Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

Para você entrar em nossos artigos click nas imagens nas laterais e encontrarás os lincks dos artigos postados.

Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

“Maria conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração”


Lc 1, 19

“A Virgem conservava estas coisas no seu coração.” Toda a história da sua vida pode ser resumida nestas palavras! Foi no seu coração que viveu, e numa profundidade tal, que o olhar humano não consegue segui-la.

Quando leio no Evangelho que “Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade de Judá” (Lc 1, 39) para ir cumprir a sua obrigação de caridade com sua prima Isabel, vejo-a passar, tão bela, calma, majestosa e recolhida dentro de si com o Verbo de Deus.

Tal como a Dele, também a oração de Maria foi sempre: “Eis aqui.” Quem? “A escrava do Senhor” (Lc 1,38), a última das suas criaturas: Ela, sua Mãe!

Ela foi tão verdadeira na sua humildade porque sempre se esqueceu de si mesma, ignorando-se, liberta de si mesma. Foi por isso que pôde cantar: “Desde agora todas as gerações me hão-de chamar ditosa, porque me fez grandes coisas o Omnipotente” (Lc 1,48, 49).

Esta Rainha das Virgens é também Rainha dos Mártires. Mas foi o seu coração que foi trespassado por uma espada (Lc 1, 35), porque nela tudo se passa no coração. […] Oh, quão bela é de contemplar durante o seu longo martírio, quão serena, envolvida numa espécie de majestade que respira, ao mesmo tempo, força e doçura! É que tinha aprendido com o próprio Verbo quanto devem sofrer aqueles que o Pai escolhe como vítimas, aqueles que decidiu associar à grande obra da redenção, aqueles que “escolheu e predestinou para serem conformes ao seu Cristo”, crucificado por amor.

Ela está ali junto à cruz, de pé, cheia de força e de valentia.

Beata Elisabeht da Trindade (1880-1906)
carmelita
Último retiro, 15º dia

com minha benção.
Pe.Emílio Carlos+

Deixar ver a Deus através de nossas obras.


...renunciar a tudo, perder-se a si mesmo...

“O valor autêntico da existência humana não se mede somente com os bens terrenos e com os interesses passageiros, porque não são as realidades materiais que apagam a profunda sede de sentido e de felicidade que existe no coração de cada pessoa.

Por isso Jesus não vacila em propor a seus discípulos o caminho ‘estreito’ da santidade (…). Certamente é uma linguagem dura, difícil de aceitar e de colocar em prática, mas o testemunho dos santos e das santas nos assegura que é possível a todos, se um se fixa e se confia a Cristo.

Seu exemplo anima a nós cristãos, a acreditar. Não basta de fato parecermos bons e honrados, realmente se deve sê-lo.

E bom e honrável é aquele que não cobre com seu eu a luz de Deus, não se coloca diante de si mesmo, mas sim que deixa Deus ser visto através de si” (Bento XVI, 28 de setembro de 2009).


Reflexão:


Devemos viver com desprendimento e desapego do que não é de Deus, para amá-lo com liberdade e pureza.

O Senhor é claro e radical em suas palavras: há que renunciar a tudo, perder-se a si mesmo.(Lucas 14, 25-33)

Não existe outro caminho para ser discípulo de Cristo, porque o amor verdadeiro sempre se doa totalmente.

Não esperemos as grandes ocasiões, tomemos a cruz nos detalhes de todos os dias.

Colocar-me em terceiro lugar em toda circunstância para viver com humildade e não cobrir com meu eu a luz de Deus.

Senhor, como estou longe da simplicidade e da humildade que recomendas aos teus discípulos!

Gosto de mandar, de submeter os outros à minha vontade, de ser o primeiro.

Toma-me nos teus braços, no teu Coração, para que aprenda a ser como as crianças na minha relação Contigo e com os meus irmãos.

Que eu saiba abandonar-me, entregar-me confiantemente a Ti; que eu saiba colocar-me no meu lugar, para servir com simplicidade e com amor os meus irmãos.

