Como seus amores são belos,minha irmã, noiva minha. Seus amores são melhores do que o vinho, e mais fino que os outros aromas é o odor dos teus perfumes. Por isso Eu quero consumir meus dias, no seu amor! ══════ ღೋ♡✿♡ღೋ═══════

Ani Ledodi Vedodi Li


Mais do que qualquer outro motivo, esta é a razão pela qual quero fazer deste blog um caminho para amarmos mais a Deus, por isso seu nome: “Ani Ledodi Vedodi Li”

Para você entrar em nossos artigos click nas imagens nas laterais e encontrarás os lincks dos artigos postados.

Deus o Abençõe !

E que possas crescer com nossas postagens.

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus!

A Igreja não tem pressa, porque ela possui a Eternidade. E se todas as outras instituições morrem nesta Terra, a Santa Igreja continua no Céu.

Não existem nem tempos nem lugares sem escolhas.

E eu sei quanto resisto a escolher-te.

"Quando sacralizamos alguém essa pessoa permanece viva para sempre!"

Sacralize cada instante de tua vida amando o Amado e no Amado os amados de Deus !


Pe.Emílio Carlos

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Santa Teresa (cristológica, eclesial, oracional e mariana)

Quero apresentar aqui um lindo trabalho do Frei Afonso de Santa Teresinha, no XII Encontro de Presidentes, Mestres e Conselheiros OCDS - (Palestra 1), para quem ama como eu Santa Teresa de Jesus nos ajuda a perceber o nosso lugar dentro da história em que somos chamados para marcar a nossa vida como verdadeiros cristãos num mundo hoje que grita pelos filhos de Deus, uma geração que geme como toda a natureza esperando por cristãos.
Não estamos vivendo o cristianismo que hoje o mundo esta nos pedindo."Preciso ser Cristão em tudo o que sou e realizo. Sou portador de uma noticia!"
Estamos diante do desafio de dar conta da vida todos os dias. Esse é o martírio de hoje, em tempos que não são favoráveis aos cristãos. Você está disposto a viver esse martírio?
Chega de hipocrisia. Precisamos assumir o cristianismo com todas as conseqüências. Na carta que levamos não há espaço para hipocrisia, não verdade, falseamento do evangelho.
Com o Evangelho não se brinca, pois a palavra nos diz de Deus não se zomba.
Preciso ser cristão em tudo o que sou e realizo. Sou portador de uma noticia!
Seja portador de Deus vivendo o seu papel. O cristianismo nos envolve por inteiro.
Assim este artigo nos ajudara a ver diante de nossa realidade como santa Teresa nos ajuda a vivermos estas três grandes dimensões em nossa vida de hoje como verdadeiros
homens de Deus e cristãos:

São realidades que em Santa Teresa estão intrinsecamente relacionadas, como que desdobramentos naturais de uma única realidade: Deus.
Deus Uno-Trino é a fonte que dá vida e sustenta todas as realidades dele oriundas.

Cristológica: Teresa de Jesus e Jesus de Teresa. É todo um programa de vida que se aprofunda e desenvolve à medida dos anos. Cristo é o centro de sua vida e sua história a tal ponto de também nela ocorrer o que Paulo apóstolo experimenta: “não sou mais eu quem vivo, é Cristo quem vive em mim”.
Sua espiritualidade cristológica está profundamente enraizada na S. Escritura, particularmente nos Evangelhos, na Liturgia (Missa e Ofício), nos Sacramentos e que se prolonga na oração pessoal. É seu AMIGO, seu LIVRO VIVO, seu CAPITÃO DE AMOR.
“Não sabes que sou poderoso? Que temes?” (V. 36,16)
“Eu sou fiel”. (R. 28,1) = (Ap 1,5;19,11)
Mesmo no ápice de sua vida espiritual, jamais abandonou as expressões populares das relações com o Senhor, como p. ex. o Jesus Menino que presidia suas fundações, o Senhor do Horto e as várias representações da paixão, etc...
“Tenho compreendido claramente que esta é a Porta pela qual devemos entrar, se pretendemos que a soberana Majestade revele grandes segredos. Não queira outro caminho, ainda que esteja no cume da contemplação. Por aqui irá seguro. É por meio deste Senhor nosso que nos vem todos os bens”. ( V. 22,6.7)

Eclesial: Teresa é e quer ser filha da Igreja até a morte. Absolutamente nada sem a Igreja.
Sem negar, naturalmente, a realidade espiritual da Igreja Corpo Místico, Teresa vive a realidade terena da Igreja, compartilhando a dramática situação eclesial do séc. XVI; preocupa-se em dar o melhor de si para o bem da Igreja. A evangelização do novo mundo (América) interessa-lhe particularmente.
Quer relacionar-se com “homens da Igreja” e que estes sejam “santos e letrados” para deles receber ajuda oportuna, tanto pessoal quanto comunitária para suas monjas.
Na sua atividade de fundadora, bem como na sua obra escrita e na sua experiência mística, tudo vem submetido à autoridade eclesial, mesmo havendo, em alguns casos, certas hesitações. Todo seu carisma e ministério é exercido dentro da estrutura eclesial: “ Em tudo sujeito-me à Santa Igreja Católica”. Nota importante na eclesialidade de Teresa: esta acontece, antes de tudo, na própria comunidade religiosa: é o “pequeno colégio de Cristo”, onde “todos deverão amar-se e fazer-se amáveis”.

Oracional: a vida cristológica e eclesial de Teresa, como que um movimento natural de relação amorosa, encontra na oração sua “ Terreno” privilegiado.
A oração teresiana é, antes de tudo, uma atitude existencial: Ela não é outra coisa “ senão tratar de amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com quem sabemos que nos ama”. (V. 8,5)
Nesta relação ( e justamente por ser relação !) “o principal não é pensar muito, mas amar muito” (4M, 1,7). Trata-se, portanto, não apenas de atos de oração, mas de atitudes orantes, uma vez que “ o verdadeiro amante em toda parte ama e se lembra do amado”. (F. 5,16)
Esta atitude orante, em S. Teresa, compromete seriamente toda a existência e não deixa espaço para o mínimo farisaísmo: “Não deveis assentar vossos alicerces só em rezar e contemplar. Com efeito, se não buscardes virtudes e o exercício delas, ficareis sempre anãs. E praza a Deus que não seja só no crescer, porque já sabeis que quem não cresce, diminuí. (7M, 4,9)
Para o orante, a mãe e mestra Teresa é categórica: “Segui sempre o mais perfeito” (C 5,3).

