, de “pedinchice” ou é, antes de mais, um encontro, um diálogo, no qual me esforço para escutar Deus, por estar em comunhão com Ele, por perceber os seus projectos e acolhê-los?

¨ A minha oração é uma “negociata” entre dois parceiros comerciais (“dou-te isto, se me deres aquilo”) ou é um encontro com um amigo de quem preciso, a quem amo e com quem partilho as preocupações, os sonhos e as esperanças?



17º Domingo do Tempo Comum – Ano C
28 de Julho de 2013






"Mestre Ensina-nos a Orar!"

Leituras: Gênesis 18, 20-32; 
Salmo 137 (138), 1-2a.2bc-3.6-7ab.7c.8; 
Carta de São Paulo aos Colossenses 2, 12-14; 
Lucas 11, 1-13.

COR LITÚRGICA: VERDE

 Nesta Eucaristia vamos perceber que rezar é um modo de entrar no espaço divino, um jeito de participar da intimidade divina, onde é possível comungar sua vida. Como a oração é importante! Por isso peçamos ao Pai, nesta liturgia, como os discípulos pediram a Jesus: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11, 1).

1. Situando-nos brevemente
Temos todos um Pai em comum. Foi Jesus que nos ensinou a chamar Deus de Pai, nosso Pai, o que foi ousado e escandalizou muitos religiosos de então. Aparentava ser verdadeira blasfêmia. Afinal de contas “pai” tem a ver com “parente”, e parente mais próximo. Portanto, a ousadia de Jesus de chamar a Deus de Pai soava como se ele dissesse que Deus é nosso “parente” mais próximo e que nós somos seus filhos e filhas: existe um “parentesco” entre Deus e nós. E não é assim? Fomos, de fato, criados, “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,27) e agora somos renascidos em Cristo.

Jesus resgatou a dignidade que havíamos perdido e voltamos a ser família de Deus, povo de Deus. É nesta experiência de povo de Deus que nos reunimos aqui, mais uma vez, para fazer memória da páscoa de Cristo que nos recriou. É nesta experiência de vida nova que nos unimos, de maneira especial, aos milhares, de jovens da Jornada Mundial da Juventude, que hoje está se encerrando.

Que O Espírito Santo de Deus ilumine a juventude de hoje para que, iluminada pela Palavra de Deus, sinta-se fortalecida para o testemunho da fé em Cristo. Ao mesmo tempo, nos unimos particularmente aos santos que, nesta semana, celebramos: amanhã, dia 29, Santa Marta; quarta-feira, dia 31, Santo Inácio de Loyola; quinta-feira, dia 01 de agosto, Santo Afonso Maira de Ligório.

A palavra de Deus que acabamos de ouvir é muito significativa para nossa relação com Deus, nosso Pai. Vamos olhá-la com atenção especial, refletir sobre ela, e tirar nossas conclusões para a vida.

2. Recordando a Palavra

A viagem de Jesus continua rumo a Jerusalém. De vez em quando, uma parada de algumas horas, ou talvez até de um dia. Hoje ele para “num certo lugar” para um momento de oração (Lc 11,1). Parar para rezar é comum na vida do mestre, sobretudo em momento decisivos de sua vida. Lucas ressalta isto muito mais do que os outros evangelistas (cf. 3,21; 5,16; 6,12; 9,18.28; 10,21; 11,1 (hoje); 22, 32.39-46; 23,34.46).

Chamam a atenção dos discípulos, além de outras coisas a prática e a atitude orante de Jesus, tanto é que eles próprios pedem a Jesus que os ensine a orar, assim como João Batista ensinara seus discípulos. Jesus ensina-lhes o Pai-nosso como protótipo da oração cristã.