Na comunidade, o testemunho da Palavra há-de passar, sobretudo, pelo testemunho de uma vida sem pretensões, uma vida semelhante à das crianças, que aceitam a sua pequenez, a sua impotência perante a vida, a necessidade que têm dos outros,
particularmente dos pais.

O melhor testemunho é o da simplicidade e o do serviço humilde. Mas ambos são fruto da alegria de sermos, e nos sentirmos, filhos de Deus (Mt 5, 3s.; 11, 25).

A missão pode e deve ser realizada já pela simples presença e pelo testemunho vivo da vida cristã, isto é, de uma vida à imagem da de Cristo que sendo «o Primeiro» (Cl 1, 18), se fez o último, o servo de todos.

“A santidade, imprimir Cristo em si mesmo, é o objetivo da vida do cristão.Experimentamos com antecedência o dom da beleza da santidade cada vez que participamos da Liturgia eucarística, em comunhão com a ‘multidão imensa’ dos bem-aventurados, que no Céu aclamam eternamente a salvação de Deus.Torna-se óbvio como quem caminha para Deus não se afasta dos homens, antes pelo contrário torna-se-lhes verdadeiramente vizinho. A eternidade não é uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade do ser, da verdade, do amor.”( Bento XVI- 01 de Novembro de 2010)

Nas Constituições da Comunidade Alpha e Ômega encontramos :"Como membros desta Associação sabemos que nossa missão é amar e não buscar sermos amados. Na doação e dedicação ao outro, devemos procurar servir e não sermos servidos. Sendo sempre o terceiro, buscando o último lugar; como Jesus lavando os pés do irmão, jarro e bacia na mão constantemente".(Jo 13) (Nº 49)


Diálogo com Cristo

Jesus, dá-me a graça de abraçar, por amor a Ti, a cruz e a renúncia de mim mesmo para que tua vida se manifeste melhor em minha própria vida. Senhor, quando me doer desprender-me de mim mesmo, não permita que olhe somente os madeiros da cruz, faça que veja a Ti, suspenso por eles por amor a mim.

“A Igreja necessita hoje e sempre do testemunho silencioso dos santos.”

"Deus nos dá sempre mais do que merecemos!" (Padre Pio de Pietrelcina)



com minha benção
Pe.Emílio Carlos+

A flor mais bela

Só alcançaremos graça diante dos olhos de Deus, se nos acharmos humildes como Nossa Senhora.

Vou contar-vos uma graciosa lenda persa que exprime uma grande verdade. Deus, assentado no trono excelso de sua glória, chamou um Anjo e disse-lhe:

- Vai àquele jardim, na terra lá em baixo, e traze-me a flor mais bela que encontrares.

O Anjo, mensageiro de Deus, desceu ao jardim e contemplou a variedade e a graça com que milhares de flores ali se misturavam como um mosaico admirável.

Viu o minúsculo jasmim ao lado do grande helianto, a dália à sombra da madressilva abraçada ao oleandro; viu a rainha-margarida, a pervinca, a primavera e todas as outras belezas que erguem o seu hosana ao Criador. Mas o seu olhar fixou-se na rainha das flores, a rosa aveludada e odorosa, e disse:

- Esta é, certamente, a flor mais bela. – Colheu-a e voou ao trono do Altíssimo.

- A rosa, – disse Deus, – é o símbolo do amor, doce expressão de um coração ardente. Com a sua formosura atrai os olhares; é suave, perfumada, delicada, mas não é a flor mais bela.

O Anjo voou de novo ao jardim.

Não olhou para o cravo, nem para a margarida, nem para a flor-de-lis; não deu atenção ao amor-perfeito nem à tulipa soberba, mas voando pressuroso a um canto escondido do jardim, colheu uma humilde violeta e disse:

- Certamente o símbolo da humildade há de ser a mais bela das flores.

E, retomando o vôo, foi ajoelhar-se aos pés da Majestade suprema.
Deus, tomando a violeta, sentiu-lhe o delicado perfume e disse

- Sim, é bela a violeta oculta, humilde e pequenina e de tão agradável fragrância.