Mariano: como nos aspectos anteriores, o marianismo em Santa Teresa invade e ilumina toda sua existência.
Nascida e criada em família profundamente cristã, Teresa vive com fervor e simplicidade sua vida de fé e esta vida é marcada pela presença viva e fecunda da Mãe do Senhor. Toda a sua trajetória e experiências é um canto de amor e gratidão para com a Virgem Maria, a tal ponto de ser chamada, também de “ Teresa de Maria”. Teresa jamais separou Maria de Jesus, da Igreja, da oração e do Carmelo. Maria é como que o perfume que exala suavemente sempre e em toda parte.
Para além de sua devoção popular à Virgem, jamais abandonada, as elevadas experiências de S. Teresa tem raízes bíblicas e fortes motivações teológicas. A Mãe de Deus é proposta com modelo de união com Cristo. Ver 6 M 7,14.
“ A companhia do bom Jesus é proveitosa demais para que nos afastemos dela, o mesmo acontecendo com a da Sua Sacratíssima Mãe” (6M 7,13)
Eis um texto pouco divulgado, no que se refere à Virgem como modelo e testemunho de fé e sabedoria: “Ó segredos de Deus! Aqui não há senão entregar o intelecto e pensar que, para compreender as grandezas de Deus, ele de nada vale. Convém nos lembrar do que fez a Virgem Nossa Senhora, com toda sua sabedoria, perguntando ao anjo: como se fará isso? E quando o anjo lhe disse: O Espírito Santo virá sobre ti, a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, ela não tratou de mais disputas. Como quem tinha grande fé e sabedoria, percebeu algo que, diante da intervenção dessas duas coisas, nada mais havia para saber ou de que duvidar” (CAD 6,7).
De diversos modos, na experiência e espiritualidade de Teresa, Maria surge como modelo e testemunho, mas também como intercessora e auxílio: “ Entendi ter muita obrigação de servir a Nossa Senhora e a São José, porque muitas vezes, estando eu totalmente perdida, Deus voltava a me dar saúde graças aos seus rogos” (R 30).
Toda sua intimidade divina foi sempre vivida sob o patrocínio da Virgem Maria. Humana como é, Teresa jamais desprezou os recursos dos simples: “Sinto uma alegria indizível olhando para uma imagem de Nossa Senhora” (CE 61,7).
Como mãe e mestra nossa, deixa-nos o seu amoroso convite, sempre atual e necessário para nossa vida cristã e carmelitana: “ Já que possuís tão boa Mãe, imitai-A e considerai a imensa grandeza dessa Senhora, bem como a vantagem de tê-La por padroeira”. (3M, 1,3)
Olhando com simplicidade e amor para Mãe do Senhor e nossa, descobriremos na constelação da santidade uma ESTRELA de primeira grandeza, cujo nome é MARIA: “ Quem é esta donzela? É filha do Eterno Pai E reluz como uma estrela”. (P. 14)

Frei Afonso de Santa Teresinha, ocd

segunda-feira, 21 de junho de 2010

«Tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me»

Queridos amigos de meu blog, que exigência é esta de Jesus. Palavras tão duras e tão fortes mas tão verdadeiras para quem quer ser de fato um cristão. Há somente uma via para que eu possa de fato declarar-me seu seguidor.
Sabemos que foi em Antioquia que pela primeira vez os "seguidores do caminho" como assim eram indentificados foram chamados de "Cristãos," mas isso também sabemos o porque .
Não há cristão sem cruz,e não pode haver cruz sem Cristo.
Deus é o Senhor soberano dos Seus planos. Mas, para a realização dos mesmos, serve-Se também do concurso das criaturas. Isto não é um sinal de fraqueza, mas da grandeza e bondade de Deus onipotente. É que Ele não só permite às Suas criaturas que existam, mas confere-lhes a dignidade de agirem por si mesmas, isto é a santa liberdade e de cooperarem, assim, na realização dos Seus desígnios.
Sabem, às vezes o meu temor, o que me leva a paura é esta liberdade que Ele me concede. Seu livre arbítrio. Eu faço as minhas escolhas. E quantas vezes esqueço de ver as consequências das mesmas.
Aos homens, Deus concede mesmo poderem participar livremente na sua Providência, confiando-lhes a responsabilidade de «submeter» a terra e dominá-la (Gn 1, 26-28). Assim lhes concede que sejam causas inteligentes e livres, para completar a obra da criação e aperfeiçoar a sua harmonia, para o seu bem e o dos seus semelhantes. Cooperadores muitas vezes inconscientes da vontade divina, os homens podem entrar deliberadamente no plano divino, pelos seus atos e as suas orações, como também pelos seus sofrimentos. Tornam-se, então, plenamente «colaboradores de Deus» (1 Cor 3, 9; 1 Tes 3, 2) e do Seu Reino.
Esta é uma verdade inseparável da fé em Deus Criador: Deus age em toda a ação das Suas criaturas. É Ele a causa-primeira, que opera nas e pelas causas-segundas: «É Deus que produz em nós o querer e o operar, segundo o Seu beneplácito» (Fil 2, 13).
" Nele vivemos, nos movemos e somos, já nos disse São Paulo.
Como dizia, temo esta santa liberdade. Por isso quero falar-vos um pouco sobre este livre arbítrio.