Esta oração, na narração de Lucas é mais breve do que na de Mateus 6, 9-13. Mateus tem sete pedidos, Lucas tem cinco. “Ela nos coloca diante do essencial. Por exemplo, a invocação ‘Pai’ (v.2) é mais incisiva. É uma invocação habitual na oração de Jesus (Cf. Lc 10,21); 22,42; 23,34.46). Nos escritos de Lucas, esta palavra aparece nos lábios de Jesus, tanto na primeira vez em que ele abre a boca (Lc 2,29) como na última vez (At 1,7). Dizer ‘Pai’ nos põe diante de um Deus pessoal, criador de vida, em quem dá para confiar...” (J.M. Romaguera. El evangelio em médio a La vida, p.143).

Pede-se ao Pai que ele seja Senhor de todos: “venha o teu Reino” (v.2), Reino este que já foi inaugurado por Jesus (cf. Lc 8,1; 10,9) e deve se manifestar por toda a terra: “reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz” (Do Prefácio na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo). Deus mesmo o tornará possível.

“O Pai-nosso expressa, finalmente, o que todo ser humano necessita para viver dignamente, a saber: ‘o pão’, o ‘perdão’ e a força na provação para não ‘cair na tentação’. A necessidade de um mundo justo para todos. Portanto, a oração cristã não é possível sem a consciência da necessidade. Mas é uma oração com a qual o discípulo olha ao seu redor e vê que existe o próximo necessitado (Lc 10,25s), uma oração que se compromete: ‘pois também nós perdoamos a todos os que nos devem algo’ (v.4), uma oração que coloca tudo nas mãos de Deus que visita o seu povo (Lc 1,68; 71,6) e age fazendo-se humano” (Ibid).

O ensinamento de Jesus hoje é completado com a parábola do “amigo” que, com insistência, com perseverança, com “importunidade” (v. 5-6), pede três pães para um hóspede que chegou fora de hora. A parábola nos anima a não desfalecer na oração (v.9-10).

“A parábola diz que o dono da casa não se levanta para fazer um favor ao amigo, mas porque este se comporta de modo impertinente, aquele não tem mais outro remédio senão atender ao pedido. É semelhante à parábola do juiz e da viúva, que á apresentada por Lucas como um convite à oração (cf. Lc 18, 1-5). Portanto, não temos que ler essa parábola do amigo buscando como Deus age, mas buscando como é a atitude do discípulo de Jesus, que pede, sem desfalecer. Dito de outro modo, o discípulo de Jesus é alguém que vive permanentemente diante do Pai, em relação permanente com ele” (Ibid).

O Evangelho de hoje termina nos mostrando, agora sim, o verdadeiro retrato do Pai: o que de melhor ele nos dá é “o Espírito Santo” aos que o pedirem (v.11-13). Quer dizer: “Ele se nos dá a si mesmo. Ele se deu a nós e sempre está conosco. A oração é atitude necessária para acolhê-lo (Lc. 10, 38-42) nesta sua visita que não termina” (Ibid.).

Ouvindo este Evangelho, nos lembramos da figura de Abraão numa atitude de grande proximidade com Deus, conversando com Deus, insistindo com Deus para que poupe Sodoma e Gomorra. O pecado destas duas cidades clama ao céu, “mas Deus não pode julgar conforme os muitos injustos, porém, deve poupar a cidade por causa dos poucos justos: é o que lhe pede Abraão. É uma questão de honra para Deus. O juiz do mundo (Gn 18,25) é também o amigo, o Pai (cf. Lc 11,8). Se poucos justos lhe são suficientes (embora não os houvesse em Sodoma) para salvar muitos, a vida de um justo, seu Filho salvará a todos” (J.Konings. Liturgia dominical, p.436).

A experiência de que Deus, de fato, está próximo e nos ouve é trazida como um grito de gratidão pelo Salmo 137, cujo refrão assim cantamos: “Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, pois Deus ouviu definitivamente clamor da humanidade toda, nos enviando seu próprio Filho e, com Ele, nos trouxe à vida e a todos nós perdoou os pecados. Isto testemunha o apóstolo Paulo, como ouvimos na primeira leitura.