A humildade é a virtude que faz os santos, vence os demônios e opera grandes maravilhas nos corações dos homens. Todavia, não é a mais bela das flores.

O Anjo retornou ao jardim. Fixando o olhar no lírio, ficou encantado com a sua alvura imaculada, seu porte altivo, seu perfume suave. Contemplou-o demoradamente, pensando e dizendo:
- Eis o símbolo da pureza imaculada; esta, sim, deve ser a flor mais bela. Colheu-a e desatou a voar.
Vendo-o, Deus exultou e disse:- O símbolo da pureza, da pérola mais fúlgida, mais heróica e sublime! Esta, sim, é a mais bela das flores.

E os olhos divinos brilharam de complacência.
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Sejamos puros, simples e belos como os lírios, tal e qual pura, simples e bela é Nossa Mãe do Divino Amor.

Só alcançaremos graça diante dos olhos de Deus, se nos acharmos humildes como Nossa Senhora.

(TESOURO DE EXEMPLOS, Volume I – Pe. Francisco Alves, C.SS.R. – Edições Vozes Ltda., Petrópolis, RJ – 2ª. edição, 1960, p. 355).

Com minha benção
Pe.Emílio Carlos+

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Finados


De acordo com a Liturgia, Domingo próximo refletiremos sobre nossa vocação à santidade, nosso último destino.

Amanhã ela irá nos propor a reflexão sobre nossa finitude, que nasce em nossa mente e em nosso coração, quando perdemos alguém querido.

Faz parte de nossa natureza, de nosso modo de existir, algo que é antagônico entre si, ou seja nosso desejo de plenitude, de sermos eternos e ao mesmo tempo nossa incapacidade de pensarmos fora da categoria tempo. É impossível ao ser humano pensar no eterno, porque sempre vai se perguntar pelo depois, vai questionar se não será monótono. Ora, ao fazer essa pergunta ele demonstra sua incapacidade ontológica de usar o espaço mental para pensar no eterno, não como categoria, mas como sua própria realidade existencial.

Comemorar os fieis defuntos é refletir sobre nosso fim, ao mesmo tempo sobre nosso desejo de eternidade, como desejo profundo, como ânsia, inextirpável de nossa natureza, apesar de finita.
O livro do Apocalipse nos fala do fim da morte, do luto, das lágrimas, do fim do que era finito. Agora, pelo poder da ressurreição de Jesus Cristo, nossos anseios foram realizados, tornaram-se reais. Somos eternos! “Eis que faço novas todas as coisas”, isto é, eternas, sem caducar, sem envelhecer, sem a ação do tempo, que não existe mais.

São Paulo, na carta aos Romanos diz que fomos batizados na morte de Cristo e acrescenta: “Se, pois, se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele. Por isso, sendo Cristo a Vida, todo nosso anseio de eternidade faz sentido e será realizado. Viveremos eternamente o amor, a alegria, na companhia de nossos entes queridos, porque do contrário não será felicidade.

O dia de amanhã, dedicado à reflexão sobre o término de nossa caminhada nesta vida, longe de nos tirar a alegria de ser, nos aumenta o júbilo porque não só fomos criados á imagem da Vida, que é Jesus, mas fomos resgatados, recriados, por sua morte e ressurreição, para a Vida eterna com Ele e com nossos entes queridos. (CA)

Olhar tudo desde a perspectiva da eternidade.

...tudo isto adquire valor e significado se se considera na perspectiva da eternidade.

“É doloroso o afastamento dos seres queridos, o acontecimento da morte é um enigma cheio de inquietude, mas para os que acreditam, venha como venha, está sempre iluminado pela esperança da imortalidade.

A fé nos sustenta nestes momentos humanamente cheios de tristeza e de mal estar (…).

Queridos irmãos, sabemos bem e o experimentamos em nosso caminho, que não faltam dificuldades e problemas nesta vida, existem situações de sofrimento e dor, momentos difíceis que temos que aceitar e compreender.