Livre-Arbítrio - Uma Bênção ou um Fardo

Quando saímos da presença de nosso Pai Celestial para virmos a este mundo, trouxemos conosco um dom inestimável, sagrado e eterno que recebemos na pré-existência. Esse dom é o livre-arbítrio, e é sobre ele que quero falar-vos.
O livre-arbítrio é a possibilidade que temos de pensar, optar e agir por nós mesmos. Ele vem acompanhado de inúmeras oportunidades, que por sua vez, são seguidas de responsabilidades e conseqüências.
O livre-arbítrio pode ser uma bênção ou um fardo. É importantíssimo fazer uso sábio do livre-arbítrio nos dias de hoje, porque em nenhuma outra época da história do mundo, os filhos de Deus foram tão abençoados ou tiveram de escolher tantas oportunidades.Mas também estamos sento tão saqueadospor vilões e por sistemas iníquos.
Anos atrás, a vida em minha cidade de interior, no Estado de São Paulo era mais simples. Nosso número de telefone era composto por um só dígito, o número 8 era sempre 82.... Os únicos cinemas que tínhamos era o Politiama ou Yara e exibia filmes que cortam ou quebra a fita várias vezes. O carteiro passava toda segunda, quarta e sexta, a menos que chovesse muito.
Não havia mais que uma estrada principal. Não existiam muitos caminhos para escolher nem muitos lugares para ir.
Hoje há infinitos números de telefone, que nem guardo todos,nosssos celulares enormes que nem consigo gravar o meu próprio,admiro minha secretaria que traz os números na cabeça, filmes de todos os tipos e cores, e-mails à nossa disposição 24 horas por dia e muitas estradas exigem continuamente o nosso discernimento.
O meio à nossa volta está cheio de opções, mas o propósito pelo qual estamos aqui na Terra nunca mudou.
As escolhas são inevitáveis. As duas forças opostas que se encontram no mundo lutam por nossa opção. De um lado, temos a realidade de Satanás e do outro, o amor de nosso Salvador, que é mais forte.
S.Paulo ensinou-nos que se não houvesse oposição, não haveria nem retidão nem iniqüidade, nem bem nem mal. Não podemos agir, se não tivermos escolhas para fazer.
Para tornarmo-nos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo, é necessário que tenhamos também a opção de rejeitá-Lo.
Foi permitido então que Satanás exercesse seu poder, tornando muitas vezes difícil fazermos a Vontade de Deus. Entretanto, é agindo por nós mesmos que crescemos.
Só quem procura resistir à tentação sabe como ela é forte.
A força do vento descobre-se andando contra ele e não deitando no chão.
Um homem que cede à tentação depois de cinco minutos simplesmente nunca saberá como teria sido uma hora mais tarde.
Cristo, por ter sido o único homem a não cair em tentação, é também o único a saber realmente o que ela significa.
Lembro-me de pedir a meus pais permissão para fazer certas coisas. A resposta era sempre a mesma: "Nós já conversamos sobre isso. Você já sabe qual é nossa opinião e é você quem deve decidir".
Entretanto, as decisões acarretam conseqüências, que nem sempre estão de acordo com nossa vontade. Queremos ter liberdade sem ter de arcar com as conseqüências. Então, na maioria das vezes, procuramos uma posição de neutralidade, em que não precisamos tomar decisões ou nos comprometermos. Nessa situação, tornamo-nos suscetíveis à influência de Satanás.
O Rei Acabe e seu povo no norte de Israel falaram-nos a respeito de neutralidade e indecisão. As bênçãos do Senhor foram suspensas, porque o povo não decidia a quem adorar: Javé ou Baal.
Baal é um outro nome dado a Satanás. O Senhor enviou Elias, o profeta, com a seguinte mensagem: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?
Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o". A escritura diz que "o povo nada lhe respondeu". (I Reis 18,21) Eles não queriam arcar com as responsabilidades e as conseqüências da decisão que tomassem.
Vocês lembram-se da história: Elias desafiou-os a fazer um teste para ver quem era Deus. Eles invocariam seu "deus" para ver qual deles queimaria a oferenda sobre o altar. Ao clamarem seu ídolo em voz alta, os sacerdotes não foram ouvidos nem atendidos.
Por outro lado, um só profeta do Deus verdadeiro não somente foi ouvido, mas também magnificado em seus esforços. Quando Elias invocou seu Deus, o fogo consumiu tudo: o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. Em seguida, o povo exclamou: "Só o Senhor é Deus" (I Reis 18,39), e, de acordo com as escrituras, todos os sacerdotes de Baal foram mortos. Naquele dia, não restou um único incrédulo no norte de Israel!
Não seria tão difícil fazermos escolhas se fôssemos recompensados de maneira tão rápida e espetacular quanto o foi Elias ou se as escolhas erradas resultassem em morte imediata. No entanto, as coisas não são tão simples assim quando a tarefa é aumentar nossa fé.
Nossa fé e comprometimento são testados quando o mundo nos apresenta oportunidades convidativas e sedutoras que podem nos desviar do Reino de Deus.E Jesus vem falar em tomar a cruz e segui-lo, renunciar a si mesmo. Valha-me Deus!
Algumas pessoas gostariam de viver no Reino de Deus e, ao mesmo tempo, ter uma casa de veraneio na Babilônia. Entretanto, se não formos determinados e conscientes ao escolhermos o Reino de Deus, estaremos na verdade recuando à medida que o Reino avança de "forma corajosa, nobre e independente".
Nossas bênçãos e fardos são determinados pela maneira como conduzimos nossa vida. O Senhor convida-nos a lançarmos sobre Ele nosso fardo, pois Ele nos sustentará (Salmos 54,23).
Uma coisa é certa "o diabo não amparará seus filhos".
Um jovem que amo de todo o coração disse-me: "Ninguém me pode dizer o que fazer. Eu sou o responsável pela minha vida".
Ele tem a idéia falsa de que para ser livre e independente deve opor-se à vontade de Deus. De onde, pois, virá sua força?
Jesus: [Ele] era tudo o que um menino devia ser, pois desenvolvia-Se sem ser retardado pelo peso do pecado; Ele amava a verdade e, obedecia a ela, era livre.
A Sagrada Escritura diz: crescia em graça, sabedoria e força.
As escolhas certas, mesmo as triviais que fazemos diariamente, tornam-nos livres e trazem-nos bênçãos.
Um de meus amigos achava que o Senhor Se estava intrometendo muito em sua vida. Ele disse: "Eu não posso aceitar todos os preceitos da Igreja, que me dizem o que devo ou não fazer". Meu amigo não conseguia entender que esses preceitos são evidências do cuidado zeloso que o Pai Celestial tem por nós.
Não é incrível? Existem seis bilhões de habitantes neste planeta, e o Pai Celestial sabe a quais programas assisto na televisão, o que como e bebo, como me visto e de que maneira ganho e gasto meu dinheiro. Ele preocupa-Se com o que faço ou deixo de fazer. O Pai Celestial preocupa-Se com a minha felicidade.
O cuidado que o Pai Celestial tem por nós é demonstrado de diversas maneiras, e tudo o que temos de fazer é ouvi-Lo e seguir Seus conselhos. Alguém disse: "Se não escolhermos primeiramente o Reino de Deus, no final não fará diferença o que tivermos escolhido em seu lugar".
O propósito pelo qual estamos aqui neste mundo nunca mudou, e nunca mudará; por isso, nosso Pai Celestial concede-nos outros dons que nos ajudam a viver com mais segurança e fazer uso de nosso livre-arbítrio com mais sabedoria. Pensem no dom da oração - é uma oportunidade que temos de sermos ouvidos e compreendidos. Pensem no dom do Espírito Santo, que nos mostra as coisas que devemos fazer. Pensem nos sagrados convênios que fazemos, nas escrituras, no sacerdócio e na bênção patriarcal. Pensem no Sacrifício Expiatório e no sacramento que nos envolvem em amor, esperança e graça e principalmente nos alimenta constantemente na Eucaristia. Essas dádivas ajudam-nos a usarmos nosso livre-arbítrio sabiamente para podermos voltar ao nosso lar celestial, onde "as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam". (I Cor. 2,9)
Nos dias de hoje há muitos caminhos, mas assim como em minha cidade natal, só havia uma estrada principal, o caminho estreito e apertado é o convite de Jesus neste evangelho:"dirigindo-se a todos, disse: «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me. Pois, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê la; mas, quem perder a sua vida por minha causa há-de salvá-la".
Reconhecendo a disposição que temos de vagar por caminhos desconhecidos, oramos ao Senhor:

Sei que sou propenso a vagar sem rumo, Senhor;
Propenso a abandonar o Deus a quem amo;
Aqui está meu coração, ó, tome-o e guarde-o;
Guarde-o para as cortes celestes.