3. Atualizando a Palavra

Existem cristãos que, julgando-se esclarecidos, afirmam que as orações do nosso povo são muito egoístas, pois são quase sempre orações de pedido. Interessante que a Palavra de hoje acentua o contrário: é importante pedir, e até insistir no pedido.

“Abraão com seus incansáveis pedidos quase salvou as cidades de Sodoma e Gomorra. Infelizmente, as cidades eram ruins demais. Jesus, por seu turno, ensina aos discípulos o Pai-nosso, uma oração de pedido. O Pai-nosso pede inicialmente que a vontade de Deus seja feita. Ora, uma vez que rezamos em harmonia com a vontade e o desejo de Deus, podemos pedir bastante. Jesus até compara este modo de rezar com alguém que tira o vizinho da cama para pedir um pão para um hóspede inesperado. Parece ensinar-nos a vencer Deus pelo cansaço! E, no fundo, Deus gosta de dar-nos suas dádivas boas, seu Espírito, pois mesmo nós – que somos ruins – gostamos de dar coisas boas aos filhos” (Ibidi, p.438).

Será a oração em forma de pedido uma forma de oração mais egoísta que a meditação, a louvação, a agradecimento, a adoração? Parece que não! “Na verdade, agradecer é a outra face do pedir. Quem agradece, gostou. Por que não pedir então? É reconhecer a bondade do doador! Como o frei que, depois de farto almoço na casa de uma benfeitora, testemunhou sua gratidão com estas palavras: ‘Senhor, não sei como agradecer... será que posso repetir aquela gostosa sobremesa?’” (Ibid.)

De acordo com o espírito do Pai-nosso, “devemos pedir antes de tudo a realização daquilo que Deus deseja: sua vontade, seu Reino. Ora, uma vez assentada esta base, pode-se pedir – com toda a simplicidade – o pão de cada dia, saúde, vida e todos os demais dons que Deus nos prepara. Inclusive, o perdão de nossas faltas. Só não se deve pedir a Deus o que Deus não pode desejar: a satisfação de nosso egoísmo. E sempre se deve lembrar que Deus sabe melhor do que nós o que nos convém. Podemos insistir naquilo que achamos sinceramente nosso bem... mas Deus sabe melhor” (Ibid.).

“É importante pedir, pois pedir também compromete! Depois de ter pedido, a gente já não pode dizer: ‘Não pedi!’. Compromete-nos com Deus e com aquilo que pedimos. Não é como no supermercado, onde você entra, olha e sai sem comprar. Assim as preces dos fiéis, na celebração da comunidade, devem ter sentido de compromisso: devemos querer mesmo que elas realizem, e nos oferecemos a Deus para colaborar na realização daquilo que pedimos. Paz, não é para sermos deixados em paz, mas para nos dedicarmos à comunhão fraterna. Se pedimos por nossos irmãos e irmãs mais pobres, é porque queremos ajudá-los efetivamente. Importa saber como pedimos (cf. Tg 4,3)” (Ibid., p.438-439).

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

Como fazemos sempre na liturgia, também hoje vamos rezar a oração que o Senhor nos ensinou. Hoje, de maneira toda especial, vamos rezá-la conscientemente, nos comprometendo com tudo o que ela nos ensina. Depois de rezá-la, vamos participar a Ceia do Senhor, memorial permanente da paixão de Jesus.

Que este maravilhoso presente que a bondade do Pai no deu sirva à nossa salvação, isto é, nos ajude a viver de forma saudável pelo exercício permanente do perdão e que, assim, o Reino de Deus aconteça real e sensivelmente no meio de nós.

Assim seja, irmãos e irmãs! Amém!

Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do semeador

Hoje, contemplamos a Deus como um lavrador bom e magnânimo, que semeia com as mãos cheias. Não poupou nada para a redenção do homem, mas gastou tudo em seu próprio Filho, Jesus Cristo, que como grão enterrado (morte e sepultamento) converteu-se em nossa vida e ressurreição graças à sua santa Ressurreição.