Entretanto tudo isto adquire valor e significado se se considera na perspectiva da eternidade.

Cada prova, de fato, acolhida com paciência perseverante e oferecida pelo Reino de Deus, vem em nossa ajuda espiritual já aqui abaixo, e, sobretudo na vida futura, no Céu.

Neste mundo estamos de passagem, purificados no cadinho como o ouro, afirma a Sagrada Escritura (cfr Sb 3,6).

Misteriosamente associados à paixão de Cristo, podemos fazer de nossa existência uma oferenda agradável ao Senhor, um sacrifício voluntário de amor” (Bento XVI, 5 de novembro de 2009).


Reflexão apostólica


A vida é curta e temos que aproveitá-la para amar e servir a Jesus Cristo com tudo o que somos.

Trabalhemos procurando crescer no amor segundo nosso Carisma.

Somente se vive a vida profundamente se a consideremos como um passo até Deus, como um caminhar fazendo o bem, como uma missão a cumprir.

“O testemunho da vida cristã é a primeira e insubstítuível forma de missão”(Redemptoris missio, 42).

com minha benção
Pe.Emílio Carlos+

Convertido a Cristo, que é verdade e amor

A fé em Cristo levou a cumprimento a longa busca

O caminho de conversão de Agostinho continuou humildemente até o final de sua vida, até o ponto de que se pode verdadeiramente dizer que suas diferentes etapas – podemos distinguir facilmente três – são uma única e grande conversão.
A primeira conversão

Santo Agostinho foi um buscador apaixonado da verdade: desde o início e depois durante toda a sua vida. A primeira etapa em seu caminho de conversão se realizou precisamente na aproximação progressiva ao cristianismo. Na realidade, ele havia recebido da mãe Mônica, com a qual sempre esteve muito unido, uma educação cristã e, apesar de que havia vivido nos anos de juventude uma vida desordenada, sempre sentiu uma profunda atração por Cristo, tendo bebido o amor pelo nome do Senhor com o leite materno, como ele mesmo sublinha (cf. «Confissões», III, 4, 8).

Mas a filosofia, sobretudo a de orientação platônica, também havia contribuído para aproximá-lo de Cristo, manifestando-lhe a existência do Logos, a razão criadora. Os livros dos filósofos lhe indicavam que existe a razão, da qual procede todo o mundo, mas não lhe diziam como alcançar este Logos, que parecia tão afastado. Só a leitura das cartas de São Paulo, na fé da Igreja Católica, revelou-lhe plenamente a verdade. Esta experiência foi sintetizada por Agostinho em uma das páginas mais famosas das «Confissões»: conta que, no tormento de suas reflexões, retirado em um jardim, escutou de repente uma voz infantil que repetia uma canção, nunca antes escutada: «tolle,, lege, tolle, lege», «toma, lê, toma, lê» (VIII, 12, 29). Então se lembrou da conversão de Antônio, pai do monaquismo, e com atenção voltou a tomar um livro de São Paulo que pouco antes tinha entre as mãos: abriu-o e o olhar se fixou na passagem da carta aos Romanos na qual o apóstolo exorta a abandonar as obras da carne e a revestir-se de Cristo (13, 13-14).

Ele havia compreendido que essa palavra, naquele momento, dirigia-se pessoalmente a ele, procedia de Deus através do apóstolo e lhe indicava o que ele tinha de fazer nesse momento. Deste modo sentiu como desapareciam as trevas da dúvida e era libertado para entregar-se totalmente a Cristo: «Havias convertido a ti meu ser», comenta («Confissões», VIII, 12, 30). Esta foi a primeira e decisiva conversão.

O professor de retórica africano chegou a esta etapa fundamental em seu longo caminho graças à sua paixão pelo homem e pela verdade, paixão que o levou a buscar a Deus, grande e inacessível. A fé em Cristo o fez compreender que Deus não estava tão afastado como parecia. Ele se havia feito próximo de nós, convertendo-se em um de nós. Neste sentido, a fé em Cristo levou a cumprimento a longa busca de Santo Agostinho no caminho da verdade. Só um Deus que se fez «tocável», um de nós, era, em última instância, um Deus ao qual se podia rezar, pelo qual se podia viver e com o qual se podia viver.

