Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

Para você entrar em nossos artigos click nas imagens nas laterais e encontrarás os lincks dos artigos postados.

Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Espírito Santo, mistério de força e ternura

Leitura: Gn 1, 1-2; 2, 7

1. “VEM, ESPÍRITO SANTO” é uma aclamação que fazemos continuamente. Quando clamamos pelo Espírito, estamos falando da Terceira Pessoa da Trindade, mas chamá-la de Espírito é uma tradução do nome. O nome original do Espírito, aquele pelo qual o conheceram os primeiros destinatários da revelação, é Ruah.

Em hebraico, Ruah significa o espaço atmosférico entre o céu e a terra, que pode ser calmo ou agitado, onde se percebe mais facilmente o sopro do vento; por extensão, o espaço vital no qual o homem se move e respira. No sentido comum da Bíblia esta palavra significa duas coisas estritamente ligadas entre si: o vento e a respiração. Foram estes dois os sentidos físicos fundamentais de Ruah, dos quais Deus se serviu para nos revelar a realidade do seu Espírito: o do vento e o do sopro ou respiração.

No princípio do Gênesis se fala do “Espírito de Deus” que soprava com força sobre as águas (cf. Gn 1, 2). Aqui a proximidade entre Espírito e vento é tamanha, que os tradutores modernos muitas vezes ficaram na incerteza se traduziam a expressão por “Espírito de Deus” ou “vento de Deus”, ou “vento impetuoso”; escolhendo ora uma, ora outra tradução. Depois lemos: “Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida” (Gn 2, 7).

Por diversas vezes a Bíblia nos narra a imagem do vento impetuoso e do turbilhão, expressando o poder, a liberdade e a transcendência do Espírito, uma força arrasadora e indomável, capaz de “dilacerar os montes e despedaçar os rochedos” (I Rs 19, 11), de “levantar as ondas até o céu e fazê-las descer aos abismos (Sl 107, 25-26).

Quanto às imagens de respiração, do sopro ou da brisa suave, servem para exprimir a bondade, a delicadeza, a quietude, a presença do Espírito divino. A respiração é aquilo que há de mais “íntimo”, mais vital e pessoal no ser humano. O Espírito Santo personifica, com evidência, o mistério de Deus que é, ao mesmo tempo, poder absoluto e ternura sem limites.

2. O ESPÍRITO SANTO VEM EM AUXÍLIO DA NOSSA FRAQUEZA: O Espírito é mistério de poder e transcendência. É a única força verdadeira, o único poder real que sustenta a Igreja! Assim como o cristão individualmente, a Igreja não vive da própria força. A força da Igreja não está nos “sábios raciocínios”, inteligência, diplomacia, filosofia, direito canônico, organização.

Dizia Paulo: “Nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção” (I Ts 1, 5). É do Espírito Santo, portanto, que a Igreja e todo evangelizador recebem o poder de convencer e converter, de penetrar o coração de uma cultura, induzindo os povos à obediência da fé. Por conseguinte, o Espírito Santo é a fonte e o segredo da coragem e da audácia do fiel cristão. Todas as coisas na Igreja e em nós cristãos, ou ganham a força do Espírito Santo, ou são impotentes.

3. O ESPÍRITO ENCHE A NOSSA SOLIDÃO: O Espírito é mistério da bondade e da suavidade, da familiaridade com Deus e também da quietude. É Ele quem cria a “intimidade com Deus”: Deus em nós e nós em Deus, e tudo graças à presença do Espírito Santo. Não é o local que cria intimidade, mas o amor, e o amor vem do Espírito Santo. O Espírito Santo foi para Jesus, em sua vida terrena, o companheiro inseparável e quer sê-lo também para nós. Se a fraqueza nos levar à experiência da força do Espírito, a solidão pode dar estímulo a que se faça a experiência deste doce hóspede.
Andar ou remar contra o vento: como cansa! Fazê-lo com o vento a favor: quanto prazer! Fazer as coisas sem o Espírito Santo: como pesa! Fazer com Ele: como tudo é mais leve!