Deus é um agricultor paciente. Os tempos pertencem o Pai, porque só Ele sabe o dia e a hora (cf. Mc 13,32) de ceifar e de separar os grãos da palha. Deus espera. Também nós temos de esperar, sincronizando o relógio da nossa esperança com o desígnio salvador de Deus. Diz São Tiago «Olhai o agricultor: ele espera com paciência o precioso fruto da terra, até cair a chuva do outono ou da primavera» (Tg 5,7). Deus espera a colheita fazendo-a crescer com a sua graça. Nós tampouco não podemos dormir, mas devemos colaborar com a graça de Deus prestando a nossa cooperação, sem pôr obstáculos a esta ação transformadora de Deus.

O cultivo de Deus que nasce e cresce assim na terra é um fato visível em seus efeitos; podemos vê-los nos milagres autênticos e nos exemplos clamorosos de santidade de vida. Há muita gente que depois de haver escutado todas as palavras e o ruído deste mundo, tem fome e sede de ouvir a autêntica Palavra de Deus, ali onde ela se encontra viva e encarnada. Há milhões de pessoas que vivem a sua pertença a Jesus Cristo e à Igreja com o mesmo entusiasmo inicial do Evangelho, pois a palavra divina «encontra a terra onde germinar e dar fruto» (São Agostinho); o que temos que fazer é levantar a nossa moral e olhar o futuro com olhos de fé.

O êxito da colheita não se encontra nas nossas estratégias humanas nem no marketing, mas na iniciativa salvadora de Deus “rico em misericórdia” e na eficácia do Espírito Santo, que pode transformar as nossas vidas para que demos frutos saborosos de caridade e de contagiosa alegria.

P. Josep LAPLANA OSB Monje de Montserrat (Montserrat, Barcelona, Espanha)


DECISÃO DO CORAÇÃO

Visão é a arte de ver as coisas invisíveis.
( Jonatham Swift)

II Parte .

Na vida do dia-a-dia, vê-se a avidez pelo consumo e pela posse, contudo não se vê que, mais importante do que ter e consumir, é viver satisfeito pelo que se é , pelo que se tem e pelo que se faz.
Não é fácil ver o essencial, porque não é fácil conseguir  com outros olhos ver a qualidade além da quantidade; o emocional além do intelectual; o sentimento além do pensamento; a ternura e o amor além do sexo; a felicidade além do prazer; os significados e as transcendências além das palavras, das mensagens e das imagens; o sentido da vida além do vivido; o homem além de suas circunstâncias; Deus além de tudo.
E assim como o essencial é invisível para os olhos, há coisas que não são essenciais e que são vistas a olho nu. Pode-se comprar e vender, medir e contar, adquirir, usufruir, ter, trocar, guardar, consumir. Elas não escondem mistérios, estão sempre disponíveis na marquise de uma cotidianidade sem surpresas, porque sua figura se destaca facilmente no mundo das coisas.
“Há coisas que não podemos ver’; e acrescentamos com a raposa: “...por­que são essenciais”.
(Não se vê que um “muito obrigado”, urgi “naturalmente”, um “com muito prazer”, um “imediatamente”, um “desculpe”, um “posso ajudar em algo?”, um sorriso ou, simplesmente, um silêncio de discrição e respeito podem contribuir para tornar mais serena e gratificante a convivência. Realmente, o essencial é invisível... Poderíamos encher páginas e páginas de exemplos todavia, isso não é necessário, porque o leitor, sem dúvida,é testemunha e, quem sabe, protagonista da cotidiana e básica incapacidade de ver que, tão pouco harmônica serena, costuma compor a vida em piedade.
No entanto, definitivamente, o que é tão essencial?
É expor novamente, re-atualizar e revitalizar tanto a essência quanto a transcendência das coisas sérias e importantes da vida, as coisas que o tempo não desgasta, não muda nem consome; as coisas que, por sua intrínseca riqueza de sentidos, merecem ser recuperadas e reintegradas a uma harmônica hierarquia de valores que o homem pós-moderno esqueceu, perdeu, ou para a qual deu as costas.
São as coisas cuja voz só pode ser ouvida no silêncio de fora e de dentro e cuja imagem só aparece quando se apagam os resplendores do cotidianamente visível, do óbvio e rotineiro.
O pequeno príncipe nos fala sutil e poeticamente, entre linhas, da atenção especial que se deve prestar para poder perceber esse algo da realidade, que é essencial.
Não se vê nada. Não se escuta nada. E no entanto, no silêncio, alguma coisa irradia...