Termino com a oração por mim e por vocês: "Ó Senhor, não me feches as portas da tua justiça, para que eu não ande na senda do vale da morte, para que eu seja firme no caminho plano". Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Pe.Emílio Carlos Mancini+

Com a medida com que medirdes, assim sereis medidos


Evangelho S. Mateus 7,1-5.

«Não julgueis, para não serdes julgados; pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos. Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista? Como ousas dizer ao teu irmão: 'Deixa-me tirar o argueiro da tua vista’, tendo tu uma trave na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão.»

Reflexão:

Para cada doença existem vários medicamentos e tratamentos. Mas enquanto não se oferecer uma mão doce pronta a servir e um coração generoso pronto a acarinhar, não creio que se possa alguma vez curar esta terrível doença que é a falta de amor.
Nenhum de nós tem o direito de condenar quem quer que seja. Nem quando vemos pessoas soçobrar sem compreender porquê. Não nos convida Jesus a não julgar? Talvez tenhamos contribuído para tornar as pessoas como elas são. Devemos compreender que são nossos irmãos e nossas irmãs. Este leproso, este bêbedo, este doente são nossos irmãos, também eles foram criados para um amor maior. Nunca deveríamos esquecê-lo. O próprio Jesus Cristo Se identifica com eles quando diz: «Aquilo que fizestes aos Meus irmãos mais humildes foi a Mim que fizestes» (Mt 25, 40). E pode acontecer que essas pessoas vivam na rua, desprovidas de qualquer amor e quaisquer cuidados, porque lhes recusámos a nossa solicitude, a nossa afeição. Sede doces, infinitamente doces para com o pobre que sofre. Compreendemos tão mal aquilo por que ele passa! O mais difícil é não ser aceito.

Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«No Greater Joy» (a partir da trad. «Il n'y a pas de plus grand amour», Lattès 1997, p. 55)

A ESPIRITUALIDADE DO DESERTO

O deserto é um lugar desabitado, despovoado e solitário. É uma região árida com pouca vegetação devido à escassez da chuva. Os ventos fortes são freqüentes, aumentando assim, a secura do clima.
Os grandes desertos têm uma faixa contínua através do Velho Mundo, desde o Saara, na África, passando pelo Oriente Médio e Ásia Central, até a Mongólia. Seus habitantes são nômades. A população vive onde aparecem os lençóis subterrâneos de água que formam os oásis. Os rios correm fora. Insetos e animais perigosos estão presentes. Alguns são quentes e secos o ano inteiro, outros são gelados no inverno. O camelo vive ali. Ele acumula água na corcova e possui válvulas nasais que impedem a passagem da areia. As tempestades de vento e areia são imprevisíveis e podem ocorrer em qualquer momento do dia ou da noite. É sempre um risco viver no deserto, bem como atravessá-lo.

O povo de Deus no deserto

A história do povo de Israel só é compreendida a partir do deserto. De um povo oprimido no Egito, Deus formou o seu povo eleito, levando-o, através do deserto, até a terra prometida.
Os desertos que o povo de Israel atravessou não eram totalmente desabitados. Algumas fontes de água formavam os oásis em torno dos quais era possível viver, criar alguns animais e realizar algumas plantações. Chuvas e orvalhos, em certos períodos do ano, permitiam a formação de pequenos lugares habitados, ligados entre si por caminhos percorridos pelas caravanas. Algumas cisternas permitiam guardar água o ano inteiro.
Durante quarenta anos o povo eleito viveu no deserto.Para chegar à terra prometida foi necessário passar pelo deserto. Esse foi um tempo intermediário entre a escravidão e a liberdade. Foi um período de altos e baixos, revoltas e murmurações, fome e sede, provações e infidelidades.
A grande murmuração dos israelitas, contra Moisés e contra o próprio Deus, foi pela falta de comida e de água. Quando eles encontram uma fonte, esta é amarga. A murmuração mostra que o povo ainda não assumiu a condição de um povo livre. Porém, a água amarga, símbolo de morte, se transformará em fonte de vida (Ex 15,24-25).
Quais são as murmurações de sua vida ?

O deserto é o lugar da fé.
Só conquista a Terra Prometida quem sabe atravessar o deserto.
Tempo de deserto é sempre de provações, de teste. Ele possibilita averiguar se o povo será capaz de permanecer fiel ao projeto de liberdade. O grande risco é se acomodar na situação já conquistada e não caminhar mais. Por isso, o deserto é o espaço para a tomada de consciência.
O amadurecimento na fé faz o povo lembrar que sempre depende de Deus. O deserto é o lugar do imprevistos. É o símbolo do caos da esterilidade. É a imagem do silêncio e da solidão.
O povo de Deus precisou suportar duras penas durante os quarenta anos em que esteve no deserto. Por outro lado, esse tempo foi também um itinerário de conversão e apelo de salvação. O salmista relembra que o povo endureceu o coração: Oxalá ouvísseis hoje a sua voz! Não endureçais vossos corações como no deserto (Sl 95,8).
A leitura dos símbolos ajuda na mística da fé e na retomada de vida, pois quanto mais o símbolo estiver enraizado na experiência humana, tanto mais ele se transforma em momento de salvação. O salmista fala a todos os homens e mulheres de todos os tempos e lugares. A esperança desaparece quando não se alimenta a fé. A espiritualidade do deserto possibilita esse crescimento da fé. Sempre que houver infidelidades na vida, é necessário voltar ao deserto para encontrar luz interior. O deserto é o espaço de uma profunda experiência mística e supõe despojamento total.
Como você tem enfrentado os períodos de desertos em sua vida?