Oremos: Vem, Espírito Santo! Vem, força de Deus e doçura o Senhor! Vem, Tu que és ao mesmo tempo movimento e repouso! Renova a nossa coragem, dá à nossa igreja um novo vigor, cria em nós a intimidade com Deus! Não dizemos mais como o profeta: vem dos quatro cantos, como se ainda não soubéssemos de onde vens. Mas dizemos: Vem, Espírito, do lado transpassado de Cristo crucificado! Vem dos lábios do Ressuscitado!

Para refletir:

1. Você se deixa guiar pelo Espírito na sua fraqueza ou acaba desistindo das coisas por não se sentir capaz?
2. Como você tem experimentado essa intimidade com Deus? Tem obedecido ao que o Espírito lhe revela da vontade de Jesus ou faz tudo do seu jeito?

A




Presença de Deus

Um meio que merece especial consideração para alcançar a perfeição da caridade, a santidade à que todos estamos chamados, é o permanente exercício da presença de Deus.

Se quero chegar a ser santo como Ele é santo1 , hei de procurar andar continuamente na presença de Deus.

«Anda na minha presença e sê perfeito»2 , disse o Senhor a seu servo. O aperfeiçoamento e a santidade dependem muito de que me exercite na contínua memória e presença de Deus.

É muito simples: quem esquece a Deus e não vive na sua presença, deixa de escutá-lo e se afasta de seus caminhos. É como a ovelha que deixa de ouvir o pastor: afasta-se do rebanho e se perde, expondo-se a ser devorada pelas feras. Ao contrário, quem caminha na presença de Deus, guarda os ensinamentos de seu Filho e permanece no caminho que conduz à Vida.

O exercício da presença de Deus é, pois, uma prática fundamental para andar pelo bom caminho.

«Em Deus vivemos, nos movemos e existimos»

Pela Revelação sabemos que «em Deus vivemos, nos movemos e existimos»3 : vivo porque Ele me criou, e permaneço na vida porque Ele me sustenta com sua amorosa providência. Também temos a convicção de que Deus está conosco, sempre, não como um ente abstrato ou uma força impessoal, mas como o Pai que é, amoroso e misericordioso. Ele não deixa de escutar-nos e de acompanhar-nos, especialmente nos momentos mais difíceis de nosso peregrinar terreno. Tampouco deixa de falar-nos e de educar-nos especialmente através de seu próprio Filho4 , a quem Ele enviou para nossa reconciliação5 , e não deixa de derramar em nossos corações a graça de seu Espírito.

Assim, pois, nada do que somos ou façamos está desvinculado de Deus, do amor que nos tem, de sua graça! E é dessa realidade que temos de tomar renovada consciência diariamente...

Trata-se de manter sempre e em tudo uma viva consciência e memória da presença de Deus. Essa será uma maneira de fazer de nossa vida, ação e apostolado, uma oração contínua que dê glória a Deus, conscientes do horizonte que a espiritualidade da ação põe diante de nós: «Oração para a vida e o apostolado, vida e apostolado feitos oração».

Aspiramos andar continuamente na presença de Deus, como o Senhor Jesus, como Maria. Para isso é necessário fazer da presença de Deus um exercício habitual.

Mas, diante de tal perspectiva, alguém pode perguntar-se: se estou dedicado a algo que exige muita concentração, como também posso manter em meu campo de consciência a presença de Deus?

Como posso manter-me louvando a Deus? Como pode ser feito este “divórcio” na mente? Como fazer para ter uma parte de minha consciência posta em Deus ?

O ato que estou realizando não exclui outra presença. Se você se educa, pode manter ainda que em meio a outras atividades uma contínua presença de Deus. Esta é justamente nossa aspiração: chegar a ser “contemplativos na ação ”.

Um exercício espiritual habitual.

Um exercício é aquilo que se repete constantemente, com certa periodicidade e disciplina. O exercício conduz a uma gradual superação da pessoa, a um aperfeiçoamento cada vez maior naquilo em que alguém se exercita, a uma excelência no domínio e manejo das próprias habilidades. Como os atletas que cumprem diárias e exigentes rotinas de exercícios para poder alcançar a vitória nas competições desportivas, assim temos que exercitar-nos nas coisas do Espírito. O pior inimigo dos exercícios é a inconstância, que impede que se alcance a excelência e faz aumentar a mediocridade.