A segunda conversão

É um caminho que deve ser percorrido com valentia e ao mesmo tempo com humildade, abertos a uma purificação permanente, algo que cada um de nós sempre precisa. Mas o caminho de Agostinho não havia concluído com aquela vigília pascal do ano 387, como dissemos. Ao regressar à África, fundou um pequeno mosteiro e se retirou nele, junto a uns poucos amigos, para dedicar-se à vida contemplativa e de estudo. Este era o sonho de sua vida. Agora estava chamado a viver totalmente para a verdade, com a verdade, na amizade de Cristo, que é a verdade. Um lindo sonho que durou três anos, até que, apesar dele, foi consagrado sacerdote em Hipona e destinado a servir aos fiéis. Certamente continuou vivendo com Cristo e por Cristo, mas ao serviço de todos. Isso era muito difícil para ele, mas compreendeu desde o início que só vivendo para os demais, e não simplesmente para sua contemplação privada, podia realmente viver com Cristo e por Cristo.

Deste modo, renunciando a uma vida consagrada só à meditação, Agostinho aprendeu, às vezes com dificuldade, a pôr à disposição o fruto de sua inteligência para benefício dos demais. Aprendeu a comunicar sua fé às pessoas simples e a viver assim para ela naquela cidade que se converteu na sua, desempenhando sem cessar uma generosa atividade, que descreve com estas palavras em um de seus belíssimos sermões: «Pregar continuamente, discutir, repreender, edificar, estar à disposição de todos, é um ingente cargo e um grande peso, um enorme cansaço» («Sermões» 339, 4). Mas ele carregou este peso, compreendendo que precisamente deste modo podia estar mais próximo de Cristo. Sua segunda conversão consistiu em compreender que se chega aos demais com simplicidade e humildade.

A terceira conversão

Mas há uma última etapa no caminho de Agostinho, uma terceira conversão: é a que o levou cada dia de sua vida a pedir perdão a Deus. Ao início, havia pensado que uma vez batizado, na vida de comunhão com Cristo, nos sacramentos na celebração da Eucaristia, chegaria à vida proposta pelo Sermão da Montanha: a perfeição doada no batismo e reconfirmada pela Eucaristia.

Na última parte de sua vida, ele compreendeu que o que havia dito em suas primeiras pregações sobre o Sermão da Montanha – ou seja, que nós, como cristãos, vivemos agora este ideal permanentemente – estava errado. Só o próprio Cristo realiza verdadeira e completamente o Sermão da Montanha. Nós temos sempre necessidade de ser levados por Cristo, que nos lava os pés, e de ser renovados por Ele. Temos necessidade de conversão permanente. Até o final precisamos desta humildade que reconhece que somos pecadores em caminho, até que o Senhor nos dá a mão definitivamente e nos introduz na vida eterna. Agostinho morreu com esta última atitude de humildade, vivida dia-a-dia.

Esta atitude de humildade profunda ante o único Senhor Jesus o introduziu na experiência de uma humildade também intelectual. Agostinho, que é uma das maiores figuras na história do pensamento, quis, nos últimos anos de sua vida, submeter a um lúcido exame crítico suas numerosas obras. Surgiram assim as «Retractationes» («revisões»), que deste modo introduzem seu pensamento teológico, verdadeiramente grande, na fé humilde e santa daquela à qual chama simplesmente com o nome de Catholica, ou seja, a Igreja. «Compreendi – escreve precisamente neste originalíssimo livro (I, 19 1-3) – que só um é verdadeiramente perfeito e que as palavras do Sermão da Montanha só são realizadas totalmente por um só: no próprio Jesus Cristo. Toda a Igreja, pelo contrário, todos nós, inclusive os apóstolos, temos de rezar cada dia: ‘perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’».