O deserto florescido

Conforme o livro dos Números,o deserto é um lugar inóspito, sem sementes, sem flores e sem frutos:
Impróprio para a semeadura, sem figueiras, nem vinhas, nem romãzeiras e sem dgua para beber (Nm 20,5).
Também o livro do Deuteronômio diz que: O deserto era grande e terrível, cheio de serpentes venenosas e escorpiões, onde não havia água para beber (Dt8,15). Há algo pior do que a sede, serpentes venenosas e escorpiões? Em suma, o deserto parecia um lugar que não recebeu a bênção de Deus. Era o lugar onde habitavam os demônios e os seus poderes. Porém, há um paradoxo, pois nessa terra maldita, Deus mostra mais de perto o seu amor, derramando as suas bênçãos em forma de maná, o pão do céu. O deserto fez o povo perceber que a vida provém de Deus. Foi o próprio Deus que traçou o caminho pelo deserto. Podemos dizer que o deserto foi a idade de ouro da história da salvação. O deserto faz caminhar e não deixa a pessoa se acomodar. Caminhar é levar consigo o objeto da própria esperança. Todos os caminhos da fé, por mais sinuosos que sejam, conduzem a Deus.
Os obstáculos ali encontrados servem para lembrar que a salvação é dinâmica. O profeta Isaías, ao falar de água para os sedentos, apresenta o deserto florido. Para um povo sem esperança, ele diz: No lugar do deserto colocarei cedro, acácia, mirto e oliveira; na terra seca plantarei ciprestes, olmeiros e pinheiros (Is 41,19).
O povo não deve temer os obstáculos, pois o mesmo Deus que libertou os escravos do Egito vai agora agir de novo, libertando-o da nova escravidão. O deserto florescido e renovado é o símbolo dessa libertação.
•O que você precisa renovar?

João Batista e Jesus
A pregação de João Batista se dá no deserto e não na cidade. Quem quisesse ouvi-lo deveria ir lá para confessar seus pecados e receber o batismo. João Batista tem consciência que deve ser uma voz que clama no deserto. É ele quem vai preparar o caminho do Senhor e aplainar suas veredas. Jesus também, após ser batizado por João Batista, pleno do Espírito Santo, vai escolher o deserto como espaço de preparação para sua missão salvadora. As três tentações que vai enfrentar resumem os conflitos que vai experimentar em toda a sua vida e, sobretudo, no momento da cruz. Poder, prazer e ter são três tentações que sempre estarão presentes no coração de todo homem e de toda mulher; de todos os povos e de todos os tempos. Podemos perceber que as grandes tentações acontecem no deserto. Jesus recupera o deserto maldito e o transforma em símbolo de salvação. O tempo é simbólico. Os quarenta dias que Jesus esteve no deserto recordam os quarenta anos que o povo de Israel esteve no deserto.

A EXPERIÊNCIA DE VIVER UM DIA NO DESERTO

O deserto é um itinerário espiritual, lugar constante de tentações e discernimentos. É escola de vida que faz crescer. Tem caráter provisório e não definitivo. Quem vai ao deserto não pode levar consigo muita bagagem, mas só o estritamente necessário. O coração desocupado dos ídolos sente que só Deus é que conta. O deserto passa a ser o tempo da revelação de Deus, renovação da aliança e restauração da santidade. Assim aconteceu com os primeiros monges: eles fizeram a experiência de Deus.

Alguns passos para o seu dia no deserto:
.Escolher um lugar adequado, tranqüilo e longe do barulho;
•que seja um dia de silêncio e solidão;
•é preciso interromper todo o ativismo e ter coragem de parar
•o principal objetivo deve ser a intimidade com Deus;

escolha o texto bíblico para sua oração e contemplação;
•não se deixe abalar pelas crises e tentações;
•perceba suas fraquezas e pecados e seja perseverante na oração;
•estabeleça algumas metas e atitudes de conversão;
•reveja o seu projeto de vida;
•marque em sua agenda um novo dia de deserto.

Textos para a oração :

•Salmo 95: prostração diante de Deus e as provações do deserto;
.Números 20,1-21: a falta de água no deserto;
•Deuteronômio 8,1-20: os ensinamentos do deserto;
•Isaías 41,8-29: o deserto renovado e água para os sedentos.
Pe.Emílio Carlos +

sábado, 19 de junho de 2010

A VIDA CONTEMPLATIVA II


II.A EXPERIÊNCIA DA VIDA CONTEMPLATIVA

É verdade que quem descobriu em profundidade a Deus, quem fez a experiência amorosa e apaixonante do seu mistério não vê com nenhuma estranheza o fato de que pessoas de ambos os sexos, em sua maioria jovens, desejem dedicar-se a Ele a tempo completo. Foram seduzidos por Alguém que os amou com amor infinito e desejam passar o resto de suas vidas em comunhão com esse Amado. É um fato que o eros divino se apresenta sempre como mais forte que o ser humano, vencendo suas resistências e se impondo por sua majestade. Sob o toque ao mesmo tempo suave e violento de seu amor, o profeta inclina a nuca e se rende, exclamando: “Tu me seduziste, Senhor e eu me deixei seduzir. Foste mais forte que eu e me venceste!” (Jr 20,7). E, sob sua liderança, a esposa infiel retorna sobre seus passos, abandona seus amantes e se deixa docilmente conduzir ao deserto, à nudez e ao despojamento do primeiro amor da juventude. (cf. Os 2,16ss)
Deus é, porém, para aquele ou aquela que atrai a Si mesmo, objeto de desejo e não de necessidade; da ordem do gratuito e não do necessário, do inteligível, do controlável. Incomparável e sem similitude com o que se convencionou chamar “as necessidades básicas”do ser humano: comer, beber e tudo aquilo sem o qual a vida biológica desfalece e morre. E apesar de sua “inutilidade”, ontem como hoje, o eros divino continua a ter sobre a totalidade do humano - corporeidade animada pelo espírito - um poder de atração e sedução que desperta o desejo até o paradoxismo, podendo levar aos despojamentos mais radicais e às renúncias mais heróicas, em nome da possibilidade entrevista e pressentida de participar de sua vida divina e experimentar a união proposta por Ele, mesmo que apenas durante um minuto. Deus é “inútil”, nada acrescentando à vida biológica.
Não promete sucesso, longevidade nem prazer sensível. Ao contrário, exige para entregar-se, o despojamento dos bens mais sensíveis e palpáveis e mesmo das ligações mais legítimas do coração humano (familiares, de amizade, etc.) E não admite nem mesmo ser ultrapassado por nenhuma outra realidade, sob pena de não se deixar atingir enquanto Absoluto. E apesar de suas terríveis exigências, hoje como sempre, nos encontramos ainda com pessoas capazes de passar horas e horas de seu tempo em cultos, celebrações e cerimônias de louvor; pessoas capazes de , em nome de sua fé nesse Deus “inútil”, entregar suas vidas num sacrifício que faz tremer nossos corpos e mentes modernizados e ávidos de conforto e consumo; pessoas capazes de ir ao encontro da morte em estado de feliz exaltação e considerar como uma graça imensa ser despojadas de tudo que faz a doçura, o conforto, o bem-estar da vida humana por amor a este “invisível”e “inútil”objeto de desejo. São pessoas, na verdade, dispostas a canalizar todo o seu potencial afetivo e a quase totalidade de seu tempo, energias, criatividade e recursos numa verdadeira liturgia , tornando suas próprias vidas um culto de louvor agradável, cantando hinos de louvor, participando de assembléias onde a oração coletiva toma longas horas e não tem outro objetivo senão o louvor puro e simples a Deus; ou prostrando-se durante horas intermináveis, em contemplação diante do tabernáculo; ou ruminando longamente algum versículo da Bíblia, uma pequena oração ou os cinco mistérios do rosário. O que é certo é que homens e mulheres de hoje, como os de todo tempo, continuam a experimentar o drama de sentir-se limitados e frágeis e, no entanto, feitos para a união com o Sem-limites. E, no fundo mais profundo de si próprios, se percebem habitados pelo desejo ardente e incontrolável de entrar em comunhão com esta incompreensível realidade que se chama Deus e que se revelou a Si mesmo como amor. O amor passa, então , a governar suas vidas e a transformá-las segundo a inexorabilidade e a radicalidade de Sua vontade. Foi a esse chamado que respondeu Bento de Núrcia. E, seguindo seu exemplo, ontem como hoje, homens e mulheres de todas as latitudes continuam respondendo a esse mesmo chamado: radicalmente, plenamente, acreditando que na vida contemplativa, ou seja, no permanente diálogo amoroso com o Deus que os criou e que os recria a cada momento encontrarão a felicidade que o mundo promete por vias tão diferentes.
A verdade é uma só se renunciamos tudo e não for para vivermos tudo no Tudo, não valeu termos renunciado.