Em que consiste este exercício da presença de Deus? Na memória de tal presença, tanto no pensamento como também na ação. Sim, a memória ou lembrança contínua de Deus que aumenta o vivo desejo e a intenção de realizar o Plano de Deus em nossas vidas, tal e como no-lo ensina nosso Senhor, paradigma e exemplo supremo de como se vive na presença de Deus : «Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra»6. Quem vive como Jesus na presença de Deus? Entre Ele e o Pai há uma profunda comunhão e sintonia. E deste andar continuamente na presença do Pai, em comunhão com Ele, brota sua “fome” e desejo intenso de cumprir seus desígnios, de consumar a missão que Ele encomendou. Assim também Maria, a partir do exercício cotidiano da presença de Deus em sua vida7 , buscou em tudo servir com fidelidade o Plano de Deus : «Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo tua palavra»8 . Nós temos que fazer o mesmo.

Meios concretos para viver a presença de Deus.

De que modos posso exercitar-me na presença de Deus? Como andar e permanecer continuamente na Sua presença? Múltiplos são os modos em que, na vida cotidiana, posso exercitar-me na presença de Deus: os momentos fortes de oração pessoal, assim como também os momentos de oração em comum9 , e de modo privilegiado a Eucaristia, são momentos especiais para experimentar a presença de Deus.

As freqüentes visitas ao Senhor no Santíssimo, os exercícios da vida espiritual como a leitura e meditação bíblica, a leitura de livros espirituais, etc., são também meios fundamentais pelos quais exercito esta presença de Deus. Também posso exercitar-me elevando nas diversas circunstâncias do dia uma breve mas intensa oração a Deus: quando me levanto de manhã, «ao despertar me saciarei com Tua presença»10 ; ou cada vez que me ponho em marcha, «caminharei na presença do Senhor»11 ; ou cada vez que me dirijo para visitar ao Senhor no Santíssimo, «Meu coração diz a teu respeito: “Procura sua face!” É tua face, Senhor, que eu procuro, não me escondas a tua face.»12 ; ou antes de rezar: «Que te agradem as palavras de minha boca, e o meditar do meu coração, sem treva em tua presença»13 ; ou em qualquer momento, «Procurai o Senhor e sua força, sem cessar buscai a sua face!»14 . As jaculatórias —repetição freqüente, sem interrupção, de uma oração muito breve, que consiste em uma frase mais ou menos curta— também ajudam muitíssimo a exercitar-se na presença de Deus.

Outros meios são ter em meu dormitório, em meu escritório, nos lugares onde trabalho, sinais visíveis, quadros, imagens, cartelas com frases e também música apropriada que favoreçam um clima espiritual, um ambiente que me “fale” continuamente da presença do Senhor. Ajuda também deter-me de vez em quando a contemplar com reverência a natureza, «porque o invisível de Deus... tornou-se inteligível através de suas obras»15 .

Finalmente — embora cada um possa encontrar outros modos de viver em presença de Deus —, excelente meio é , como aconselha o mestre Rodríguez, não deixar de fazer —seja por medo, indolência, preguiça, por preferir meu gosto-desgosto, etc.— aquilo que percebo que é o que Deus me pede segundo seus amorosos desígnios: «andar neste exercício será muito bom modo de andar na presença de Deus e em contínua oração, e muito proveitoso»16 .