Convertido a Cristo, que é verdade e amor, Agostinho o seguiu durante toda a vida e se converteu em um modelo para todo ser humano, para todos nós na busca de Deus.

Por este motivo, eu quis concluir minha peregrinação a Pavia voltando a entregar espiritualmente à Igreja e ao mundo, ante o túmulo deste grande enamorado de Deus, minha primeira encíclica, Deus caritas est. Esta, de fato, tem uma grande dívida, sobretudo em sua primeira parte, com o pensamento de Santo Agostinho.

Também hoje, como em sua época, a humanidade tem necessidade de conhecer e sobretudo de viver esta realidade fundamental: Deus é amor, e o encontro com ele é a única resposta às inquietudes do coração humano. Um coração no qual vive a esperança – talvez ainda escura e inconsciente em muitos de nossos contemporâneos –, para nós, os cristãos, abre já hoje ao futuro, até o ponto de que São Paulo escreveu que «na esperança fomos salvos» (Romanos, 8, 24). À esperança quis dedicar minha segunda encíclica, Spe Salvi, que também contraiu uma grande dívida com Agostinho e seu encontro com Deus.

Um escrito sumamente lindo de Agostinho define a oração como expressão do desejo e afirma que Deus responde abrindo a ele o nosso coração. Por nossa parte, temos de purificar nossos desejos e nossas esperanças para acolher a doçura de Deus (cf. Santo Agostinho, «In Ioannis», 4, 6). Só esta nos salva, abrindo-nos também aos demais. Rezemos, portanto, para que em nossa vida nos seja concedido cada dia seguir o exemplo deste grande convertido, encontrando como ele, em todo momento de nossa vida, o Senhor Jesus, o único que nos salva, que nos purifica e nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira vida.

Bento XVI
27 de fevereiro de 2008
audiência geral dedicada à figura de Santo Agostinho de Hipona.

com minha benção
Pe.Emílio Carlos+

Bem e Corrupção...

Com a corrupção morre o corpo, com a impiedade morre a alma.

Vi claramente que todas as coisas que se corrompem são boas; não se poderiam corromper se fossem sumamente boas, nem se poderiam corromper se não fossem boas.

Com efeito, se fossem absolutamente boas, seriam incorruptíveis, e se não tivessem nenhum bem, nada haveria nelas que se corrompesse.

De fato, a corrupção é nociva, e se não diminuísse o bem, não seria nociva.

Portanto, ou a corrupção nada prejudica - o que não é aceitável - ou todas as coisas que se corrompem são privadas de algum bem. Isto não admite dúvida.

Se, porém, fossem privadas de todo o bem, deixariam inteiramente de existir.

Se existissem e já não pudessem ser alteradas, seriam melhores porque permaneciam incorruptíveis.

Que maior monstruosidade do que afirmar que as coisas se tornariam melhores com perder todo o bem?

Por isso, se são privadas de todo o bem, deixarão totalmente de existir. Logo, enquanto existem são boas.

Assim sendo, todas as coisas que existem são boas e aquele mal que eu procurava não é uma substância, pois se fosse substância seria um bem.

Na verdade, ou seria substância incorruptível, e então era certamente um grande bem, ou seria substância corruptível, e nesse caso, se não fosse boa, não se poderia corromper.

É preferível a tristeza de quem suporta a iniquidade do que a alegria de quem a comete.

Com a corrupção morre o corpo, com a impiedade morre a alma.

Há homens que se agarram a sua opinião, não por ser verdadeira, mas simplesmente por ser sua.

Assim nas coisas necessárias, a unidade; nas duvidosas, a liberdade; e em todas, a caridade.

A pior das corrupções não é aquela que desafia as leis; mas a que se corrompe a ela própria, a sociedade consumista favorece a corrupção!

A corrupção nunca foi compulsória, raramente ela começa pelo povo.

Onde não há caridade não pode haver justiça.

Não há doente mais incurável do que aquele que se deixa corromper. Por isso prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem.

(S. Agostinho)

com minha benção
Pe.Emílio Carlos+