Tornarmo-nos monges peregrinos do Amor.

Uma pessoa, entregando-se a Deus como sua propriedade absoluta, torna-se uma dádiva de Deus para todos, de tal modo que a sua vida é verdadeiramente um dom que se situa no centro do mistério da comunhão eclesial, acompanhando a missão apostólica de quantos se prodigalizam no anúncio do Evangelho.
Como reflexo e irradiação da sua vida contemplativa, somos chamados a oferecermos à comunidade cristã e ao mundo de hoje, necessitado mais do que nunca de autênticos valores espirituais, um anúncio silencioso e um testemunho humilde do mistério de Deus, deste modo mantendo viva a profecia no coração esponsal da Igreja.
Sermos monges peregrinos do Amor , que não é amado .
A nossa existência, devotada inteira e desinteressadamente ao serviço do louvor divino (cf. Jo 12,18), proclama e difunde por si mesma o primado de Deus e a transcendência da pessoa humana, criada à sua imagem e semelhança. É, portanto, um apelo feito a todos para aquela cela do coração, onde cada um é chamado a viver a união com o Senhor.
Vivendo na e da presença do Senhor, os nossos constituem uma particular antecipação da Igreja escatológica, empenhada na posse e na contemplação de Deus, representando visivelmente a meta para a qual caminha toda a comunidade eclesial que, empenhada na ação e dada à contemplação, adianta-se no tempo com o olhar fixo na futura recapitulação de tudo em Cristo .
Nossa meta é Deus, somente Deus, é traduzir assim na vida: Deus=Amar, somente amar.
Em tudo colocar o amor, lembrando das santas palavras de nosso pai São João da Cruz: “Onde não há amor , coloque amor e tudo terás!”
Sendo assim vejo-me a gora como um verdadeiro “Teoforo”= portador de Deus, que missão importante é esta.fazer Deus chegar através de mim onde não esta.
O meu viver e as nossas casas é o lugar que Deus custodia (cf. Zac 2,9); é a morada da sua presença singular, à imagem da tenda da Aliança, na qual se verifica o encontro diário com Ele, onde o Deus três vezes Santo ocupa completamente o espaço e é reconhecido e honrado como o único Senhor.
Um homem e uma mulher contemplativo constitui também um dom para a Igreja local a que pertence. Representando o seu rosto orante, torna mais plena e significativa a sua presença de Igreja. Uma comunidade contemplativa pode ser comparada com Moisés, que, na oração, decidiu a sorte das batalhas de Israel (cf. Ex 17,11) e com a sentinela que vigia de noite à espera da aurora (cf. Is 21,6).
O ser em viver como monges peregrinos representa a própria intimidade de uma Igreja, o coração onde o Espírito geme e intercede continuamente pelas necessidades da comunidade inteira, e donde se eleva sem cessar a ação de graças pela Vida que Ele concede em cada dia (cf. Col 3,17). Tornarmo-nos vítimas de amor pelo Amor e pelos amados do Amor.
É importante que os fiéis aprendam a reconhecer o carisma e a função específica dos contemplativos, pelo sua presença discreta mas vital, pelo seu testemunho silencioso que constitui um apelo à oração e à verdade da existência de Deus.
De ânimo livre e hospitaleiro, « com a ternura de Cristo », nos monges peregrinos e ambulantes traremos no coração os sofrimentos e as ansiedades daqueles que recorrem à nossa ajuda e de todos os homens e mulheres. Profundamente solidárias com as vicissitudes da Igreja e do homem de hoje, colaboremos espiritualmente para a edificação do Reino de Cristo a fim de que « Deus seja tudo em todos » (1 Cor 15,28).
A comunidade de tipo contemplativo (que apresenta Cristo sobre o monte) está concentrada na dupla comunhão: com Deus e entre os seus membros e toda a Igreja. Tem uma projeção apostólica eficacíssima, a qual, porém, fica em boa parte escondida no mistério do Amor.
Gostaria aqui de repetir o que nesta hora trago ao coração com estes enunciados de nossas constituições sobre a vida de oração : “ A nossa obra é apenas a expressão do amor que temos a Deus”.
Este amor precisa de alguém que o receba, e é assim que as pessoas que encontramos nos dão o meio de o exprimirmos.
Não é nossa missão dar Deus aos pobres dos casebres? Não um Deus morto, mas um Deus vivo e que ama. Quanto mais recebermos na oração silenciosa, mais podemos dar na nossa vida ativa. Precisamos de silêncio para sermos capazes de tocar as almas.
O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus nos diz e o que diz através de nós. Todas as palavras que dissermos serão vãs se não vierem do mais íntimo; as palavras que não transmitem a luz de Cristo aumentam as trevas.
Pe.Emílio Carlos Mancini+
o irmão menor grãozinho de areia.

A VIDA É SAGRADA !