CITAÇÕES PARA A ORAÇÃO

  • Em Deus vivemos, nos movemos e existimos: At 17,27-28; Ele nos vê, nos sonda profundamente, nos “envolve” com sua Presença: Sl 139(138),1-10. O Senhor ressuscitado nos prometeu sua contínua Presença: Mt 28,18-20.
  • Deus nos chamou para sermos santos em sua Presença: Ef 1,3-4; Cl 1,21-22; Sl 56(55),13-14; a servi-lo com uma vida santa: Lc 1,74-75; Sl 24(23),4-6; 1Re 9,4-5.
  • Temos que procurar andar continuamente na Presença de Deus : 1Cr 16,11; Sl 27(26),8; Sl 105(104),4-5.
  • O exercício da presença de Deus nos ajuda a atuar bem: Mt 6,4; Sl 17(16),2; a manter-nos firmes: Hb 11,27; a andar pelo caminho que conduz à Vida: At 2,25-28; Sl 16(15),7-11. «A memória de Deus afasta todos os pecados»: Eclo 17,14-15.19-20; Tb 4,6.20; Sl 11(10),4-5.7; Quem não vive na presença de Deus se desvia pelo caminho do mal: Is 47,10; Jr 12,4; Sl 14(13),1-2.
  • Nossos pecados nos levam a ocultar-nos, a apartar-nos, a fugir da Presença de Deus : Gn 3,8-10; Is 59,2; Sl 51(50),5-6.13.

Notas

  • 1 Ver Lv 19,2.
  • 2 Gn 17,1.
  • 3 At 17,27-28.
  • 4 Ver Mt 17,5.
  • 5 Ver Jo 3,16.
  • 6 Jo 4,34.
  • 7 Ver Luis Fernando Figari, María, paradigma de unidad, Vida e espiritualidad, Lima, p. 9.
  • 8 Lc 1,38.
  • 9 Mt 18,20.
  • 10 Sl 17(16),15.
  • 11 Sl 116(115),9.
  • 12 Sl 27(26),8.
  • 13 Sl 19(18),15.
  • 14 1Cr 16,11.
  • 15 Rm 1,20.
  • 16 P. Alonso Rodríguez, Exercício de Perfecção e Virtudes Cristãs, Parte 1ª,Tratado 7, c.5, n.11.
  • A



Pertencer a Deus
Êxodo 6,2-9
Retiro Pessoal Mensal
Dezembro
Deus falou a Moisés, dizendo-lhe: «Eu sou YHWH. Apareci a Abraão, a Isaac e a Jacob como Deus supremo, mas pelo meu nome ’YHWH’, Eu não fui conhecido por eles. Também estabeleci a minha aliança com eles, para lhes dar a terra de Canaã, a terra das suas peregrinações, onde residiram como estrangeiros. E também fui Eu que ouvi o gemido dos filhos de Israel, que os egípcios reduziram à servidão, e recordei-me da minha aliança. Por isso, diz aos filhos de Israel: ’Eu sou YHWH, e far-vos-ei sair do peso dos carregamentos do Egito, hei-de libertar-vos da sua servidão e resgatar-vos com braço estendido e com grande autoridade.
Tomar-vos-ei para mim como povo e Eu serei para vós Deus, e reconhecereis que Eu sou YHWH, vosso Deus, que vos fez sair do peso dos carregamentos do Egito. E far-vos-ei entrar na terra pela qual levantei a minha mão para a dar a Abraão, a Isaac e a Jacob, e vo-la darei em posse: Eu sou YHWH.’»
Moisés falou assim aos filhos de Israel, mas eles não o escutaram por causa da angústia e da pesada servidão.

Como poderia ser de outra forma?

Emigrados, longe da pátria, estes homens são explorados pelos habitantes do país. Não conseguem nenhuma redução de trabalho, as regras não são atenuadas, as condições de produção tornam-se mais duras (Êxodo 5,6-19). Como tantas vezes aconteceu na história, sem que os explorados tenham consciência disso, não lhes é dada liberdade nem repouso. São facilmente manipulados, porque estão sob pressão. Não têm o direito de celebrar uma festa ao seu Deus. Não podem ter sequer uma cultura ou um culto próprios.

Nesta parte da narrativa, Deus dirige-se a Moisés. Deus está frente a Moisés como o Deus que acompanha o seu povo desde os primórdios, Aquele que já apareceu a Abraão, a Isaac e a Jacob como o «Todo-Poderoso». Então, esta divindade não é apenas uma ilusão subjetiva de um revoltado que aspira à liberdade. É Deus que toma a iniciativa. Agora ele revela-se pelo seu impronunciável nome «YHWH» e também é Aquele que se lembra da relação que tem com o seu povo, da sua «aliança» e da promessa que lhe fez. Ele será o seu Deus e amá-los-á como o seu povo.