Continuaremos...

Padre Emílio Carlos Mancini
 

PRISIONEIRO DO ESPÍRITO

                                                 Atos 20,17-27




As   palavras de Paulo, despedindo-se dos anciãos da Igreja de Éfeso e recordando o seu trabalho na edificação do reino de Deus  deixam o nosso coração cheio de zelo e de ardor.
Elas se constituem um verdadeiro testemunho do servo fiel que percebe claramente o momento e a realidade em que vive e a missão que lhe foi confiada.

Assim sendo, São Paulo nos dá exemplo de como servir a Deus no anúncio do Evangelho de Jesus. Mesmo entre cadeias e tribulações ele seguia de cidade em cidade passando por todas as provações possíveis, confiando, porém, na assistência do Espírito Santo que o preparava, orientava e guiava.

Por isso, São Paulo se dizia “prisioneiro do Espírito”, numa atitude de verdadeira humildade e submissão a Deus.
O Espírito Santo não tira os obstáculos do nosso caminho, mas nos exercita para que possamos suportar a pressão. 

Ele tinha um único objetivo: servir a Deus, testemunhando o Evangelho e anunciando a Salvação para todos os homens. Por isso, consciente do dever cumprido, Paulo  sente-se à vontade e diante dos anciãos da Igreja ele lhes chama a atenção: “eu não sou responsável se alguém de vós se perder, pois não deixei de vos anunciar todo o projeto de Deus a vosso respeito”. 

Assim também acontece com cada um de nós!

Quando  cumprimos fielmente com a nossa missão em qualquer trabalho que desempenhamos, fazendo a parte que nos cabe, podemos ficar tranquilos em relação às pessoas a quem nós formamos, pois, o comportamento delas será um compromisso pessoal de cada um.

A exemplo de São Paulo também podemos permanecer firmes no desempenho da nossa missão dando testemunho do evangelho da graça de Deus, não considerando a nossa vida preciosa para nós mesmos, mas colocando-a a serviço da Igreja de Jesus Cristo.

Como você se sente em relação às recomendações de Paulo?
Você já entendeu qual o projeto de Deus para você?
O que você está esperando: um carro novo, um bom trabalho, sucesso, fama, uma esposa, um esposo?
Mas o que será mesmo que o Pai preparou para você? – Reflita! 

Com a minha benção
Pe. Emílio Carlos +

Pérola do dia: 

CONTINUE CONSTRUINDO




Se fosse rápido e fácil as coisas já estariam prontas. Pelo fato de ser difícil e demandar muito tempo, implica que você está fazendo alguma coisa de significação e relevância.   Peter Folks

O valor de qualquer realização é construido com o tempo e esforço que você coloca dentro dele. 
Siga em frente, continue construindo e você terá algo de grande valor. 
Com frequência, você verá que não será fácil manter-se positivamente focado e – em cima disso – os problemas, obstáculos e imprevistos sempre irão aparecer.
Claro, seria muito mais fácil não fazer nada. 
Porém, ao fazer nada, você também apenas só criou nada. 
Em vez disso, siga em frente e faça o trabalho difícil que tem de ser feito. 
Com cada esforço, você estará acrescentando mais valores e substância à sua realização.
Sinta o prazer e a satisfação à medida que você continua o difícil e compensador trabalho de construir aquela realização. 
Saiba também que – mesmo que você ainda não o perceba – um precioso valor já está vindo à sua vida.


Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação. Habacuque 3,17-18

*******************************