Aborto é o genocídio infanticida silencioso sem campos de concentração. É preciso combatê-lo em todas as frentes possíveis, portanto. "Católicas pelo direito de decidir" = farsa (católicos não decidem pela morte de crianças inocentes, optam sempre pela vida, ou não são católicos!). Herodes nunca foi amigo de Cristo. Uma criança morta e uma mulher gravemente ferida no corpo e na alma não são o caminho de Cristo! A VIDA É SAGRADA!
A vida é um dom de Deus. Daí, o respeito à vida e à dignidade de todos os humanos vivos, desde a concepção até à morte. O Magistério da Igreja tem-se repetidamente manifestado nesse sentido.A Instrução Donum vitae (1987) é toda dedicada à proteção do nascituro, com argumentos de ordem moral, jurídica e espiritual.. Afirma: "O ser humano deve ser respeitado e tratado como pessoa, desde a sua concepção e, por isso, desde aquele momento devem ser-lhe reconhecidos os direitos de pessoa, entre os quais, antes de tudo, o direito inviolável à vida de cada ser humano inocente".
0 Catecismo da Igreja Católica (1992) dispõe: "A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida (n° 2270) .(...). O direito inviolável de todo indivíduo humano inocente à vida constitui um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação (n° 2273). (...). Visto que deve ser tratado como pessoa desde a concepção, o embrião deverá ser defendido em sua integridade, cuidado e curado, na medida do possível, como qualquer ser humano (n° 2274)".
Quanto ao "Início de um novo indivíduo humano", a afirmação feita pela Declaração sobre o aborto provocado, da Congregação para a Doutrina da Fé (1974): "A partir do momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida que não é aquela do pai ou da mãe, mas a de um novo ser humano que se desenvolve por conta própria. E não será jamais humano se não o tiver sido desde então... Desde a fecundação é iniciada a aventura de uma nova vida humana. (...)".
As recentes aquisições da biologia humana vêm confirmar que no ovo que deriva da fecundação já se encontra constituída a identidade biológica de um novo indivíduo humano". Adiante, após reconhecer "a individualidade biológica e por isso a natureza pessoal do ovo, desde a concepção", declara que "é errado, podendo inclusive afastar da reta doutrina, falar em pré-embrião, se por isso se entende um estágio ou uma condição de vida pré-humana do ser humano concebido". Referindo-se à solicitude, que os profissionais da saúde devem ter, com "o mesmo respeito, a mesma proteção e o mesmo cuidado devido a uma pessoa humana. "reafirma:" A vida pré-natal é vida plenamente humana em todas as fases do seu desenvolvimento".
A Carta Encíclica Evangelium Vitae, sobre o valor da vida e a inviolabilidade da vida humana (1995), do Papa João Paulo II, é uma condensação das diretrizes do Magistério da Igreja, a respeito da vida - valor humano fundamental, assim como do correspondente bem jurídico, que deve ser respeitado e defendido desde a concepção, durante todas as etapas e situações vitais, até à morte (entendendo-se que o desrespeito ao bem jurídico vida, leva a violar e negar o próprio valor humano vida).
A vida - valor humano fundamental e correspondente bem jurídico, direito humano fundamental, direito erga omnes -, é, como repetidamente dito nesta Encíclica, um dom divino, daí ter "um caráter sagrado e inviolável no qual se reflete a própria inviolabilidade do Criador".
Como tantas vezes tem acontecido com os pronunciamentos do Magistério, esta Encíclica concorda com as modernas evoluídas e bem fundadas verificações da Medicina, da Bioética e da Genética, desde que feitas com o método científico próprio de cada uma delas - quando não as antecipa, como tem ocorrido.
Tratando-se da vida nascente e do nascituro: quando não se tenha antecipado ou acompanhado a evolução, concorda, em termos, isto é, com tudo aquilo que não viola o valor humano da vida nascente nem destrói ou lesa o inerente direito à vida, do nascituro, nem faz caso omisso da sua, também ela, inerente dignidade humana.
Violar tal valor assim como destruir ou lesar tal direito, fazer caso omisso de, tal dignidade, significa dispor arbitrariamente da vida do inerente direito à vida e inerente dignidade humana do nascituro.
Ora, a Encíclica lembra autorizadamente: "O Criador confiou a vida do homem à sua solicitude responsável, não para que disponha arbitrariamente dela, mas a guarde com sabedoria e administre com fidelidade" (n° 76, 2° parágrafo).
A Encíclica inclui também observações e considerações de ordem a ético-jurídica, e repele os excessos daquele pluralismo que conduz a "total autonomia para dispor da própria vida e da vida de quem ainda não nasceu", assim como o seu oposto, isto é, a adequação das normas de conduta garantidoras da convivência social, "exclusivamente à vontade da maioria" (n° 68, 4° parágrafo, e 69, 10 parágrafo).
Ambas essas posições têm servido para pretender "liberar" ou "legalizar" o aborto. As leis que atendam a essas pretensões são "radicalmente não só contra o bem do indivíduo, mas também contra o bem comum e, por conseguinte, carecem totalmente de autêntica validade jurídica (n° 72, 3° parágrafo)".
"Leis desse tipo (...) geram uma grave e precisa obrigação de opor-se a ela através da objeção de consciência" (n° 73, 1° parágrafo). O Cap. IV da Encíclica tem como subtítulo "Por uma nova cultura da vida humana", que é a cultura do Evangelium Vitae - Cultura da Vida, contrapondo-se à Cultura da Morte.
Essa amostra do ensinamento do Magistério da Igreja, parece que é bastante para se saber, ter certeza de que a Igreja se preocupa com o grave problema da vida - seu início, a condição de pessoa, isto é sujeito de direitos, sendo a vida o primordial, tendo as intrínsecas concomitâncias e conseqüências ético-jurídicas e espirituais.
Servindo a essa preocupação, a Igreja tem acompanhado a evolução da Medicina, da Biologia, da Genética e respectivas ciências afins e ancilares, assim como da técnica e da tecnologia que as acompanham e servem. Esse acompanhamento não é de mero espectador, mas de participante, quando não de protagonista, por intermédio de respeitáveis especialistas que atuam quer individualmente quer em grupo, equipe.
Assim sendo, esses ensinamentos do Magistério da Igreja são válidos não só para quem é católico, mas para quem não o é, embora seja cristão, como, igualmente, para quem não é cristão e para quem não tem religião nem fé.
Nessa linha de preocupação e atividades, foi instalada em 1994, a Pontifícia Academia para Vida. É composta de setenta especialistas, do mundo todo, escolhidos independentemente de serem católicos ou não, de terem ou não religião, mas que sejam reconhecidamente grandes especialistas, e procedam de acordo com o Código de Ética das respectivas profissões. A Academia não se propõe substituir a ciência, nem estar acima dela, mas ao lado, estimulando-a nas pesquisas e nas conclusões práticas e aplicações.
Cada um dos acadêmicos pontifícios assina um documento, pelo qual "se compromete a reconhecer em cada membro da espécie humana uma pessoa à qual é devida a mesma dedicação desde a concepção até aos últimos instantes da vida". Daí, direitos humanos inalienáveis, próprios de cada momento da vida, desde a concepção até aos últimos instantes - morte. - que devem ser defendidos, contra qualquer agressão ou manipulação. Daí, também: a proibição do aborto e da eutanásia; a proteção do genoma humano, como patrimônio da humanidade; o alívio do sofrimento e a cura de doenças; a salvaguarda da saúde e correção de defeitos hereditários... "preservando o respeito da dignidade e da sacralidade da pessoa".
Quando eu entendo a sacralidade do outro mais me torno sagrado.
O presidente da Academia é escolhido pelo Papa. Os setenta membros (ordinários) da Academia são nomeados pelo Papa, "escolhidos de várias nações, que representam as disciplinas ligadas à vida (...)". A Academia tem também membros correspondentes, "que servem como contatos entre os institutos e centros de estudos e prática da cultura da vida existente no mundo". Com o esclarecimento de que "a Igreja não quer substituir nem se colocar acima do trabalho da ciência, mas estar ao lado dela e estimula-la tanto na pesquisa como nas suas conclusões e aplicações práticas", é lembrado que "a Igreja sabe - como disse o Concílio Vaticano II - que servindo à vida, não pode entrar em choque com a ciência".
Gritemos sempre : A Vida é sagrada!
Bendita seja minha mãe que não me abortou e hoje sou um sacerdote.
Nasci de sete meses e no segundo dia de meu nascimento estava correndo risco de vida, como ela me disse cabia na palma de sua mão, a pedido dela fui levado a pia batismal e me tornei cristão. Ao mesmo tempo em que fui levado ao santo batismo ela me consagrava a Mãe de Deus, Maria Santíssima. E hoje posso trazer em minhas mãos pelaPalavras Consacratórias, ainda que tão pecador,Jesus, tornando minhas mãos como um novo últero onde Maria concebe(a Nova Igreja)Jesus alimento para a eternidade.