Como amados de Deus, eles pertencem-lhe. Quem atentar contra eles não ficará intacto. Deus «ouviu o seu gemido». E a sua promessa, apesar das circunstâncias, todos os dias aumenta: o seu povo receberá o seu próprio país, onde não viverão mais «como estrangeiros». Receberão uma «posse» e, com ela, a sua independência. Moisés tem confiança na missão audaciosa deste Deus e fala disso aos Israelitas. Mas a estratégia do opressor vence. A perspectiva de uma mudança não penetra os espíritos dos explorados, desencorajados pela «angústia e a pesada servidão». Deus está perante o seu povo. O seu caminho ainda não é o caminho de Deus.

Mas um dia eles estarão no seu próprio país. Por quanto tempo vão viver e celebrar ali o amor de Deus? Muito mais tarde, haverá aquele que virá a esse povo que pertence a Deus, aquele que terá traços comuns a Moisés, mas que vai mais além: Jesus Cristo.

Não será acolhido (João 1,11), a sua vinda parece chegar também demasiado cedo. Sem perder coragem, ele seguirá o seu caminho e proclamará audaciosamente que chegou o momento. O tempo é fértil para o nascimento de um reino no qual não haja nem explorados nem opressores. O reinado de Deus que vem à terra é aquele para o qual, desde então, todos os seres humanos se podem voltar.

- Quando me sinto manipulado, sob pressão?

- O que vejo como o meu bem próprio mais profundo?

- Onde vejo pessoas exploradas? Posso fazer algo por elas?


A



«O essencial só se vê com o coração».
Sexta-feira da 1ª semana do Advento

Evangelho (Mt 9,27-31):

Partindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: «Tem compaixão de nós, filho de Davi!» Quando entrou em casa, os cegos se aproximaram dele, e Jesus lhes perguntou: «Acreditais que eu posso fazer isso?» Eles responderam: «Sim, Senhor». Então tocou nos olhos deles, dizendo: «Faça-se conforme a vossa fé». E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu: «Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo». Mas eles saíram e espalharam sua fama por toda aquela região.

Reflexão:

«Jesus lhes perguntou: Acreditais que eu posso fazer isso? Eles responderam: Sim, Senhor»

Hoje, nesta primeira Sexta-Feira de Advento, o Evangelho apresenta-nos três personagens: Jesus no centro da cena, e dois cegos que se aproximam cheios de fé e com o coração esperançado. Tinham ouvido falar Dele, da sua ternura para com os doentes e do seu poder. Estes traços identificavam-No como o Messias. Quem melhor que Ele podia tomar a seu cargo a sua desgraça?

Os dois cegos unem-se e, em comunidade, dirigem-se ambos a Jesus. Em uníssono fazem uma oração de petição ao Enviado de Deus, ao Messias, a quem chamam “Filho de Davi”. Querem, com a sua oração, provocar a compaixão de Jesus: «Tem compaixão de nós, filho de Davi!» (Mt 9,27).

Jesus interpela a sua fé: «Acreditais que eu posso fazer isso?» (Mt 9,28). Se eles se aproximaram do Enviado de Deus é precisamente porque acreditam Nele. A uma só voz fazem uma bela profissão de fé, respondendo: «Sim, Senhor» (Ibidem). E Jesus concede a vista àqueles que já viam pela fé. De fato, acreditar é ver com os olhos do nosso interior.

Este tempo de Advento é o adequado, também para nós, para procurar Jesus com um grande desejo, como o dos cegos, fazendo comunidade, fazendo Igreja. Com a Igreja proclamamos no Espírito Santo: «Vem, Senhor Jesus» (cf, Ap 22,17-20). Jesus vem com o seu poder de abrir completamente os olhos do nosso coração, e fazer que vejamos, que acreditemos. O Advento é um tempo forte de oração: tempo para fazer oração de petição e, sobretudo, oração de profissão de fé. Tempo de ver e de acreditar.

Recordemos as palavras do Pequeno Príncipe: «O essencial só se vê com o coração».

Fray Josep Mª MASSANA i Mola OFM (Barcelona, Espanha)

A



E os olhos abriram-se-lhes
S. Mateus 9,27-31.

Naquele tempo, Jesus pôs-se a caminho e seguiram-n'O dois cegos, gritando: «Filho de David, tem misericórdia de nós!»
Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se dele, e Jesus disse-lhes: «Credes que tenho poder para fazer isso?» Responderam-lhe: «Cremos, Senhor!»
Então, tocou-lhes nos olhos, dizendo: «Seja-vos feito segundo a vossa fé.»
E os olhos abriram-se-lhes. Jesus advertiu-os em tom severo: «Vede lá, que ninguém o saiba.»
Mas eles, saindo, divulgaram a sua fama por toda aquela terra.

Reflexão:
«E os olhos abriram-se-lhes»

«Deus virá manifestamente, o nosso Deus, e não Se calará» (Sl 49,3 Vulg). Com efeito, Cristo, o nosso Deus, o Filho de Deus, chegou de forma encoberta na Sua primeira vinda; e virá de forma manifesta na segunda. Quando veio encoberto, apenas os Seus servidores O conheceram; quando vier manifestamente, será conhecido pelos bons e pelos maus. Quando veio encoberto, foi para ser julgado; quando vier manifestamente será para ser o juiz. Outrora foi julgado e calou-Se, e o profeta predissera esse silêncio: «Foi maltratado e resignou-Se, não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53,7) mas «Deus virá manifestamente, o nosso Deus, e não Se calará». [...]


Agora os maus também possuem aquilo a que chamam felicidade neste mundo; e os bons também possuem aquilo a que chamam infelicidade neste mundo. Se os homens só crêem nas realidades presentes e não acreditam nas realidades futuras, é porque observam que os bens e os males deste mundo pertencem indistintamente aos bons e aos maus. Se ambicionam riquezas, vêem que elas pertencem tanto aos homens piores como aos bons. Se têm horror à pobreza e às misérias desta vida, vêem que estas fazem sofrer não só os maus mas também os bons, e dizem para si mesmos: «O Senhor não vê» (Sl 93,7), Ele não gere os assuntos humanos. Ele deixa-nos ir totalmente ao acaso para o abismo profundo deste mundo e não nos mostra a Sua providência. E, se desprezam os preceitos de Deus, é porque não vêem o Seu juízo manifestar-se. [...]


Deus reserva muitas coisas para o julgamento futuro, mas algumas delas são julgadas agora, para que aqueles cujo julgamento tarda sejam tomados de receio e se convertam. Pois Deus não gosta de condenar mas sim de salvar, e por isso é paciente com os maus para que eles se tornem bons.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja
Sermão 18; PL 38, 128


A



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011




O Desafio a Escolher

O corpo do grande discurso de nosso Senhor na Montanha, sem erro, foi concluído em Mateus 7,12.

A natureza radical e não convencional do Reino, seus cidadãos e sua justiça foram clara e poderosamente traçados (5,3-7,12).

Os demais versículos do Sermão (7,13-27) contêm o apelo de Jesus pelo compromisso de seus ouvintes.

Este notável discurso espiritual, que dá definição a toda verdadeira pregação do evangelho, não foi pretentido meramente para informar, mas para persuadir.

O Sermão da Montanha toca nossa vontade, bem como nosso entendimento.

É um chamado a escolha radical.

E o Grande Pregador não pretende que escapemos dele ou de sua mensagem. Ele está dizendo, com efeito: "Meu Sermão está terminado. Agora você tem que decidir o que você fará a respeito dele.

Pondere cuidadosamente. Escolha sabiamente. Vida e morte estão no rumo que você tomar."