Pe.Emílio Carlos+

sexta-feira, 18 de junho de 2010

CEM ERROS MAIS COMUNS DE NOSSO IDIOMA


1 - "Mal cheiro", "mau-humorado".
Mal opõe-se a bem e mau, a bom.
Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado).
Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

2 - "Fazem" cinco anos.
Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

3 - "Houveram" muitos acidentes.
Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

4 - "Existe" muitas esperanças.
Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. /
Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.

5 - Para "mim" fazer.
Mim não faz, porque não pode ser sujeito.
Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

6 - Entre "eu" e você.
Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

7 - "Há" dez anos "atrás".
Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

8 - "Entrar dentro".
O certo: entrar em. Veja outras redundâncias:
Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.

9 - "Venda à prazo".
Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV.
Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

10 - "Porque" você foi?
Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? /
Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou.
Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

11 - Vai assistir "o" jogo hoje.
Assistir como presenciar exige a: vai assistir ao jogo, à missa, à sessão.
Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

12 - Preferia ir "do que" ficar.
Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar.
É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.

13 - O resultado do jogo, não o abateu.
Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu.
Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias.
Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.

14 - Não há regra sem "excessão". O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente" (beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinqüenta), "zuar" (zoar), "frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo), "ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro).

15 - Quebrou "o" óculos.
Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.

16 - Comprei "ele" para você.
Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

17 - Nunca "lhe" vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.

18 - "Aluga-se" casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. /
Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

19 - "Tratam-se" de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. /
Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.

20 - Chegou "em" São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

21 - Atraso implicará "em" punição.
Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.

22 - Vive "às custas" do pai.
O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não "em vias de": Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.

23 - Todos somos "cidadões". O plural de cidadão é cidadãos.
Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.

24 - O ingresso é "gratuíto". A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.

25 - A última "seção" de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

26 - Vendeu "uma" grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.

27 - "Porisso". Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.

28 - Não viu "qualquer" risco. É nenhum, e não "qualquer", que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

29 - A feira "inicia" amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.

30 - Soube que os homens "feriram-se". O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou... O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.

31 - O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).

32 - Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

33 - "Obrigado", disse a moça.
Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.

34 - O governo "interviu". Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.

35 - Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

36 - "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.

37 - A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.

38 - A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.

39 - Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

40 - Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.

41 - Ele foi um dos que "chegou" antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

42 - "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.

43 - Ministro nega que "é" negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.

44 - Tinha "chego" atrasado. "Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

45 - Tons "pastéis" predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.

46 - Lute pelo "meio-ambiente". Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece, porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infra-estrutura, primeira-dama, vale-refeição, meio-de-campo, etc.

47 - Queria namorar "com" o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.

48 - O processo deu entrada "junto ao" STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não "junto ao") Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não "junto aos") leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não "junto ao") banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não "junto ao") Procon.

49 - As pessoas "esperavam-o". Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

50 - Vocês "fariam-lhe" um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo "formado-me").

51 - Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

52 - Blusa "em" seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.

53 - A artista "deu à luz a" gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu "a luz a" gêmeos.

54 - Estávamos "em" quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

55 - Sentou "na" mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.

56 - Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

57 - O time empatou "em" 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.

58 - À medida "em" que a epidemia se espalhava... O certo é: À medida que a epidemia se espalhava... Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.

59 - Não queria que "receiassem" a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).

60 - Eles "tem" razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

61 - A moça estava ali "há" muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)

62 - Não "se o" diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.

63 - Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários.
Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.

64 - Fique "tranquilo". O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.

65 - Andou por "todo" país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.

66 - "Todos" amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.

67 - Favoreceu "ao" time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores.

68 - Ela "mesmo" arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

69 - Chamei-o e "o mesmo" não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não "dos mesmos").

70 - Vou sair "essa" noite. É este que desiga o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 21).

71 - A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.

72 - A promoção veio "de encontro aos" seus desejos. Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.

73 - Comeu frango "ao invés de" peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

74 - Se eu "ver" você por aí... O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.

75 - Ele "intermedia" a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.

76 - Ninguém se "adequa". Não existem as formas "adequa", "adeqüe", etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.

77 - Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda", substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas "precavejo", "precavês", "precavém", "precavenho", "precavenha", "precaveja", etc.

78 - Governo "reavê" confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem "reavejo", "reavê", etc.

79 - Disse o que "quiz". Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

80 - O homem "possue" muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

81 - A tese "onde"... Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...

82 - Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.

83 - Venha "por" a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.

84 - "Inflingiu" o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não "inflingir") significa impor: Infligiu séria punição ao réu.

85 - A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

86 - Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje.
Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

87 - O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.

88- Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV "a" preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.

89 - "Causou-me" estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não "foi iniciado" esta noite as obras).

90 - A realidade das pessoas "podem" mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não "foram punidas").

91 - O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

92 - "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

93 - A moça "que ele gosta". Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.

94 - É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado... / Depois de esses fatos terem ocorrido...

95 - Vou "consigo". Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não "para si").

96 - Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não "são") 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

97 - A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 kg.

98 - "Dado" os índices das pesquisas... A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas idéias...

99 - Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

100 - "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.