O que é óbvio em tudo isto é o fato que, não obstante todo o poder de Deus, os homens podem rejeitar sua vontade. Seu longo e árduo trabalho redentor resulta, finalmente, não em um decreto irresistível (Atos 7,51; Hebreus 10,29); mas em um convite solene (Mateus 11,28-30).

O homem não é um robô. Sua vontade, por determinação de Deus, é inviolável. Jesus pode suplicar, mas não pode compelir.

Assim, ele nos ensina pacientemente e, então, insistentemente solicita.

Ao fazer seu apelo de encerramento, o Senhor fala só de duas alternativas: duas portas, dois tipos de fruto, dois fundamentos.

A escolha pode ser difícil, porém não é complexa.

Temos que decidir entre o caminho da submissão e da confiança e o caminho da rejeição e da rebelião. Ele insiste com seus ouvintes para que escolham entre estas alternativas, considerando não somente suas exigências, mas também suas conseqüências. Aonde esta estrada me levará? Que tipo de fruto esta árvore produzirá? Resistirá esta casa à mais violenta tempestade?

As exortações deste trecho final podem ser divididas em três unidades (7,13-14;15-23; 24-27). Entre duas admoestações a escolher sabiamente, está inserido um aviso sobre o perigo da sábia escolha apresentada por falsos mestres.

O Caminho Estreito

"Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para a perdição e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela" (Mateus 7,13-14). Aqui Jesus abertamente insiste com seus ouvintes para que escolham o caminho que é duro e apertado e rejeitem um trajeto mais fácil e mais confortável. Ele até deixa claro que a estrada à frente é tão inexoravelmente exigente quanto a porta pela qual nela se entra, e mais do que isso, pode ser, algumas vezes, um caminho solitário, uma vez que muitos homens não o acharão a seu gosto. O convite ao reino feito pelo Senhor, notavelmente honesto, torna excessivamente repugnantes os apelos carnais e as promessas açucaradas de alguns pregadores modernos.

Não há nada de surpreendente neste convite. É um convite a entrar num reino cuja feição mais saliente tem sido a estreiteza de sua visão e a singeleza de seu compromisso (5,48; 6,19-24,33). A porta estreita é a soberana autoridade do Senhor, e o caminho apertado a obediente submissão a sua vontade. Aqueles que entram não se encontrarão mais fazendo a coisa esperada, tradicional, óbvia. Seguindo o Filho de Deus, suas vidas serão tão diferentes como seus destinos.

Obviamente, há muitas coisas que aqueles que escolhem a estrada estreita do reino têm que deixar para trás. Estaremos abandonando a multidão despreocupada que nunca tem que perguntar se o que está fazendo é agradável a Deus. O que é mais importante, estaremos nos desfazendo de nossa velha personalidade, com seu modo arrogante, teimoso e egoísta e entregando a mente e o pensamento a um Soberano mais sábio e mais benevolente (Mateus 16:24-25; 2 Coríntios 10:4-5). Somente deste modo chegaremos a ser mansos e misericordiosos, pobres de espírito e puros de coração, capazes de amar nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem.

Mas se o caminho estreito do reino constringe o espírito obstinado e a mente voltada para si mesmo, ele não estreita o amor (Filipenses 1,9; Efésios 3,17-19); não constringe a paz (Filipenses 4,7); não seca a alegria (1 Pedro 1,8); não espreme a misericórdia (Efésios 2,4); não esmaga a bondade (2 Coríntios 9,8); não estrangula a esperança (Romanos 15,13). Tudo isto abunda na estrada estreita. A única coisa que a porta estreita arranca de nós é aquela impiedade que nos envenena e destrói. Somente o homem que ainda ama essa impiedade se sentirá oprimido e sufocado na estrada do Rei. O pecado é o ladrão que veio "roubar, matar e destruir", mas o "Bom Pastor" veio para que os homens tenham vida, e tenham-na abundantemente (João 10,10).


A



A Regra de Amor

"Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei, e os profetas".

É conveniente que prestemos alguma atenção especial a Mateus 7,12, porque ele é um dos versículos mais conhecidos da Bíblia e, bastante triste, muito pouco praticado por aqueles que o conhecem.

A "regra de amor" veio a ser identificada de um modo especial com Jesus, mas o Senhor aqui a descreve como a verdadeira essência da "lei e dos profetas" (note Romanos 13,9-10).

Memorável como é, esta passagem não abre nenhum novo assunto ético, mas é simplesmente uma reafirmação de Levítico 19,18: ". . . amarás a teu próximo como a ti mesmo." Mas, se o mandamento para fazer aos outros o que quisermos que eles nos façam não é excepcional para Jesus, há certamente uma intensidade especial que ele lhe dá, pelo exemplo forte de seu próprio amor: "Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei. . . ." (João 13,34).

Talvez a primeira coisa que precisa ser notada, sobre a "regra de amor", é que ela nos compele a tratar os outros começando por nós mesmos. Não devemos determinar nosso tratamento aos outros olhando para eles e perguntando o que eles merecem, mas iniciando conosco mesmo e perguntando o que nós quereríamos e necessitaríamos.

Os filhos de Deus devem usar o seu entendimento de interesse próprio inato, para aprender como tratar os outros de um modo gracioso e amável. Como, precisamos perguntar, desejaríamos ser tratados se estivéssemos nas mesmas circunstâncias que agora enfrentam nossos companheiros?

Que bem esta simples regra de conduta penetra nossos subterfúgios para nos justificarmos! Subitamente, para o coração humilde, o caminho se torna notavelmente claro.

Mas se é assim, por que é que mais pessoas não praticam este princípio que haveria de, tão obviamente, revolucionar o mundo?

Basicamente, porque muitas pessoas são egoístas e egocêntricas. Todos os esforços para alterar os homens, educando-os pela "regra de amor", têm falhado porque os objetos destes esforços repressores continuam a ser essencialmente egoístas. Somente quando aquela velha tendência a servir-se a si próprio for interrompida é que os homens se libertarão para tratar os outros da maneira como gostariam de ser tratados.

Como então os homens vão ser liberados de seu básico egoísmo e ficarem livres para ver os outros como eles vêem a si próprios? Olhando primeiro para Deus. Nossa fascinação por nós próprios só pode terminar quando ficarmos fascinados por Deus. Não é o maior mandamento de todos "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração . . ."? (Mateus 22,36-39).

Quando um amor absoluto por Deus nos tirar de um absoluto amor próprio, libertar-nos-emos para amar os outros como nos amamos a nós mesmos. Até que isso aconteça, o tipo de amor próprio demasiado, que guia muitos homens, impossibilitará que jamais sejamos capazes de ver os interesses dos outros do mesmo modo que vemos os nossos próprios. O que isto diz é que somente Deus pode livrar-nos de nós mesmos e capacitar-nos a amar os outros de modo sem egoísmo. "Nós amamos porque ele nos amou primeiro" (1 João 4,19). Esta é a razão precisa por que nenhum homem que não olhou para a face de um Deus santo e amoroso, e caiu de joelhos em humilde gratidão, pode jamais praticar a regra de amor.

Este simples fato, muito provavelmente, explica porquê Jesus levanta de novo o assunto do amor ao próximo no contexto de Mateus 7. Ele pode ajudar-nos a entender o sentido do "pois" de nosso texto (7,12).

Mateus 7,12 é uma volta ao assunto do julgar aos outros, e isto podia ser, mas é difícil tratar 7,6-11 como nada mais do que um parêntese. Parece mais provável que o Senhor está baseando sua instrução para o tratamento dos outros no gracioso tratamento que Deus dá a seus filhos (7,9-11).

A misericórdia de nosso Pai e a generosidade para conosco não foi o que merecemos, mas o que desesperadamente necessitamos. Certamente, então, aqueles que têm recebido tal graça são exortados a tratar os outros, não na base do que eles merecem, mas do que eles necessitam. Então, Jesus fecha o núcleo de seu Sermão como ele o começou: com um apelo por uma verdadeira justiça que se revela num amor sem egoísmo pelos homens, um amor que repousa solidamente no gracioso amor de Deus por nós.

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